11 de março de 2026
Geral

Ocorrência Policial

Marcos Zibordi
| Tempo de leitura: 3 min

Estelionatários que agiam dentro de banco são presos

Estelionatários que agiam dentro de banco são presos

Texto: Marcos Zibordi

Dupla aplicava o golpe dentro das agências bancárias há pelo menos dez dias

Mais uma variação do já intrigante crime do estelionato foi identificada em Bauru. Uma dupla, que agia dentro das agências bancárias, observando os clientes que efetuavam os maiores saques, foi presa em flagrante na manhã de ontem, por volta de 11h30, numa agência na área central.

Arlindo Ferreira de França, 41 anos, e Roziel Nunes da Silva, 24 anos, bem trajados, usando gravatas e comunicativos, estavam dentro da agência bancária observando a movimentação de saques dos clientes na fila do caixa. Um deles, Carlos Alberto Silva, 30 anos, tinha sacado cerca de R$ 4 mil em dinheiro e se dirigia até o estacionamento para pegar seu carro.

Nesse momento, ele foi abordado por França, que se identificou como funcionário do banco e pediu para que a vítima retornasse ao interior da agência, já que uma das notas que ele havia sacado no caixa seria falsificada. O cliente, acreditando em França e provavelmente influenciado pelo seu discurso e aparência, retornou ao banco. Eles conversavam no interior da agência enquanto uma funcionária, percebendo a estranha movimentação, interferiu na conversa perguntando quem era de França. Ele respondeu que era funcionário de uma agência do banco de outra cidade. O gerente também se aproximou do local e de França que, querendo manter firme sua posição, insistia na tese de funcionário de outra agência, enquanto um real funcionário do banco acionava a polícia.

Segundo as testemunhas declararam à polícia, o estelionatário, enquanto falava, se aproximava da porta e, perto dela, saiu correndo, alguns segundos antes da chegada do patrulhamento urbano da Polícia Militar, representada pelo cabo Franceloso e os soldados Roberto e Devanil.

Numa busca pelas redondezas do banco, os policiais foram informados da presença de um suspeito dentro de uma loja de motocicletas, denunciado pelo proprietário. França estava no escritório da firma, tomando cafezinho, e acertando a compra de dois capacetes, numa tentativa de despistar os policiais e ficar escondido até a movimentação "esfriar" para ele pudesse sair.

A polícia levou França até o gerente, que o reconheceu. A vítima, que tinha ido embora com o tumulto, foi chmada e, além de França, também reconheceu Silva como participantes do estelionato. Na polícia, Silva declarou que o acordo com França era de dividir o "lucro", caso o golpe desse certo, ou acionar um advogado, caso a operação se frustrasse.

O flagrante foi registrado no 3.º Distrito Policial, onde descobriu-se outros crimes de França. Ele já tem uma passagem pela polícia por estelionato e confessou ter aplicado outro golpe no mesmo banco há dois dias. Ele teria adulterado um cheque de R$ 400 para R$ 6 mil, incluiu seu nome como beneficiário e descontou a quantia na boca do caixa do banco. O operador de caixa que fez este desconto também reconheceu França como sendo o autor do estelionato. Segundo a polícia, ele estaria em Bauru há dez dias.

A tática do golpe, simples, mas ousada, consistia em conversar um pouco com a vítima dentro do banco e convencê-la de que as notas eram falsas e que França faria a troca, sendo ele um funcionário do banco. Enquanto a vítima, convencida, esperava novas notas, seu dinheiro verdadeiro já estaria longe, no bolso de França, que provavelmente sairia pelos fundos.