SUS pára de internar em Bauru
SUS pára de internar em Bauru
Texto: Márcia Buzalaf
As internações, os raios X e a fisioterapia realizados através do Sistema Único de Saúde (SUS) em Bauru estão cancelados, a menos que o caso seja de urgência ou emergência. De acordo com o presidente da Associação Hospitalar de Bauru (AHB), Joseph Saab, o corte nos novos atendimentos foi feito porque a retenção de 10% no repasse feito pelo SUS está inviabilizando a manutenção do atendimento aos casos que não passam pelo Pronto Socorro. Todo mês, aproximadamente R$ 150 mil são retidos das verbas do SUS.
Os casos eletivos, considerados não-urgentes, estão sendo deixados de lado, como é o caso de hérnias e vesículas. Quem faz a avaliação da urgência dos casos são os médicos. Saab diz que existe possibilidade de remanejar alguns pacientes para outros hospitais da região, que atendem pelo SUS. "Todos os pacientes que entram pelo Pronto Socorro são operados, agora, os que vêm dos consultórios, aí é considerado eletivo, e tem que esperar", afirma.
Saab diz que a atenção principal do atendimento público está sendo dada para os que estão internados dentro dos hospitais. "Enquanto o doente não entra no hospital, a responsabilidade não é nossa. Agora, entrou, tem que ter remédio, tem que ter tudo", explica.
Os raios X também não estão sendo feitos se o caso não foi enquadrado como urgência e emergência. Saab diz que o preço das chapas subiu aproximadamente 70%, o que ajuda a inviabilizar os recursos vindos do governo. "Agora, só faz raio X quem tiver urgência ou emergência", afirma.
Para quem não se enquadra no atendimento do SUS, ou seja, não é avaliado como urgente, terá que pagar R$ 8,00 por chapa. "Não é pelo SUS, é particular, mas é 30% do valor normalmente pago em outros estabelecimentos que tiram raio X", explica.
A ala de fisioterapia também sofreu conseqüências negativas na retenção, que reduziu em 60% o atendimento aos pacientes. Dos 3,5 mil atendimentos mensais pelo SUS, estão sendo feitos aproximadamente 1,5 mil.
A manutenção dos outros atendimentos, segundo Saab, deve ser mantido de acordo com as condições financeiras da associação.
Na última semana, a justiça negou a liminar solicitada pela AHB para a liberação da verba retida desde o início de maio. Agora, a associação depende do julgamento do mérito, que não tem previsão de quando deve ser concluído.
Saab diz que até agosto, a retenção de 10% mensais concedida pela Justiça Federal foi de R$ 613 mil, o que é aproximadamente um mês e meio do faturamento do SUS. A dívida da AHB é em relação
à cota patronal do Instituto Nacional de Seguro Social
(INSS), que soma aproximadamente R$ 2,3 milhões.