08 de julho de 2026
Geral

Aniversário de Agudos

Fábio Grellet
| Tempo de leitura: 14 min

Asfalto e projetos ousados são destaques

Asfalto e projetos ousados são destaques

Texto: Fábio Grellet

O prefeito de Agudos considera que a cidade tem superado as dificuldades e aposta em projetos com que pretende criar empregos e movimentar toda a região

Agudos - A cidade de Agudos completa hoje 101 anos de sua fundação. O atual prefeito da cidade, Afonso Barbosa Condi (PSDB), expôs, durante entrevista ao Jornal da Cidade, a situação em que Agudos se encontra atualmente. Ele avaliou sua administração, destacando as principais obras que desenvolveu, e comentou os problemas que a cidade enfrentou e as desavenças havidas entre os vereadores do município.

Um dos temas que Condi destacou foi a negociação com a Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo), que se tornou responsável pela distribuição de água e coleta e tratamento de esgoto em Agudos. Antes, essa responsabilidade cabia ao Serviço Autônomo de

Água e Esgoto (SAAE), mas a autarquia arrecadava apenas R$ 100 mil a cada mês e tinha uma dívida que ultrapassava R$ 1 milhão. Para evitar a evolução dessa dívida e garantir a prestação de serviços com qualidade, a Prefeitura transferiu para a Sabesp as responsabilidades que até então cabiam ao SAAE. Em troca, a Prefeitura tornou-se proprietária de um lote considerável de ações da Companhia, avaliadas, na ocasião em que o negócio foi firmado, em R$ 5,7 milhões. Cerca de metade dessas ações já foi vendida, permitindo ao município arrecadar R$ 4 milhões, segundo Condi. Portanto, diante da valorização que as ações obtiveram na Bolsa de Valores, na realidade, a quantia arrecadada pelo município pode ser muito maior

- até R$ 8 milhões, nas condições atuais.

Com o dinheiro arrecadado através da venda de ações, foram realizadas diversas obras - asfaltamento e construção de galerias são as principais. Não há previsão, porém, sobre a próxima venda de ações

- o momento de comercializá-las é definido por consultores que avaliam o potencial de valorização delas.

Além do contrato com a Sabesp, diversas obras foram desenvolvidas por Condi. Na área de infra-estrutura urbana, além dos milhares de metros de asfalto, foram construídas escolas, postos de saúde e muitas casas populares. Parte das obras desenvolvidas estão sendo inauguradas durante os meses de julho e agosto, como parte das comemorações do aniversário da cidade. Embora tenha pretendido atender a população nos mais diversos setores, Condi avalia que a ampliação do asfaltamento foi o destaque de sua administração, até agora. Até o Taperão, bairro que reúne a população mais carente da cidade, começou a ser urbanizado e ganhar ruas asfaltadas, coisa que há muito era cobrada das administrações municipais.

Mas não é apenas em razão de projetos de infra-estrutura básica que a administração de Afonso Condi tem se destacado. O prefeito também tem apostado em outros projetos, tão vultuosos quanto polêmicos. Um deles é a Incubadora de Empresas, que já foi adotada em outros municípios e funciona há alguns meses em Agudos. O objetivo é oferecer infra-estrutura para empresas que estão se consolidando no mercado. Durante dois anos, elas podem usufruir das vantagens de ocupar um espaço onde os custos são divididos entre as diversas indústrias, o que torna mais viável a atividade. Após esse período, a empresa tem que se mudar dali, passando a ocupar instalações próprias. Atualmente, já ocupam o espaço da Incubadora várias empresas de pequeno porte e duas de médio porte, a Causa&Efeito, que atua no setor de decoração e marketing, e a fábrica de móveis Delta. Cerca de 80 empregos já foram gerados, e a meta é alcançar 150, até o final deste ano.

Outro projeto polêmico é o Anhembi-Agudos. A proposta da Prefeitura era construir, na cidade, um centro de convenções semelhante ao existente em São Paulo, e para tanto foi assinada uma carta de intenções entre a entidade e a empresa, administrada pela Prefeitura de São Paulo, que é responsável pelo gerenciamento do Centro de Convenções do Anhembi. A Prefeitura de Agudos estava desenvolvendo um estudo para constatar a viabilidade do empreendimento, mas a empresa paulistana teve sua diretoria substituída, depois que surgiram suspeitas de fraude envolvendo a administração anterior, e os novos diretores, segundo Condi, estão reavaliando o projeto. De imediato, uma determinação deles impediu que o empreendimento de Agudos continuasse usando o logotipo criado para identificar o Anhembi paulistano. Mas Condi disse que ainda aguarda uma decisão favorável ao projeto que, segundo ele, traria muitas vantagens para toda a região.

As polêmicas em Agudos, porém, não se restringiram ao projeto do prefeito: os vereadores, há alguns meses, trocam acusações entre si e já houve até o afastamento de dois deles, alvos de Comissões que avaliam a cassação dos edis. Condi lamenta e admite que isso não é bom para a cidade. Ele considera que os problemas são criados por pessoas que não buscam beneficiar a população, mas apenas atingir objetivos políticos pessoais.

