07 de julho de 2026
Geral

Aids

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 4 min

Mulher já supera homem em casos novos

Mulher já supera homem em casos novos

Texto: Sabrina Magalhães

Quando começou a epidemia, a incidência de contaminação era de uma mulher para cada 15 a 20 homens

"O mais grave que a gente tem sobre aids hoje é que a mulher está superando o homem na epidemia", afirma a infectologista Denise Arakaki. Segundo ela, 15 anos atrás, havia uma mulher infectada para cada 20 homens - proporção que vem sendo reduzida. "No ano passado, a gente tinha dois homens para uma mulher. E neste ano, pela primeira vez na história da aids no Brasil, a gente está vendo a mulher superar o homem. Em Bauru ainda há mais homens que mulheres contaminados, mas o Ministério da Saúde já anunciou que há mais mulheres proporcionalmente contaminadas do que homens. Não chega a duas por um, mas é 1,3 ou algo em torno disso."

Mas a coordenadora do Programa Municipal DST/Aids em Bauru, Eliane Monteiro, salienta que esses números são referentes aos últimos registros de casos novos: "Nos dados relativos ao último trimestre, houve realmente um registro maior de aids em mulheres, mas isso não que dizer que o perfil epidemiológico já tenha mudado. No município de Bauru ainda são três homens para cada mulher contaminada. Esta é a média estadual e nacional, apesar da tendência apontar para a igualdade num futuro próximo".

Preocupada com esses números, a saúde pública está voltando toda sua atenção para as mulheres. Afinal, um aumento da aids entre elas significa aumento no número de crianças contaminadas. "Crianças cujo futuro fica comprometido, que vão ficar órfãs cedo, que vão ter uma inserção social complicada. Então, o peso da mulher na epidemia não é só humano. A educadora que vai trabalhar com o filho também acaba se perdendo", comenta Arakaki.

Machismo

É consenso entre os especialistas que o alvo das próximas campanhas anti-aids tem que ser a mulher. Porque para se prevenir, ela precisa aprender a lutar contra outro problema social: o machismo. Ao contrário do que muita gente pensa, a aids hoje aparece dentro de casa, tendo como principais vítimas as mulheres casadas, as que têm parceiro fixo. E mesmo desconfiando que seu parceiro dê suas "escorregadas", ela encontra dificuldade em propor o uso do preservativo.

"A mulher não foi educada para negociar relação sexual. Ela é a submissa, é como se ela não fizesse parceria, só fosse objeto. Então, é o homem que comanda e ela, por comodidade, por dependência econômica ou por estar apaixonada, se sujeita. E se depois de anos de casamento, ela propõe o uso do preservativo, ela é acusada. A primeira pergunta que ele faz é

'por que você está querendo usar preservativo? O que você aprontou? O que fez?' Ou, em outros casos, 'está desconfiando de mim?' Isso desmorona o relacionamento. Então, ela tem medo da reação do marido e acaba se calando", destaca a presidente da Sociedade de Apoio à Pessoa com Aids de Bauru (Sapab), Mafalda Sparapan.

Para os profissionais envolvidos com a síndrome, diante de um problema como a aids, a relação sexual deveria ser encarada como um fator de saúde, ou seja, os parceiros deveriam discutir abertamente a traição, fazer acordos, instituindo o preservativo dentro ou fora de casa. Porque enquanto o assunto sexo responsável for evitado entre marido e mulher, famílias inteiras continuarão sendo contaminadas.

Quando a aids se manifesta, os primeiros sintomas do doente são: febre, emagrecimento rápido, diarréia prolongada

(15 dias a três meses), aparecimento de gânglios (caroços), infecções na pele, queda de cabelo, distúrbios de memória. Mas um único sintoma não faz diagnóstico de aids.

"Peste gay"

A aids foi reconhecida como doença pelo Center for Disease Control (CDC - Centro para o Controle de Doenças), de Atlanta, Estados Unidos, em 1981, pela equipe de Michel Gottieb, a partir da observação de cinco casos - surgidos em 1978

- de indivíduos jovens, homossexuais e com um tipo especial de pneumonia característica de pessoas com baixa imunidade. Naquela época, a terrível doença foi preconceituosamente apelidada de "peste gay".

Mas no final de 1981 e no decorrer de 1982, esses casos repetiram-se com maior freqüência, surgindo também em viciados em drogas endovenosas (particularmente cocaína e heroína), hemofílicos, bem como em indivíduos ocasionalmente transfundidos, nos quais a presença de infecções por germes oportunistas (aqueles que se aproveitam da baixa imunidade para sua manifestação) e alguns tipos de cânceres, particularmente o Sarcoma de Kaposi (um tipo de doença de pele comum e benigna em pessoa de idade avançada, mas de alta malignidade e incomum em jovens) constituíam-se nas causas principais da alta mortalidade desses indivíduos.

Por serem pessoas saudáveis anteriormente à manifestação destes sintomas, a doença ganhou a designação técnica de Síndrome (conjunto de sintomas) da Imuno-Deficiência

(enfraquecimento do sistema imunológico, que é responsável pela defesa do organismo) Adquirida (porque aparecia em indivíduos sem qualquer histórico de problemas imunológicos, nem características genéticas indicando predisposição).

Fonte: Pesquisas realizadas no Colégio do Carmo e na Universidade Federal de Uberlândia/Internet