08 de julho de 2026
Geral

Médico a domicílio

Redação
| Tempo de leitura: 10 min

Atendimento domiciliar melhora qualidade de vida do doente

Atendimento domiciliar melhora a qualidade de vida do doente

O atendimento médico domiciliar, também conhecido como "home care", é uma realidade em nível mundial e foi criado, principalmente, no sentido de melhorar as condições dos pacientes portadores de patologias crônicas-debilitantes, com perda de autonomia. Mas, além disso, já há estudos que apontam para uma melhora para os pacientes tratados em casa, numa tendência mundial de desospitalização. Seguindo essa tendência, a atual diretoria da Unimed-Bauru (cooperativa de trabalho médico), que tem como presidente o médico ortopedista Osvaldo Rodrigues Azenha Júnior, implantou o Serviço de Atendimento Unimed Domiciliar (Saud), que vem atendendo gratuitamente os usuários indicados ao tratamento pelos médicos cooperados que os atendem.

Guilherme Pupo Ferreira Alves, 41 anos, médico que foi chamado a ser o coordenador do Saud destaca que o atendimento domiciliar possibilita uma melhora no relacionamento entre o médico, paciente e família, criando condições para que o paciente seja atendido de forma específica, ao contrário do que ocorreria em um hospital, melhorando a qualidade de vida do doente.

De acordo com o médico, o Saud visa, ainda, fazer com que o paciente com doença crônica possa diminuir, cada vez mais, as intercorrências (crises) e, assim, evitar possíveis internações, que o afastam do convívio das pessoas próximas, além de colocá-lo em riscos de infecção maiores. Vale destacar que, em seu ambiente familiar, o paciente, geralmente, tem melhores condições para se recuperar ou manter quadros mais estáveis, nos casos das doenças crônicas.

Guilherme Pupo destaca que esse atendimento que a Unimed-Bauru vem proporcionando a seus usuários não está previsto no plano de saúde, ou seja, é um benefício expontâneo. "É o tipo de atendimento que todos são beneficiados. Ganha o paciente, ganha a família, ganha a equipe que está tratando, que consegue vislumbrar uma melhoria bastante importante na qualidade de vida do paciente.

É um serviço muito importante", destacou.

Programa Saud foi implantado em novembro de 1998, após a estruturação da equipe multidisciplinar, que é formada por uma médica, duas nutricionistas uma fisioterapeuta, duas assistentes sociais, uma enfermeira e coordenada por Guilherme Pupo. Atualmente, são atendidos 25 pacientes. Nesses seis meses, ocorrem algumas mortes, de pacientes que tinham doenças crônicas já avançadas. Os pacientes

Todos os pacientes portadores de patologias crônicas, como, por exemplo, Acidente Vascular Cerebral (AVC), que limita ou provoca perda sua autonomia, os portadores de neoplasias (câncer), ou que tenham doenças degenerativas, do tipo Doença de Alzhaimer, efizema pulmonar, que são limitantes, fratura de colo de fêmur, entre muitos outros casos, podem ser incluídos no Saud.

De acordo com Guilherme Pupo, esse foi o público escolhido num primeiro momento. Porém, em breve, a intenção da Unimed-Bauru é ampliar o atendimento para os portadores de doenças agudas. "No primeiro momento, a prioridade é dar um atendimento melhor para os pacientes de doenças crônicas", afirmou.

O médico-coordenador disse que o fato do paciente estar em casa ajuda muito em sua recuperação. Primeiro por estar em seu "habitat", rodeado pelos familiares, em condições mais adequadas para que a equipe possa estabelecer uma relação profissional mais humanizada. Em segundo lugar, elimina o risco das infecções hospitalares, que é um dos grandes problemas desses pacientes quando internam, pois na maioria das vezes, estão debilitados e o risco de ter uma infecção hospitalar cresce.

"Além disso, o estreitamento das relações da equipe com o paciente e a família reverte em grandes benefícios do lado psico-social, tanto para o paciente quanto para a família", afirmou.

