Criança é achada amarrada a berço
Criança é achada amarrada a berço
Texto: Ieda Rodrigues
Uma menina de 1 ano e 7 meses foi encontrada pela polícia amarrada pela perna a seu berço, ontem à noite, numa casa na Vila Bela. Os dois irmãos maiores, de 3 e 6 anos, estavam no mesmo quarto, numa cama onde estaria uma faca. Não havia ninguém na casa e o quarto estava escuro. O caso foi registrado no Plantão Policial como abandono de incapaz.
A Polícia Militar chegou ao local após receber uma denúncia anônima dando conta de maus-tratos. A mãe das crianças, Viviane Toledo Pires Carriom, que chegou na casa após a presença dos policiais, disse que não amarrou sua filha e não soube explicar quem o teria feito. Ela afirmou que deixou as crianças sob os cuidados de sua avó, uma mulher de 70 anos.
O pai das crianças, Cássio Amorim Carriom, que é motorista de caminhão, estava trabalhando na hora dos fatos e só chegou à casa após a polícia. Ele disse que nunca suspeitou que sua filha estaria sendo amarrando. No entanto, ele admitiu que Viviane não cuida muito bem das crianças.
Viviane disse que saiu de casa, por volta das 17 horas, para levar exames ao médico e deixou as crianças aos cuidados de sua avó, bisneta das crianças. A idosa não estava na casa na hora da chegada dos policias e Viviane disse que, como não viu nada, não podia acusá-la de ter amarrado sua filha.
A sogra de Viviane, Maria Djanira Carriom, ficou desesperada ao saber, pela polícia, que sua neta estava amarrada ao berço. Ela contou que, há cerca de dois meses, vem recebendo telefonemas anônimos informando que seus netos estão sofrendo maus-tratos. O menino de 6 anos teria sido visto por vizinhos atravessando a linha férra, que fica próxima da casa, sozinho.
Maria Dijanira disse que, como não viu, não pode acusar Viviane de ter amarrado a criança, mas acredita que ela vem maltratando seus netos. Ela disse que o menino de 6 anos contou que foi sua mãe quem amarrou sua irmãzinha, para que ela não caísse do berço.
Como nenhuma das crianças apresentava lesões pelo corpo e estavam aparentemente saudáveis, o delegado plantonista registrou boletim de ocorrência como abandono de incapaz. O delegado pediu exames ao Instituto Médico Legal (IML) e acionou o Conselho Tutelar, que não compareceu ao local. Agora, o caso será enviado à Promotoria da Vara da Infância e Juventude para análise.