08 de julho de 2026
Geral

Polícia Regional

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 4 min

Polícia pode ter diretoria regional

Polícia pode ter diretoria regional

Texto: Nélson Gonçalves

Novo delegado Regional, Álvaro Cardin, toma posse e comenta estudo para reestruturação da Polícia Civil no Interior

O novo delegado Regional da Polícia Civil em Bauru é

Álvaro Cardin, que já respondia interinamente pela função mesmo atuando em Marília. Em entrevista

à imprensa, ontem, o delegado comentou que os problemas da Polícia Civil na regional de Bauru são os mesmos de outras localidades: carência de estrutura operacional.

Álvaro Cardin recebeu a imprensa com uma postura diplomática, chamando os jornalistas de "colaboradores" do trabalho que pretende desenvolver. Comedido em alguns temas, como a crise enfrentada pelo comando anterior da Polícia Civil na região e o episódio que levou o ex-prefeito Izzo Filho à prisão, Álvaro Cardin acabou comentando a proposta difundida a partir do gabinete do Departamento do Interior (Deinter) que prevê a reestruturação das sedes regionais. A proposta caminhou de três diretorias da Polícia Civil no Interior para seis. Álvaro Cardin explica que, apesar de não ser oficial, a proposta englobaria a transformação das atuais 18 Delegacias Regionais em seis diretorias e Bauru seria uma das sedes.

O Jornal da Cidade lançou o tema, há cerca de dois meses, quando divulgou estudo no Deinter que previa a criação, em princípio, de três diretorias de polícia no Interior, suprimindo as regionais. A proposta inicial era de uma diretoria englobando o litoral paulista, com sede em Santos, outra no chamado baixo Tietê, em Sorocaba, e uma terceira em Campinas (no alto Tietê). A difusão dessa estrutura, entretanto, provocou reações pelo interior do Estado, sobretudo entre os municípios representativos e mais distantes da capital, como Presidente Prudente, Araçatuba, São José do Rio Preto e outros. Estes municípios seriam prejudicados com a eventual mudança, já que teriam sua sede administrativa da Polícia Civil ainda mais distantes do quadro operacional e ainda correriam o risco de perder as atuais Delegacias Regionais.

Apesar de enfatizar que o tema não é oficial, o delegado regional Álvaro Cardin confirma que o estudo caminhou para a proposta de seis diretorias da polícia no interior. Pelo estágio atual da reestruturação, as diretorias seriam sediadas em Campinas, Ribeirão Preto, Sorocaba, Santos, São José dos Campos e Bauru. "Nós não temos informações oficiais a respeito da reestruturação. Nós ouvimos várias manifestações, mas nenhuma oficial. Acredito que se permanecerem as regionais não haverá nenhuma mudança. Pode ocorrer a reestruturação do Deinter com a ampliação de seis diretorias departamentais. Aí Bauru seria agraciada com uma diretoria", comenta

Álvaro Cardin.

Pelo estudo, as atuais Delegacias Regionais (num total de 18) seriam correspondidas pelas diretorias regionais (num total de seis em todo o Interior). "Vai mudar bastante. Porque nós hoje, em cada Regional, temos um número determinado de Seccionais. Se nós tivermos diretorias regionais, essas diretorias vão abranger um número muito maior de regionais de polícia", fala Cardin. O novo delegado Regional de Bauru pega Bauru como exemplo e amplia que, sediando uma diretoria, o Município passaria a abranger "Marília, Presidente Prudente e Araçatuba", com todas as Seccionais hoje existentes. Marília, por exemplo, tem quatro Delegacias Seccionais que abrangem 51 municípios. A Regional de Bauru conta com três Seccionais que têm correspondência com 39 cidades.

A proposta viria para enxugar a atual estrutura administrativa da Polícia Civil. Se concretizada, a reestruturação terá diretorias regionais com abrangência muito maior, aumentando o número de Delegacias Seccionais e, por consequência, municípios que passariam a responder para um único diretor regional. A diretoria regional responderia diretamente ao gabinete do Departamento do Interior. Naturalmente o estudo pela reestruturação vai passar também pela discussão política entre os representantes das diferentes regiões do Estado. Articulações políticas ainda podem levar o número de seis diretorias a mais algumas. Ou até surgir uma corrente política que faça lobby contra a perda de status das atuais delegacias regionais. As conversações já circulam do Palácio dos Bandeirantes para o gabinete da Secretaria de Segurança Pública do Estado.

Para Álvaro Cardin, não haverá unificação das polícias Civil e Militar. "Não haverá unificação. Haverá um trabalho conjunto entre as duas polícias", comenta. O novo delegado Regional

é favorável à proposta da divisão operacional das cidades em mapas de atuação iguais para a Polícia Civil e Militar para "nós racionalizarmos os serviços e assim efetuá-los melhor. Quanto maior, mais diversificado o serviço será pior", cita. Hoje a cidade já é dividida em áreas de atuação na Polícia Civil, através dos Distritos, lembra Cardin. "A cada distrito corresponderia a uma companhia da Polícia Militar. O trabalho seria mais integrado e iria favorecer bastante a população", explica.

Sobre a estrutura da Delegacia Regional de Bauru, Álvaro Cardin diz que "os problemas de Bauru não são diferentes das outras regionais. Nós estamos passando por dificuldades, principalmente recursos humanos. Nesse campo nós precisaríamos de um socorro urgente para atender as necessidades momentâneas, principalmente escrivães de polícia e investigadores". Em relação às dificuldades também enfrentadas pela polícia técnica, mais em relação à estrutura de trabalho,

Álvaro Cardin lembrou que o setor deixou de ser subordinado

à Polícia Civil, a 1,5 anos, e passou a ser um departamento subordinado diretamente ao gabinete do secretário de Segurança Pública.