Médicos do PS ameaçam não atender gestantes
Médicos do PS ameaçam não atender gestantes
Texto: Adriana Amorim
O corpo clínico do Pronto-Socorro Municipal está ameaçando parar o atendimento a gestantes a partir do dia 1º de julho. Na prática, a mobilização serve como pressão para que o atendimento de emergência volte a ser realizado na Maternidade Santa Izabel, onde os procedimentos era adotados até 1996.
Os médicos enviaram ontem um abaixo-assinado à Secretaria Municipal de Saúde no qual justificam a medida. Um dos argumentos é que a quantidade de gestantes atendidas vem crescendo. Em 97, a média de atendimentos mensais era de 135. No ano passado, o número subiu para 154. Como precisam passar primeiro pelo PS para depois ser encaminhadas à Maternidade, algumas gestantes dão à luz no Pronto-Socorro. Segundo a Secretaria de Saúde, são realizados de dois a três partos por mês.
O atendimento é prestado em um espaço improvisado, numa área física inapropriada e sem a presença de ginecologistas, maneira que foi encontrada para que o atendimento continuasse a ser prestado na época em que o serviço emergencial deixou de ser realizado na Maternidade. Por não ser especialistas nesse tipo de atendimento, os médicos alegam ainda que muitas vezes se sentem inseguros.
"É claro que eles realizam o atendimento, mas temem que possa haver alugum tipo de complicação, o que um especialista poderia resolver de forma mais adequada e tranquila", diz a secretária Eliane Fetter Telles Nunes. "Justamente por causa disso, temem que incorram em infrações técnicas e sejam penalizados".
Para o corpo clínico, não são apenas os médicos que saem prejudicados, mas também as gestantes, que passam pelo desconforto de dois exames e da remoção para a Maternidade. Muitas já chegam no PS em trabalho de parto.
A secretária afirma que a mobilização é um direito dos profissionais e por isso não teria motivo para reprimir a iniciativa. No entanto, caso não atendam as gestantes a partir da data estipulada, poderão ser acusados de omissão de socorro. Eliane diz que uma saída seria a contratação de um ginecologista para o PS.
"Mas isso não é o ideal porque não acabaria com o incômodo da gestante, que teria de ir à Maternidade do mesmo jeito. Estamos buscando soluções não paliativas".
Discussão
Para evitar a medida drástica, a secretária disse ontem que o assunto será levado ao Conselho Municipal de Saúde antes do dia 1º. Mas esta não será a primeira vez em que a questão do atendimento a gestantes será discutido pela entidade. O problema foi analisado durante a Conferência Municipal de Saúde, em abril, mas problemas financeiros da Prefeitura e complicações jurídicas protelaram a resolução da situação.
O problema começou quando o Ministério Público determinou que esse tipo de atendimento é de responsabilidade do município, o que ocasionou a levada do pronto-atendimento a gestantes no PS. Para que as emergências voltem a ser atendidas na Maternidade, Bauru teria que custear o pronto-atendimento na Maternidade Santa Izabel, inclusive a folha de pagamento de cinco médicos para trabalhar no local.
Tanto a questão da contratação de pessoal como a determinação das responsabilidade no atendimento ainda estão sendo analisadas pela Secretaria de Negócios Jurídicos da Prefeitura. Segundo a Secretaria de Saúde, o parecer está sendo aguardado para análise do Conselho. Na prática, o problema financeiro é o que mais pesa na decisão.