Herdeiros de Val de Palmas contabilizam prejuízos
Herdeiros da Val de Palmas contabilizam prejuízos
Texto: Rita de Cássia Cornélio
A Polícia Técnica, o titular do 1.º Distrito Policial, João Osinski, e três herdeiros da fazenda Val de Palmas estiveram, ontem, na propriedade e constataram a destruição ocorrida durante a desocupação dos sem-terra do local. Os herdeiros solicitaram o sigilo de seus nomes, uma vez que afirmam estarem sendo ameaçados de morte.
De acordo com a neta da proprietária da Val de Palmas, os integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra
(MST) estão ameaçando-a de morte. "Eles conseguiram o número do meu celular e estão ligando. Eles me tacham de latifundiária, incompetente e dizem que vão acabar comigo", acusou.
A emoção e a revolta tomaram conta da filha e da neta da proprietária, já na chegada. As duas não se conformam com a destruição e o vandalismo cometido contra o patrimônio da família. Um filho da proprietária também compareceu e se emocionou ao ver os estragos. "Se minha avó ver o aconteceu com a fazenda, ela morre. Estamos contornando a situação para que ela não venha aqui ", explicou a neta.
A família considera que a invasão não foi só de propriedade. "Tivemos nossa integridade moral e psicológica agredida. Fomos invadidos e altamente prejudicados. A agressão foi violenta e deprimente. Assistimos os nossos bens sendo destruídos e não tivemos a assistência do Estado", afirmou.
A neta criticou a demora no cumprimento da ação de reintegração de posse. "A liminar saiu dia 24 de junho e só foi cumprida no dia 14 de julho. Neste período, os integrantes do movimento destruíram todo um patrimônio histórico. Ontem (anteontem), durante a desocupação, eles deixaram o local sem ser revistados. Furtaram inúmeros bens e eu quero saber quem é que vai se responsabilizar por isso", questionou.
A família Nasralla pretende entrar com uma ação.
"Não sei se contra o Estado ou contra o Itesp e Incra, que não atualizaram seus dados e forneceram informações sobre a fazenda ao MST. A fazenda Val de Palmas tem 180 alqueires,
é muito pequena para uma invasão ou assentamento de sem-terra", opinou.
A herdeira explica que a fazenda é produtiva. "Por nem um instante a fazenda Val de Palmas foi improdutiva", disse. Ela quer saber qual a intenção do Estado.
"O Estado pretende continuar defendendo os marginais e bandidos? Nós, que pagamos nossos impostos em dia, não temos direito algum? As invasões vão continuar acontecendo. Os que saíram daqui vão invadir uma fazenda na região de Jaú. E o Estado, o que vai fazer?", indagou.
Destruição
Na opinião da neta da proprietária, além de demorar para fazer desocupação, a polícia não fez revista na saída dos sem-terra. "Eles furtaram peças valiosas do casarão. Os móveis, que vieram da Alemanha, foram furtados ou destruídos", disse uma herdeira.
Os quadros, as fotos e os documentos da fazenda foram queimados.
"Eles rasgaram os quadros com faca. Um rádio-vitrola importado, que estava restaurada para o museu, foi cortado e quebrado. O que eles não levaram, fizeram questão de quebrar", disse.
O número de gado abatido durante o período em que os sem-terra ficaram na fazenda aumentou, segundo a herdeira.
"Nós fizemos um cálculo inicial de 80 cabeças. Hoje (ontem), quando chegamos aqui, constatamos que foram abatidos muito mais, cerca de 150. Seis reprodutores, avaliados em cerca de R$ 3 mil cada um foram mortos a tiros na cabeça e até com maus-tratos", afirmou.
A neta da dona da fazenda Val de Palmas ia transformar o casarão em um museu histórico. "Nós estávamos resgatando a história com o auxílio do Instituto Eufrásio de Toledo e de Maria Helena Cardia, de Agudos. Todos os móveis estavam sendo restaurados. O casarão ia virar um museu e a fazenda estava sendo estudada para o ecoturismo", contou.
Polícia promete rigor na apuração de danos contra Val de Palmas
O titular do 1º Distrito Policial, João Osinski, prometeu apurar as responsabilidades dos crimes cometidos pelos sem-terra na fazenda Val de Palmas. "Acompanhamos a Polícia Técnica e constatamos a destruição promovida. Foram nove casas, além de baias e outras construções; o abate de gado em grande quantidade, além de furto, danos e outras infrações", disse.
Segundo o delegado, já foi instaurado inquérito policial. "No transcorrer do inquérito vamos apurar os responsáveis pelos crimes cometidos e vamos imputar a eles todos os artigos que estiverem disponíveis no nosso Código Penal."
Preliminarmente, Osinski acha que os responsáveis poderão ser indiciados por furto, ameaça, danos e formação de bando ou quadrilha. Na opinião dele, não se trata de uma reivindicação social." O que se viu foi uma baderna, destruição e prática de terrorismo. Acreditamos que o Código Penal pode ser aplicado em todo o País, especialmente no Estado de São Paulo", ressaltou.