Comissão quer regular tratamento a viciados
Comissão quer regular
tratamento a viciados
Texto: Adriana Amorim
A Secretaria Nacional Anti-drogas, órgão do governo federal criado no início do ano para auxiliar no combate
às drogas, criou recentemente uma comissão técnica que ficará encarregada de impor critérios mínimos para o funcionamento de entidades que prestam serviços de assistência e tratamento a dependentes químicos. O bauruense Edmundo Muniz Chaves, diretor-executivo do Esquadrão da Vida e presidente da Federação das Comunidades Terapêuticas Evangélicas do Brasil, foi nomeado membro da comissão e tem sugestões para a disciplinar a prestação do serviço.
A comissão e a nomeação de Chaves foram publicadas no Diário Oficial da União no dia 26 de maio. As reuniões para estudo e discussão das modificações já tiveram início e a primeira minuta da proposta deve ficar pronta até a semana que vem. A intenção da Comissão é criar mecanismos que auxiliem o trabalho das entidades já existentes que prestam atendimento a dependentes químicos e evitar o surgimento de "picaretas" nesse tipo de serviço. "Nós queremos desenvolver critérios básicos para que a comunidade tenha uma noção clara daquilo que é permitido", reforça Chaves.
Ele diz que atualmente não existem normas que disciplinem, por exemplo, a instalação de uma entidade interessada em trabalhar com dependentes químicos. Não há também como exigir instalações físicas e recursos humanos adequados. "Além da comunidade ser prejudicada, o mais afetado é o depende químico. Sem falar também que isso acaba atrapalhando as entidades idôneas", explica.
Mudanças
Por isso, Chaves acredita que a Comissão poderá trazer alterações positivas no sentido da criação de um política nacional anti-drogas mais abrangente. "Criar mecanismos para resolver a situação não é uma coisa simples, mas acredito que esse é o primeiro passo para moralizar o trabalho". Com regras estalebecidas será possível exigir uma nova posturas das entidades, ter argumentos para a cobrança de mudanças e denunciar casos irregulares.
Na opinião de Chaves, devem ser criados critérios para internação. Um deles seria a avaliação para determinação do tipo de atendimento necessário ao dependente - apenas terapêutico ou com auxílio de medicamentos - através de análise de profissionais especializados.
Deve ser debatida também a necessidade de estrutura física adequada e de atendimento capacitado. Chaves defende maior apoio aos centros de formação de funcionários para preparar as equipes que prestam o atendimento.