08 de julho de 2026
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Eleições

Redação
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Tucano iniciam eleições internas

Tucanos iniciam eleições internas

As divergências internas entre pelo menos dois grupos principais no diretório do PSDB de Bauru começa a se materializar com a formação de duas chapas para a disputa do comando do partido, em outubro. Apesar de tentar manter a discrição sobre suas discussões internas, os tucanos de ambos os lados já deram até nomes às chapas que concorrerão

à eleição do diretório no dia 17 de outubro. Começa mais um parto dolorido entre os tucanos.

A chapa que vai representar o grupo hoje hegemônico no partido foi batizada de "Chapa Tucana", tendo como articuladores o coordenador regional do PSDB e diretor regional da CDHU, Élio Busch, e os membros da executiva Paulo Canale e João Lourenço dos Santos Neto. O grupo antagônico, cujos "notáveis" são os três vereadores do partido - Rubens Spíndola, Toninho Garmes e Edmundo Albuquerque - vai lançar a chapa

"Novo PSDB".

No momento, a fase é de "caça às bases", com cada grupo procurando arregimentar a maior quantidade possível de militantes e filiados, já que a escolha do novo diretório se dará através de eleições diretas por parte dos filiados. Os próximos três meses e meio serão marcados por uma verdadeira campanha eleitoral no ninho. A não ser que haja uma composição em prol de uma chapa de consenso o que, pelo nível de beligerância verificado nas últimas semanas, parece pouco provável.

Um exemplo de quanto os ânimos estão acirrados é a sensação de boicote que o vereador Rubens Spíndola está tendo após não ter participado de uma reunião de diretório, que teria ocorrido no último sábado. Para Spíndola, só foram avisados a tempo os tucanos que interessavam. Realidade ou não, o fato ilustra e reforça o que foi dito no parágrafo acima.

Não são de hoje as divergências no diretório do PSDB. Elas ocorrem desde as últimas eleições de deputado e de prefeito, cujas sequelas alimentam broncas pessoais e sentimentos mais irados, ainda que, reiterando, os tucanos tentem ser discretos e tentem conviver com ressentimentos.

Nas referidas eleições, candidatos derrotados do partido para a Prefeitura ou Assembléia Legislativa nunca esconderam sua decepção com o que consideraram falta de apoio efetivo das lideranças tucanas, principalmente do então deputado Tuga Angerami.

Essa desavença maior, somada a outros fatores e circunstâncias que envolvem um partido político que inclusive está no Poder estadual e federal, gerou esses grupos hoje divergentes, o que não chega a ser um mal dentro de uma agremiação política, haja vista que o preceito da democracia sobre pluralidade de idéias vale, também, para a vida partidária, mas que pode causar prejuízos, dependendo dos rumos que a discussão poderá tomar. O exemplo negativo desse tipo de situação é o do PT local, que vive uma "guerra civil", protagonizada ferozmente por dois grupos.

Fiel da balança

E o atual presidente do partido, Carlos Ladeira, para que lado vai? Uma pergunta que é feita no ninho a cada capítulo da novela. Ladeira é um caso de unanimidade rara em um partido político. É admirado como um ícone tucano pelos dois grupos que hoje compõem o PSDB e, inclusive, por um virtual terceiro grupo, se é assim que podem ser classificados Natan Chaves e seu "grupo dos 500".

Desde há muito tempo, Ladeira sofre o assédio das lideranças de ambos os lados, mas tem conseguido, com a habilidade política que lhe é peculiar, manter-se na equidistante posição de mediador do partido o que, na prática, é o que tem evitado a deflagração de um combate de peito aberto.

Mais discreto e menos impulsivo do que há alguns anos, Ladeira tem história ao lado de Tuga Angerami, o maior desafeto da chapa "Novo PSDB". Ambos surgiram juntos no cenário político local, logo após a eleição para prefeito de 82, quando Tuga acabou assumindo após a morte de Gasparini, enfrentaram chuvas e trovoadas juntos e estão até hoje no mesmo barco.

Contudo, Ladeira também transita com desenvoltura entre os setores do partido que têm restrições a Tuga e entre os independentes, que não se alinham a nenhuma das facções. Por sua proximidade histórica com Tuga, comenta-se, nas esquinas do ninho, notadamente entre os que apostam em ter em Ladeira um aliado, que ele estaria em vias de dar um "grito de independência" em relação ao ex-deputado federal. Só o tempo dirá. Enquanto isso, ele vai ser o fiel da balança.

Divisor de águas

De qualquer forma, a eleição do diretório tucano em outubro será o grande divisor de águas do partido, mais importante até mesmo do que a convenção ou da prévia que vai decidir quem será o candidato dos tucanos a prefeito.

Na verdade, uma fato está ligado a outro. Se não houver composição, a chapa vencedora terá dado um passo decisivo às suas pretensões e idéias sobre a participação do PSDB na eleição do ano que vem. Tuga, pré-candidato manifesto do partido, tem a grande vantagem de ter uma densidade eleitoral reconhecida e ser, desde já, um dos favoritos na disputa, caso confirme seu nome no partido. Isso deve pesar muito junto aos candidatos a vereador que, para obterem bons resultados, precisam de um nome popular, que some muitos votos para a legenda.

Do outro lado, há toda uma bancada do partido na Câmara Municipal (3 vereadores), cujo poder de fogo em termos de mobilização interna ainda não foi, efetivamente, testado. Porém, são vereadores que estão entre os mais conceituados do Legislativo, por conta de suas posturas ao longo dos últimos anos. Até onde irão com o antituguismo, é uma bela incógnita, que vai ser decifrável somente com o decorrer da "campanha eleitoral interna no ninho, que já recebe, portanto, as primeiras bandeirolas promocionais das chapas.