Megafusão atenderia aos Aas
Megafusão atenderia aos Aas B. Requena é editor de Internacional do Jornal da Cidade
Os brasileiros tomaram conhecimento, boquiabertos, na semana passada, de que as duas maiores indústrias cervejeiras do País, a Brahma e a Antarctica, após um período de negociações totalmente hermético e distante da opinião pública, e mesmo dos mais habilidosos do mercado, estão se unindo numa só empresa. Aliás, na maior empresa do País.
As primeiras reações foram de curiosidade e mesmo de incredulidade. Ferrenhas adversárias, durante várias décadas gastaram mutuamente bilhões de dólares, uma em função da outra, defendendo e atacando, conforme o momento, conforme o caso e, conforme a campanha publicitária, claro. A sabedoria popular diz: "se você não pode com o inimigo, una-se a ele". Não se sabe se uma empresa capitulou diante da outra em função desse jogo de forças, dessa interminável pressão ou se foi para atender a ambas através da nova realidade do mercado internacional, com o advento da globalização. Na globalização, como é notório e estamos vendo a todo momento, só há lugar para os fortes. Os mais fracos ou se unem ou estão condenados ao desaparecimento.
Bem, se a união tivesse ocorrido em virtude do primeiro motivo, preciso seria inventar, arguir uma segunda causa para a formação desse ser ciclópico, gigantesco do mundo empresarial, pois às claras não seria admissível. Em hipótese alguma um país sério poderia aprovar esse procedimento danoso para os consumidores. Caso o motivo tenha sido ardilosamente criado, caberá às nossas autoridades da área investigar a fundo para determinar a realidade nua e crua da fusão. Em países de legislação avançada, como os Estados Unidos, dificilmente um negócio como este poderia ter acontecido. A Microsoft, por exemplo, está pressionada contra a parede, respirando pouco, em função do aperto que lhe é imposto pela Justiça dos EUA. E não faz diferença que o seu proprietário, Bill Gates, seja o homem mais rico do mundo. E que entre os seus sócios e empregados estejam o 3.º e o 4.º homens mais ricos do Planeta. A questão do monopólio transformou-se em pesadelo para eles. Nem os 90 bilhões de dólares de Bill Gates compram para ele um sono tranquilo por causa desse ilegalidade.
O risco que os consumidores brasileiros correm, a partir de agora, referem-se à falta da grande concorrência. A tendência será um desequilíbrio nos preços, porém "caindo" para o alto. Que nossas autoridades estejam atentas. Caso contrário, a megafusão estaria favorecendo aqueles que querem abandonar a bebida. Ou, também, os apreciadores da cerveja no Brasil - agora sim - estariam entrando numa gelada... (B. Requena)