Vítima de furto dorme no carro à espera de perícia
Vítima de furto dorme no carro à espera de perícia
Texto: Fábio Grellet
Piratininga - Um furto à residência onde mora José Adão dos Santos, 40 anos, na rua Félix Pola, centro de Piratininga, fez com que ele dormisse entre anteontem e ontem dentro de seu próprio carro, uma Marajó, em companhia de sua esposa e duas filhas, de 12 e 15 anos. Santos aguardava a polícia técnica, que faria a perícia no local do crime, e por isso foi orientado a mantê-lo intacto. Receosos de que, usando a casa como de hábito fazem, acabassem por destruir qualquer prova do furto, Santos e sua família preferiram ficar do lado de fora, entrando apenas para beber água ou usar o banheiro. Como a casa estava arrombada, não havia como fechá-la, e ela ficou aberta durante a madrugada. A família, portanto, ainda teve de permanecer atenta e se revezar na guarda da residência, para evitar um novo furto. Até as 18h30 de ontem, porém, nenhum perito esteve na casa furtada.
A polícia técnica, segundo a vítima, foi chamada na noite de anteontem, logo após o crime, mas não apareceu. Por isso, por volta de meio-dia de ontem, Santos foi novamente à Delegacia e, lá, foi novamente requisitada a presença da polícia técnica. Até as 18h30 de ontem, porém, nenhum perito esteve na casa de Santos, para colher eventuais provas do crime e subsidiar a Justiça, na busca dos criminosos.
Santos diz que foram roubados pelo menos R$ 600 em dinheiro, além de aparelhos eletrônicos, documentos e outros objetos que lhe pertenciam. Quando houve o furto, não havia ninguém na casa da vítima, que é funcionário público municipal. Sua mulher e as filhas trabalham em um carrinho de lanches, onde estiveram até o início da madrugada. Quando chegaram em casa, constataram o furto e chamaram a polícia. Foram realizadas buscas nas proximidades, mas nenhum suspeito foi preso. Os policiais, então, orientaram Santos a preservar o local do crime. A polícia civil lavrou um boletim de ocorrência e comunicou o caso ao Instituto de Criminalística de Bauru, solicitando a presença de um perito. Segundo o escrivão Flávio Ballalai, da delegacia de polícia de Piratininga, a vítima não foi impedida de dormir em sua casa, mas apenas orientada a preservar, dentro do possível, os locais onde a ação dos bandidos causou danos mais evidentes. Ballalai confirmou que, por volta do meio dia de ontem, requisitou novamente a presença de peritos na casa da vítima, e não soube explicar por que eles não foram até lá.
Falta de estrutura
Saulo Barcelos de Freitas, perito criminal do Instituto de Criminalística de Bauru, informou que a polícia técnica ainda não havia visitado a casa furtada em Piratininga, até as 18h30 de ontem, por falta de estrutura. Segundo ele, não há equipamentos e nem pessoal suficiente para permitir ao órgão prestar o serviço adequado: "Não há má-vontade. Tentamos fazer o serviço com o equipamento de que dispomos, mas é difícil".
Freitas disse que a polícia de Piratininga deveria avisar a vítima do furto sobre a eventual demora da perícia, que é cada vez mais comum. E ressaltou que a vítima deve preservar o local do crime só até a medida em que isso não prejudique sua vida particular. O perito informou também que cabe
à polícia permanecer no local do crime, aguardando a perícia. Mas, diante da demora que tem ocorrido nesses casos, reconhece que isso seria inviável, porque prejudicaria o serviço daquela instituição.
Freitas disse que quatro peritos se revezam nas atividades do Instituto de Criminalística. Há uma equipe, composta por um fotógrafo, um perito e um agente policial, para atender 18 cidades da região. Por isso, o serviço se acumula. Um exemplo: a perícia no aeroporto de Avaí, de onde foi furtado um avião na última quinta-feira, só foi realizada ontem à tarde. Ele destaca, também, que a equipe de perícia dispõe de dois veículos para se deslocar, mas um deles consome um litro de óleo por dia e outro está com a suspensão danificada. Só o primeiro, segundo ele, pode viajar a longas distâncias.
O perito criminal chefe do Instituto de Criminalística de Bauru, Francisco Flávio Figueroa, estava viajando e não foi encontrado para comentar a situação do Instituto de Criminalística e o caso ocorrido em Piratininga. Na noite de domingo, segundo o perito Freitas, estava de plantão um funcionário identificado apenas como Abimael - que, segundo ele, certamente não pôde ir a Piratininga porque estaria atendendo outras ocorrências.