Guilherme Pupo destaca que a proposta da Unimed com o Saud não

é só cuidar do paciente, mas de orientar e preparar o familiar ou cuidador (que pode ser uma pessoa contratada diretamente pela família) para poder cuidar desse doente. Ele destaca que esse tipo de enfermo gera uma situação de grande dificuldade para as famílias, pois os cuidados necessários são muitos. O Saud busca melhorar essa situação.

"Apesar de todas as dificuldades, no hospital, o paciente não terá a mesma atenção que tem em casa, principalmente com a ajuda da equipe multidisciplinar", afirmou.

O médico disse que a programação de atendimento de cada paciente é realizado semanalmente pela equipe multidisciplinar, que dirigem as ações. Existem doentes que necessitam de uma visita diária de determinado profissional, num primeiro momento. Depois, conforme vão melhorando, as visitas são espaçadas, de acordo com a escala de prioridade determinada. Todos recebem, pelo menos, uma visita do profissional por semana.

Indicação do médico

Para ser incluído no Saud, o usuário da Unimed-Bauru, residente na cidade (a estrutura ainda não permite o atendimento nas cidades da região) deve ser indicado pelo médico cooperado que o está assistindo. Após isso, a equipe multidisciplinar faz uma avaliação para saber se o paciente se encaixa no perfil pré-determinado.

Depois de aprovado o paciente, a assistente social faz uma avaliação das condições da família, pois a adesão de seus integrantes ou do cuidador é fundamental para o sucesso do programa. Guilherme Pupo diz que, na maioria das vezes,

é a família que se desdobra para cumprir as etapas do tratamento, pois não tem condições para pagar um cuidador profissional 24 horas por dia. O Saud não

é oferecido em instituições, como asilos ou abrigos, só em residências, em razão da necessidade de se ter alguém responsável pelo paciente. Depois é feito um levantamento criterioso, por cada membro da equipe, das necessidades do doente. "A médica faz um exame clínico bem detalhado. A fisioterapeuta vai fazer uma programação de exercícios. A enfermeira vai fazer toda a parte de enfermagem, orientando, por exemplo, como se previnem as escaras, que são aquelas feridas que aparecem em pessoas que estão acamadas por muito tempo. E, assim por diante, cada profissional faz uma programação", afirmou.

Apesar de estar no início, o Saud, implantado pela Unimed-Bauru, tem resultados considerados fantásticos e acima das expectativas iniciais, afirma Guilherme Pupo. Para se ter uma idéia dos avanços, a equipe está realizando um curso de treinamento para os familiares, cuidadores e cuidadores profissionais, com aulas mensais e com direito a certificado. A intenção

é capacitar as pessoas para manipular o paciente durante o tratamento.

O médico destaca que já houve uma queda grande no número de internações dos pacientes, que eram freqüentes. Para Guilherme Pupo é perceptível a melhoria da qualidade de vida dos pacientes, além de uma maior segurança e tranqüilidade por parte de quem cuida. "O programa oferecido pela Unimed-Bauru gera menos desgastes para o paciente e para a família, que sabem que têm a segurança de que estão sendo acompanhados e, em caso de necessidade, estamos prontos a intervir", afirmou.

A equipe do Saud é formada por: Maria Carla Soares Berro, médica; Rita Cristina Chaim e Rosângela Maria Barone, nutricionistas; Giedre Rosa Ponce, fisioterapeuta; Nilva Siqueira Maia e Regina Aparecida de Araújo Carvalho, assistentes sociais; Edna Soares Dalalio, enfermeira; Geisa Maria Sanches, auxiliar administrativa; e Guilherme Pupo Ferreira Alves, coordenador.

Guilherme Pupo diz que a evolução natural do atendimento do tipo "home care", como é o Saud, vem proporcionando grande avanços. Na Europa e Estados Unidos, por exemplo, esse serviço é muito popular e tem excelentes resultados. A mentalidade da "desospitalização" vem crescendo no mundo todo. "Diminui as crises dos pacientes, diminui custos para a família, em termos de tratamento, de medicamente, de maneira que é um serviço que, no futuro, será um esteio para qualquer tipo de atendimento. Não poderíamos deixar de implantá-lo, mesmo porque a Unimed-Bauru tem uma característica de pioneirismo no Estado de São Paulo, no desenvolvimento do atendimento a seus usuários", afirmou.

