Bancários paulistas querem 30% de aumento salarial
Bancários paulistas querem 30% de aumento salarial
Texto: Luciano Augusto
Na Conferência Estadual dos Bancários do Estado, ocorrida no último sábado, em São Paulo, surgiram algumas propostas, principalmente em relação
à campanha salarial, que deverão ser fechadas na Conferência Nacional dos Bancários, que será realizada entre os dias 16 e 17 deste mês, em São Paulo. O índice de reajuste salarial lançado pelos bancários do Estado chega a 30%, para os que seguem a Federação Nacional do Bancos (Fenaban).
O diretor do Sindicato dos Bancários e Financiários de Bauru e região, Marcos Aurélio Silvestre, 32 anos, adiantou que o índice de reajuste pleiteado pelos bancários é o Índice do Custo de Vida (ICV) do Dieese, do período de 1.º de setembro de 94 até 31 de agosto de 99, "ou seja, é o período do Plano Real, considerando as perdas salariais que houve na conversão salarial com a URV". Segundo Silvestre, o índice de reajuste, somado com as perdas com o índice de produtividade
(algo perto de 15%), deve ficar em torno de 30%.
Este percentual será válido para os bancos que seguem a Federação Nacional do Bancos, que basicamente são os bancos privados, a Nossa Caixa Nosso Banco e o Banespa.
Já em relação ao Banco do Brasil (BB) e a Caixa Econômica Federal (CEF), que estão sem reajuste dos salários há quatro anos, "o índice será bem maior", adianta o diretor sindical. Levando-se em consideração somente o índice de reajuste, Silvestre diz que o percentual chega a 35% no BB e na Caixa a 37%. Somando a produtividade, o índice chega a praticamente 50% nos dois bancos.
Os bancários paulistas também pedem garantia do emprego e o fim das demissões. O sindicalista avisa "que os bancários estão jogando muito peso nesta reivindicação". Outros pontos também foram colocados, como: a segurança de funcionários e clientes nas agências bancários, motivados principalmente "pela popularização" dos assaltos e seqüestros a bancários; continuidade da luta pela manutenção da jornada de trabalho da categoria em seis horas; luta pela saúde e de melhoria das condições de trabalho, principalmente em relação aos crescentes casos de Lesão por Esforço Repetitivo
(LER).
Conforme explica Silvestre, a segunda parte da conferência dos bancários do Estado foi uma análise da conjuntura.
"Mais uma vez não será uma campanha salarial fácil, porém, o fato dos bancos terem ficado expostos
(pelas sucessivas reportagens veiculadas sobre favorecimento, sobre os lucros, sobre as relações de banqueiros com o Banco Central) enfraqueceram politicamente os banqueiros e podem fortalecer o poder de fogo dos bancários", completou.
Mas o principal inimigo para mobilização, segundo o próprio Silvestre, é o medo do desemprego, "que atrapalha não só os bancários como também qualquer outra categoria".