08 de julho de 2026
Geral

Bancários

Luciano Augusto
| Tempo de leitura: 3 min

Bancários iniciam atos nas regiões administrativas do Banespa

Bancários iniciam atos nas regiões administrativas do Banespa

Texto: Luciano Augusto

A proposta lançada na reunião do Comando Nacional dos Funcionários do Banespa, feita no último dia 25 de junho, em São Paulo, de intensificar os atos contra a privatização com a troca da diretoria do banco, teve inicio ontem, com a paralisação das atividades na agência centro do Banespa de Bauru, das 8:30 às 12:00 horas.

Semanalmente, os bancários do Banespa irão realizar atos em todas as 15 regiões administrativas do banco, localizadas nas principais cidades do Estado de São Paulo. Somente aposentados deverão ser atendidos no período em que as atividades ficarem paralisadas. Dois caixas fizeram ontem o atendimento, enquanto o restante dos funcionários da agência permaneceram do lado de fora, acompanhando o ato.

Os bancários acreditam que com a saída de João Magro e a posse de Eduardo Guimarães, o processo de privatização do Banespa seja acelerado. "A idéia é fazer as paralisações e mostrar para a população, políticos e empresários da região, fazendo uma comoção na sociedade, a importância do Banespa ser resgatado de volta para SP", argumentou Laércio Pereira, 36 anos, diretor do Sindicato dos Bancários e Financiários de Bauru e região.

Afirmam os sindicalistas que com a privatização do banco os investimentos agrícolas (segundo o sindicato, o Banespa responde por 50% do total financiado no Estado) e os investimentos em obras sociais, que gerariam empregos, irá acabar porque "banqueiro privado só quer lucro fácil e rápido e não tem papel social nenhum".

De acordo com o sindicalista, é possível reverter o processo de privatização do Banespa "porque, tecnicamente, ficou provado que a dívida é do Estado e não do banco". Pereira diz que a intervenção feita pelo Governo Federal e que federalizou o ex-banco do Estado de São Paulo foi uma atitude política.

Por isso, politicamente é possível reverter este processo. "Tanto é que já estamos há quatro anos e meio de intervenção e até hoje eles não conseguiram (privatizar o Banco), sendo que o Governo Federal dizia que em seis meses o banco estaria privatizado", complementou Pereira.

Com a integração de toda a sociedade, dos prefeitos do Estado e de todos os outros setores, os bancários crêem que podem reverter o processo de privatização.

"Greve está descartada, por enquanto", avisou o sindicalista. Entretanto, ainda neste mês de julho, entre os 22 e 24, os funcionários do banco se reúnem num novo encontro nacional (Congresso dos Banespianos) onde movimentos grevistas não estariam descartados, como forma de pressionar a nova direção em relação à campanha salarial da categoria, cuja data-base é em setembro.

Laércio Pereira explicou ainda que em julho ocorrem as discussões acerca da campanha salarial da categoria e em agosto eles entregam a pauta destas negociações. Complementou dizendo que o acordo coletivo de 97/98 ainda não foi fechado, assim como o de 98/99. A partir de setembro eles já entram no acordo de 99/2000. "Além da questão da privatização tem a questão da negociação com os funcionários e a idéia é pressionar para que os dois andem juntos", concluiu Pereira.

Boletim de ocorrência

A pedido do comando da Polícia Militar foi lavrado um boletim de ocorrência de resguardo do patrimônio público.

Porém, não houve qualquer tipo de intervenção dos policiais militares que acompanhavam a paralisação no Banespa, que transcorreu normalmente.