DIG/Garra investiga cartazes contra homossexuais
DIG/Garra investiga cartazes contra homossexuais
Texto: Adriana Rota
A Delegacia de Investigações Gerais/Grupo Armado de Repressão a Roubo e Assalto (DIG/Garra) elaborou um boletim de ocorrência e vai empreender uma investigação para chegar ao autor ou autores de quatro cartazes afixados num muro e num poste da quadra 4 da rua Cussy Junior, que incitam o extermínio de homossexuais, além de conter uma mensagem de cunho político contra o Partido dos Trabalhadores
(PT). De acordo com o delegado J. J. Cardia, os direitos dos cidadãos são garantidos pelo artigo 5.º da Constituição brasileira, no qual consta que não deve haver distinção de qualquer natureza. A pessoa ou grupo responsável pela confecção e colagem dos cartazes pode responder na Justiça por incitação ao crime de genocídio
(que constitui em destruir, total ou parcialmente, um grupo), cuja pena varia de três a seis meses de detenção.
Os cartazes são assinados por um grupo intitulado de Frente Anti-Caos (FAC), que mantém um e-mail para contatos. Nas frases utilizadas, classificam a prática homossexual como
"execrável" e "afronta ao princípio básico da procriação". Além de afirmar que "homossexuais molestam crianças, o que constitui "crimes hediondos", os chamam de "grupelhos de anormais", "predadores" e "a destruição da família", afirmando ser necessário "reagir antes que seja tarde" ao que consideram "verdadeiro colapso da sociedade". Desinformados ou não, divulgam que "os pederastas facilitam o contágio de doenças sexualmente transmissíveis, inclusive através de contato não sexual!". Dentro de uma imagem de um cesto de lixo, as iniciais GLS (gays, lésbicas e simpatizantes). Com os dizeres "respondam nas urnas" e um símbolo do PT aos pedaços após um soco na lateral, demonstram um caráter político na manifestação.
A semelhança dos caracteres, das figuras e dos dizeres utilizados, além da época em que foram afixados, revelam a possibilidade de esses cartazes estarem relacionados a outros, colados há exatamente um ano e um mês na quadra 3 da mesma rua, nas paredes do Sindicato dos Ferroviários e num poste em frente (onde a mensagem ainda é parcialmente visível). Estes tinham a frase "Mantenha a cidade limpa - jogue a sujeira comunista no lixo" e a figura de uma pessoa lançando o símbolo do Comunismo (a foice e o martelo) num cesto, além de caveiras. Na época, membros do sindicato receberam ameaças por telefone. O presidente do sindicato e candidato a deputado federal pelo PT na ocasião, Roque Ferreira, encabeçava uma forte oposição à Prefeitura, que tinha à frente Antonio Izzo Filho. Os autores não foram identificados.
Para Cardia, os responsáveis pelo crime podem fazer parte de uma ramificação de um grupo neonazista que estaria atuando em Bauru, do qual se tinha informações mas nada de concreto até então. O resultado efetivo, no entanto, só virá após a conclusão das investigações. Hoje, o titular da delegacia vai contatar a Prefeitura para que providencie a limpeza do muro e do poste, de modo a evitar a propagação das idéias pregadas.
Durante a reportagem do JC, um grupo de garotos aproximou-se para ler os cartazes e um deles comentou "eles estão certos", o que demonstra adesão a esse tipo de prática. Quanto ao show do cantor Edson Cordeiro - que assumiu recentemente sua homossexualidade - agendado para a próxima sexta-feira, Cardia acredita que não seja necessário reforço policial na entrada ou na saída do evento. "Esses grupos agem na clandestinidade, não querem ser identificados", afirmou.