08 de julho de 2026
Geral

Plano Real

Paulo Toledo
| Tempo de leitura: 4 min

País precisa olhar para a produção, diz Ciesp

País precisa olhar para a produção, diz Ciesp

Texto: Paulo Toledo

Os cinco anos do Plano Real são vistos pela indústria como uma fase de pontos positivos e negativos, mas que, hoje em dia, o Governo Federal tem que adotar medidas que possam incentivar e desonerar a produção. José Luiz Miranda Simonelli, 35 anos, diretor regional do Centro das Indústrias do estado de São Paulo (Ciesp), diz que a maioria das insdústrias está sem capital de giro e necessita de linhas de crédito competitivas com o mercado mundial, para que possam contornar as dificuldades criadas nos últimos anos.

Simonelli diz que o dinheiro para produção e, consequentemente, para geração de empregos custa muito caro no Brasil. Para ele, é necessário que se disponibilizem linhas com juros justos para que as indústrias nacionais possam ser competitivas na disputa pelos mercados do Mercosul e, em breve, na Alca.

O diretor do Ciesp diz que, se o País não olhar com atenção para o setor produtivo, vai ser uma luta do "leão (outros países) com a galinha". Ele afirma que a maioria das empresas tem problemas financeiros e são obrigadas a priorizar pagamentos, como o salário dos funcionários, para poder sobreviver.

O diretor do Ciesp diz que, "quem ficou em pé" está sem capital de giro, passando por momentos difíceis. Simonelli diz que o momento é, inclusive, de se repensar a relação capital-trabalho, que está ruim e tem uma legislação retrograda. "Precisamos quebrar o círculo vicioso, de recessão e desemprego, e entrar num círculo virtuoso", afirmou.

Simonelli destaca que o Plano Real teve aspectos positivos e negativos para toda a sociedade. Os positivos passam pelo controle da inflação, já que o País convivia com taxas astronômicas de inflação, sendo impossível equilibrar a economia. Ele vê a estabilidade dos preços, apesar das altas que ocorreram no período, como proveitosa.

Porém, destaca que, infelizmente, isso ocorreu às custas de uma recessão, que é o lado negativo, pois provocou aumento do desemprego. Para ele, a contenção da inflação ocorreu baseada em uma política de controle da banda cambial, que acabou prejudicando as empresas.

"Houve fatores políticos no meio disso, como a questão da reeleição, numa intenção eleitoreira, que desembocou numa crise violenta, encarecendo produtos e dando sinal de que haverá uma pequena inflação", afirmou.

Simonelli destaca que o País está saindo da crise cambial mais rápido do que se esperava, apesar das previsões catastróficas que havia e, efetivamente, não se concretizaram. Porém, diz o diretor do Ciesp, muitas empresas não suportaram passar pelo período de estabilização e, mais recentemente, pela última crise cambial. "Ainda estamos na crise. O dólar está alto. Apesar de ter melhorado as exportações, não deu o efeito que era esperado", afirmou.

Por outro lado, mesmo com a alta do dólar, a inflação não disparou porque, na visão de Simonelli, a lei da oferta e da procura agiu, já que não está existindo massa salarial suficiente para ancorar uma inflação. O consumo caiu em razão do desemprego e das altas taxas de juros.

O diretor do Ciesp disse que já passou do tempo de se adotarem medidas para compensação dos aspectos negativos do Plano Real, caracterizados por "essa resseção violenta" que o País entrou.

Para ele, a injeção de recursos na produção, a realização da reforma tributária, a reforma da legislação trabalhista e a contenção do déficit público são extremamente importantes para corrigir o curso. Para ele, deve-se usar uma lei básica: não se gasta mais do que arrecada. Melhor ainda, Simonelli diz que, além disso, esse dinheiro deve ser bem gasto.

O diretor do Ciesp elogia o governo Mário Covas (PSDB), por ser extremamente comprometido com a contenção do déficit público. Além disso, vem tentando zerar e honrar todas as suas contas. Na área federal, ele defende a reforma administrativa e a modernização do Estado para que a situação possa melhorar. "Para que se possa ter uma contrapartida de serviços versus impostos digna para a população, o que não ocorre atualmente. A Previdência não paga um salário digno ao aposentado. A saúde pública não dá o atendimento digno às pessoas, assim como a educação pública deixa muito a desejar em muitos aspectos. São aspectos resguardados pela Constituição, a cargo do governo", afirmou.