13 de março de 2026
Geral

Artigo

B. Requena
| Tempo de leitura: 3 min

O Bug do Milênio

O Bug do Milênio

B. Requena é editor de Internacional do Jornal da Cidade

Quem gosta de festa, de bebedeira, não vê a hora da chegada de um novo século. Ou melhor, de um novo milênio. Comemorações sem fim, alegria interminável. Estou lembrado de ter visto há vários anos reportagens segundo as quais, tanto nos Estados Unidos quanto na Europa, grupos de amigos se reuniram e se cotizaram: durante centenas e centenas de meses, todos deveriam contribuir com uma certa quantia para o que deverá ser o maior reveillon que a História já viu. Mas alguns não irão curtir o século, nem o milênio. Já foram desfrutar a eternidade...

Entretanto, enquanto alguns se preocupam com festas, outros queimam a pestana para solucionar o problema que se constituirá o Bug do Milênio, isto é, identificando o ano 2000 como se 1900 fosse, computadores de grandes conglomerados financeiros, industriais, isoladamente ou em cadeias, prometem verdadeiro apocalipse informático.

É curioso que a cada segundo que passa, o mundo inteiro depende cada vez mais dos computadores. Portanto, no Bug do Milênio, quanto maior for a dependência, assim também maior promete ser o tombo. Uma cidade quase que totalmente conectada a computadores, mesmo num teste sobre o "bug", há poucos dias, lançou o esgoto tratado na rede de água. O detalhe é que este fato é real! E era só um teste!

Recentemente, uma comissão do Senado dos EUA encarregada de examinar o problema relatou que a falta de preparo das pequenas empresas para lidar com essa questão da informática

é um fator de risco para o conjunto da economia norte-americana. Os 14,5 milhões de pequenas empresas que desempenham um papel crucial na economia do país são responsáveis por 51% da produção do setor privado.

O "bug" do próximo dia 1.º de janeiro teve sua origem nos anos 60 e 70, quando os fabricantes de computadores, por uma questão de espaço, deixaram apenas dois números para determinar um ano. Por exemplo 77 para 1977, 99 para 1999. A passagem para o ano 2000 (00) pode fundir a cuca das máquinas, podendo ser interpretado como 1900 ou simplesmente não ser reconhecido. Por exemplo, se você estiver internado num hospital moderno, na noite de sexta-feira, 31/12/1999, para operar de hemorróidas, verá que no dia seguinte o computador, ao invés da mais avançada anestesia, vai recomendar que você fique com os braços e as pernas amarrados. Para outros, recomendará o uso de chupanças, sim, aquele horrendo verme, sanguessuga, que a medicina de 1900 usava muito para provocar sangria nos pacientes. Se você tem uma bela poupança em real, na segunda-feira, dia 3/1/2000, verá que terá somente uma mixaria em réis. E o pior, tudo em nome de seu bisavô. Até Antônio Ermírio, o homem mais rico do Brasil, corre esse risco. Nostradamus acho que errou por pouco. A desgraceira (ou quebradeira) não será em 11 de agosto, mas em 1/1/2000.

Antes que tudo isso aconteça, decidi que vou comemorar a festa antes. Será no dia 9/9/1999. Às 9h09m09s. Vou abrir um vinho caríssimo (envelhecido 19 anos) e convidar 9 amigos. Mas em seguida aplicar a regra dos "nove fora" e ficar sozinho com a delícia. Ah, ia me esquecendo: o meu amigo Marquinhos, que há poucos anos transferiu seu

ócio para as dunas de Fortaleza (Ceará) mandou-me uma foto do seu bug. Rodas novas, som caprichadíssimo, pintura psicodélica, motor com ronco inigualável. Ele até já o batizou: "O Bug do Milênio".