08 de julho de 2026
Geral

Atendimento médico

Por Rita de C. Cornélio | Ieda Rodrigue
| Tempo de leitura: 3 min

Promotor vai investigar atendimento a gestantes no PS

Promotor vai investigar atendimento a gestantes no PS

Texto: Rita de Cássia Cornélio/Ieda Rodrigues

O promotor da Cidadania, Carlos Roberto Simionni, vai investigar as condições de atendimento a gestantes no Pronto-Socorro Municipal. Se ficar comprovado que as condições são inadequadas, conforme representação feita a ele ontem pelo Conselho Municipal da Condição Feminina, o promotor vai exigir do Município que o PS seja adequado com condições materiais e humanas para o atendimento.

Para fazer com que o Município tome providências, Simionni poderá propor uma ação civil pública. No entanto, ele espera que não seja necessária nenhuma medida judicial, que antes o Município adeqüe o PS para o atendimento as gestantes ou firme o contrato com a Associação Hospitalar de Bauru (AHB), para que o pronto-atendimento a gestantes da Maternidade Santa Isabel seja retomado.

O Conselho da Condição Feminina reuniu-se ontem com o corpo clínico do Pronto-Socorro Municipal e, mais tarde, com Simioni. Na reunião com o corpo clínico do PSM, as conselheiras tomaram conhecimento, oficialmente, da atual estrutura de atendimento a gestantes na unidade.

"Ficamos chocadas com o que vimos. As gestantes em trabalho de parto são atendidas em uma sala minúscula, ao lado de um banheiro. Um biombo de tecido separa a sala de espera do Pronto-Atendimento Infantil do local onde a parturiente se despe para ser examinada," explicou a presidente do Conselho, Estela Almagro.

De acordo com ela, a situação não só viola o direito de cidadã como também é um crime de Direitos Humanos. "A sala não possui equipamentos adequados. A maca, não dá para chamar de mesa, fica ao lado do banheiro e do estacionamento, o que constrange a mulher", afirmou.

Almagro e as demais conselheiras detectaram dois problemas, que elas consideram graves. "Um da mulher que não tem o atendimento adequado e nem privacidade e, outro, dos profissionais que estão sendo obrigados a fazer o atendimento mesmo sem a estrutura necessária, caso contrário serão acusados de omissão de socorro", ressaltou.

A presidente do Conselho da Condição Feminina recebeu um ofício do corpo clínico que relata as condições inadequadas para o atendimento a gestantes. "Recebemos o documento e vamos encaminhar ao doutor Simioni. Estamos atacando em duas frentes: administração pública e judiciário, porque precisamos resolver o problema de imediato", explicou.

Segundo ela, o Conselho da Condição Feminina se reúne, hoje, com o prefeito Nilson Costa e com a secretária da Saúde, Eliane Fetter Telles Nunes. "Queremos que o pronto-atendimento volte a ser feito na Maternidade Santa Isabel, de imediato. O convênio tem que se assinado. Os problemas jurídicos podem ficar para depois", declarou.

De acordo com levantamento apresentado pela médica Marília Simões Garcia, diretora do Pronto-Atendimento, no mês de maio foram atendidas 141 mulheres em trabalho de parto, 22 com problema de aborto e mais 22 com ameaça de aborto no PS. Em junho, até o dia 19, foram atendidas 85 mulheres em trabalho de parto, três com problema de aborto e 15 com ameaça de aborto.

O médico plantonista Luiz Alberto Garla ressaltou que a sala de parto é imprópria e que a especialidade dos médicos não é obstetrícia. "Todos os médicos sabem fazer um parto, desde que a situação seja normal. Porém, nos casos mais complicados existem riscos para a mulher, para a criança e para o médico", explicou.