Guilherme Pupo disse que, além do melhor atendimento aos usuários, de forma gratuita, com a implantação do Saud, a Unimed-Bauru gerou empregos diretos e indiretos no mercado de trabalho da cidade e está especializando mão-de-obra, com o curso de cuidadores. Para ele, essa atitude é uma das formas da cooperativa cumprir seu papel social.

SAUD melhorou qualidade de vida e baixou gastos de paciente

A professora Celina Lourdes Alves Neves, 79 anos, é uma das pacientes que se encontra sob os cuidados do Serviço de Atendimento Unimed Domiciliar (Saud). Para ela, além de melhorar a qualidade de vida, o programa possibilitou que reduzisse imensamente os gastos que tinha com remédios.

Ela define a equipe do Saud como muito competente e interessada em curar o doente, o que permite ao paciente se sentir seguro. Vítima de artrose, complicada pela obesidade, Celina Neves conta que, antes de ser incluída no Saud, tinha um gasto extraordinário com farmácia, em razão das escaras (feridas que surgem em doentes que passam muito tempo deitados sem troca acompanhada de posições). De acordo com ela, a médica Maria Carla Soares Berro, receitou um óleo e outros medicamentos que, com o acompanhamento ajudaram a iniciar a cicatrização das feridas.

Celina Neves diz que o tratamento melhorou muito sua condição. Na data da entrevista, ela já podia se locomover da cama para uma cadeira, de onde acompanhava um aluno de datilografia. Depois, sofreu uma queda e teve que reiniciar o processo de melhora. Consciente de que a artrose é uma enfermidade que não tem solução definitiva, ela busca condições melhores.

A professora, que escreve na Imprensa há mais de 60 anos, foi incluída no programa pelo médico Osvaldo Rodrigues Azenha Júnior, que é o ortopedista que a acompanha. Para ela, o Saud foi uma surpresa agradável, já que a equipe possibilitou e trabalhou por sua melhora, dentro de um tratamento que ela considera "fantástico".

"Foi maravilhoso entrar nesse programa. Tem pessoas que pensam pela gente, a maneira correta de fazer as coisas, para meu bem estar", afirmou.

Celina Neves sempre teve uma vida muito ativa, fez teatro por mais de 40 anos, além de uma série de outras atividades, inclusive, beneficente.

Família de paciente que morreu elogia qualidade do atendimento

Há pacientes que morreram, durante o período de atendimento pelo Serviço de Atendimento Unimed Domiciliar

(Saud), como foi o caso de Antônio da Cruz, paciente vitimado por um câncer. Apesar disso, os familiares afirmam que o Atendimento Domiciliar foi muito importante, pois manteve o paciente mais próximo da família e, ainda assim, com um bom tratamento.

Rosângela da Cruz Garcia Silva, filha de Antônio da Cruz, diz que a equipe de profissionais do Saud fizeram um bom atendimento e estiveram presentes sempre que necessário.

"Foi um tratamento maravilhoso. Pena que meu pai não pôde usar por muito tempo", afirmou.

Rosângela conta que foi o médico Paulo Eduardo de Souza que recomendou a entrada de Antônio no programa, pois o paciente tinha que ser internado com certa freqüência para receber cuidados, apesar de Ter um quadro que poderia ser tratado em casa, com um acompanhamento assistido, como é proporcionado pelo Saud.

Antônio da Cruz permaneceu no programa por pouco mais de um mês. Para Rosângela, a qualidade de vida do pai melhorou muito depois que passou a ser assistido pela equipe do Saud. "Ele se sentia muito melhor estando com a família do que no hospital, tanto que o tempo em que permaneceu no hospital ficou com feridas no corpo, coisa que aqui em casa não tinha, e que depois começou a ser tratada pela equipe do Saud. Para nós foi bem melhor e para ele também", afirmou.

Rosângela conta que até a fisionomia de Antônio mudava, positivamente, quando o pessoal do Saud chegava para dar o atendimento. A filha lembra que a médica, enfermeira e outras profissionais conversavam muito com ele, o que ajudava o paciente. "Muitos tratamentos ele fazia bem com elas e com a gente tinha dificuldades. Foi um tratamento muito importante, pena que durou tão pouco", afirmou.