Brasil prorroga acordo para discutir o OIC
Brasil prorroga acordo para discutir OIC
Texto: Márcia Buzalaf
Se o Brasil não renovasse o acordo, a própria Organização Internacional do Café poderia acabar, já que o País é o maior produtor
O Brasil conseguiu a prorrogação de um ano no acordo entre os países que fazem parte da Organização Internacional do Café (OIC). O vice-presidente da Federação da Agricultura do Estado de São Paulo e presidente do Sindicato Rural de Bauru, Maurício Lima Verde Guimarães, participou da reunião realizada em Brasília no início desta semana.
De acordo com ele, se o Brasil não renovasse o acordo, a própria OIC poderia acabar, já que o Brasil é o maior produtor de café o segundo maior consumidor do produto, perdendo apenas para os Estados Unidos.
Entre as decisões da reunião, está a prorrogação do acordo do café, que vencia em 30 de setembro. O Brasil condicionou a extensão do contrato à participação de entidades não-governamentais dentro da OIC. "A pressão em cima do presidente e dos deputados foi muito grande", afirma Guimarães.
Esta discussão tomou força em Londres, na última reunião da OIC, em 23 de julho. Os países consumidores de café foram contra a inclusão da iniciativa privada na organização, que conta com 111 países produtores e consumidores.
O prazo de um ano foi estabelecido em Brasília para que a discussão possa ganhar força e amplitude. Guimarães diz que o Brasil insiste na inclusão de outras entidades na organização há dois anos.
A OIC é o único órgão de produtos primários do mundo, ligado à Organização das Nações Unidas (ONU).
Brasil deve exportar 15 milhões de sacas em 99
O Brasil vai exportar 15 das 22 milhões de sacas que deve produzir. O limite foi estabelecido na mesma reunião, em Brasília, dos membros da Associação dos Países Produtores de Café (APPC).
Considerando que o mercado interno consome cerca de 12 milhões de sacas, e deve exportar 15 milhões, os cafeicultores devem recorrer ao estoque do governo.
A função da associação, segundo o vice-presidente da Federação da Agricultura do Estado de São Paulo e presidente do Sindicato Rural de Bauru, Maurício Lima Verde Guimarães, que participou da reunião, é estabelecer as cotas de exportação visando estabilizar o preço.
O Brasil estava em uma posição criticada na reunião. Em 98, conta Guimarães, o Brasil tinha a cota de exportar 12 milhões de sacas, mas ultrapassou o limite e exportou 20 milhões de sacas, das 35 milhões colhidas no País. Os outros países produtores cumpriram corretamente a determinação da APPC. "O País estava no descrédito durante a reunião", relata Guimarães.
Para a safra do ano 2000, a previsão é que o Brasil produza mais de 35 milhões de sacas de café, e exporte 17 milhões. Com isso, o preço do produto deve cair 25% já no próximo ano. Guimarães prevê que deve haver excesso do produto no próximo ano. (MB)