08 de julho de 2026
Geral

Literatura

Redação
| Tempo de leitura: 3 min

Hemingway: o escritor dele mesmo

Hemingway: o escritor dele mesmo

Há exatamente cem anos, no dia 21 de julho de 1899, nascia Ernest Hemingway, o escritor que transportou para os livros suas paixões e aventuras

O escritor Ernest Hemingway, um dos grandes nomes da literatura neste século, completaria hoje 100 anos. Ganhador do prêmio Nobel em 51, Hemingway retratou com maestria a história da qual também foi protagonista. Foi combatente na I Guerra Mundial, ativista na Guerra Civil Espanhola, viajou pela Europa do entre-guerras, viveu em Cuba e no fim da vida fazia safáris pela África.

Hemingway pode ser considerado politicamente incorreto nos dias de hoje. Em grande parte por causa do machismo e da violência de algumas de suas obras, mas principalmente por seus hobbies, a caça e a pesca.

O legado deixado por Hemingway é, entretanto, maior do que estas questões. Além da importância dos fatos sobre os quais escreveu, o estilo é surpreendente, criativo e varia conforme a temática das histórias.

O autor não participou apenas de guerras, mas, também, da vida artística da Europa das vanguardas, em plena efervescência durante a década de 20.

Conviveu com Gertrude Stein, Ezra Pound, além de artistas plásticos surrealistas. Na biografia do artista catalão Joan Miró, consta que Hemingway o ensinou a lutar boxe, em troca de um quadro.

Na infância, Hemingway já demonstrava suas inclinações futuras. Ele gostava de ler e de passar os verões em uma casa de campo em Michigan, caçando e pescando. A família de classe média, o pai médico e a mãe professora de música, garantiu ao escritor uma vida confortável.

Começou a trabalhar como jornalista, aos 18 anos, em Kansas City. O momento da despedida de seu pai, que o acompanhou até a estação de trem, foi reproduzido em uma passagem do clássico "Por Quem os Sinos Dobram". O pai, assim como o autor, se suicidou.

A obra de Hemingway é, em parte, sua própria biografia. Ele escreveu sobre sua infância e juventude usando um alter-ego chamado Nick Adams, falou dos seus pais, do lugar onde nasceu Oak Park, Illinois, nos Estados Unidos, da sua convivência com os índios. Tudo isso nos seus primeiros livros. As primeiras histórias do autor, que foram publicadas na revista literária da escola que estudava, já exploravam a temática autobiográfica.

Foi para a guerra, primeiro no serviço francês de ambulância e depois para a Itália, onde foi ferido, recebendo por isso duas medalhas. As lembranças da guerra estão presentes em um dos seus mais famosos romances, "Adeus

às Armas". Com o fim da guerra foi para os Balcãs e Oriente Médio ser correspondente de jornais norte-americanos. Esta experiência serviu de inspiração para um de seus contos mais obscuros, "No Cais de Esmirna".

O reconhecimento de sua obra foi em 1954 quando ganhou o Nobel de literatura. Nesta época, vivia em Cuba, onde morou por 22 anos. Foi lá que escreveu sua obra-prima "O Velho e o Mar".

Em 56, após a ascensão de Fidel Castro, Hemingway teve que sair da ilha. Foi morar, então, em sua cidade natal, estava deprimido, tinha desfeito seu quarto casamento e o alcoolismo se agravara. O fim da sua história foi o suicídio. Em 61, Hemingway deu um tiro na própria cabeça com uma de suas armas de caça. Morria o escritor, se eternizava o personagem.

Livros editados em português

"Adeus às armas" editora Livros do Brasil

"Contos" vol.1 editora Civilização Brasileira

"Contos" vol.2 editora Civilização Brasileira

"Do Outro Lado do Rio" editora Civilização Brasileira

"Ilhas na Corrente" editora Livros do Brasil

"O Jardim do Éden" editora Europa América

"Paris é uma Festa" editora Civilização Brasileira

"A Quinta Coluna" editora Civilização Brasileira

"O Sol Também se Levanta" editora Civilização Brasileira

"Ter e Não Ter" editora Civilização Brasileira

"As Torrentes da Primavera" editora Livros do Brasil

"O Velho e o Mar" editora Civilização Brasileira

"O Verão Perigoso" editora Civilização Brasileira

"As Verdes Colinas da África" editora Livros do Brasil