Durante a atual administração, além dos investimentos em novas obras, a Prefeitura também se preocupou em pagar parte da dívida que a entidade acumulava: eram R$ 10,8 milhões, segundo o prefeito, quando ele assumiu, no início de 1997. Atualmente, esse valor atinge R$ 5,5 milhões. A arrecadação anual da Prefeitura atinge R$ 13,5 milhões.

Mesmo diante das dificuldades, Condi demonstra confiança no futuro de Agudos, que considera promissor. Sobre a reeleição, embora argumente que ainda não pensa nisso, admite que

é "um soldado à disposição do partido" e que, se for o desejo de seus apoiadores, pode se candidatar novamente. Hoje, entretanto, é um dia reservado apenas às comemorações, e sua atenção está voltada para os eventos que marcam mais um aniversário da cidade. Afinal, Agudos está em festa!

Cronologia histórica

1855 a 1862 - Entre os anos de 1855 a 1862, algumas propriedades de Faustino Ribeiro da Silva são adquiridas de posseiros.

1862 - Agudos apresenta sinais de povoamento. A freguesia de Lençóis Paulista é separada da freguesia de Botucatu e a pequena localidade de Agudos é incluída como um dos "quarteirões" de Lençóis.

1862 a 1868 - Época em que a primeira capela de Agudos deve ter sido construída.

1880 - Devido ao crescimento do número de sitiantes que habilitavam a região, é criada a Freguesia do Espírito Santo de Fortaleza (Piatã). Mas Agudos, embora mais próxima de Fortaleza, estava sob a jurisdição eclesiástica e administrativa de Lençóis.

1881 - Em 30 de março de 1881, o vereador Caetano Alberto de Campos Mello, observando o desenvolvimento da região, prevê a necessidade de abrir caminhos entre uma localidade e outra e aponta "a necessidade extrema de se mandar fazer duas pontes" na estrada que seguia de Lençóis para Agudos.

1883 - Constata-se a existência de uma "Fazenda de Agudos", em cujas terras foi aberta uma estrada "causando danos nas lavouras por onde ela passa".

1887 - Aumenta a significação das estradas, tendo sido nomeados, em 28 de janeiro de 1887, "inspetores de caminhos".

1888 - Registra-se grande afluência de pequenos e grandes fazendeiros para a Serra dos Agudos, que se vai tornando um grande centro cafeeiro.

1889 - Em 28 de fevereiro de 1889, na seção da Câmara de Lençóis, é pedida a nomeação de uma comissão de vereadores para tratar de consertos e reparos na estrada que comunica Lençóis "com a importante Serra de Agudos".

1895 - O povoado de Agudos conta com pouco mais de 3.000 habitantes. O coronel Delfino Alexandrino de Oliveira Machado constrói a imponente e primeira residência rural, na Fazenda São João, de sua propriedade. Em 14 de novembro de 1895, o governo do Estado de São Paulo cria o Distrito Policial, "atendendo-se a uma necessidade do próprio progresso da localidade".

1896 - O tenente-coronel Cornélio Brantes Freire da Rocha, que teve grande atuação na política de Fortaleza, agora inspetor municipal, muda-se para Agudos, "atraído pelo maior futuro do lugar", do qual já se aproximava os trilhos da Estrada de Ferro Sorocabana.

1897 - O coronel Delfino pede a criação do Distrito de Paz para Agudos. O presidente do Estado de São Paulo, Manoel de Campos, promulga a lei número 514, de 2 de agosto de 1897, que cria um Distrito de Paz, no distrito policial de São Paulo dos Agudos, no município da Comarca de Lençóis. O coronel Delfino é eleito o primeiro juiz do Distrito de Paz de Agudos.

1898 - São criadas as primeiras escolas de Agudos, uma para sexo feminino e outra para o sexo masculino. Levando-se em consideração pedido feito por Faustino Ribeiro

é criada a Paróquia de São Paulo dos Agudos. O vice-presidente do Estado de São Paulo, Francisco de Assis Peixoto Gomide, promulga a lei número 543, de 27 de julho de 1898, que eleva à categoria de município o Distrito de Paz de São Paulo dos Agudos.

1899 - A Vila de São Paulo dos Agudos possui quarenta casas comerciais, sendo seis delas de primeira ordem. Em 20 de fevereiro de 1899, é instalada a primeira Câmara Municipal de São Paulo dos Agudos e eleito o primeiro prefeito municipal (intendente) Benedito Ottoni de Almeida Cardia. O coronel Delfino redige representação para que Agudos conquiste a Comarca. O presidente do Estado de São Paulo, coronel Fernando Prestes de Albuquerque, promulga a lei número 635, de 22 de julho de 1898, que transfere a Vila de São Paulo dos Agudos a sede da Comarca de Lençóis.

1900 - Em 6 de fevereiro de 1900, é criada a Comarca Eclesiástica de São Paulo dos Agudos, ficando jurisdicionada

à referida Comarca as Paróquias de Espírito Santo de Fortaleza (Piatã), Bauru e Pederneiras.

1903 - Aos 9 de junho de 1903, pela lei número 4,

é autorizada a instalação da iluminação a querosene no largo de São Paulo e ruas 13 de Maio e 7 de Setembro. Em 25 de setembro de 1903, os trilhos da Estrada de Ferro Sorocabana chegam a cidade.

1905 - Tem início as obras de construção da Igreja Matriz. O presidente do Estado de São Paulo, Jorge Tibiriçá, promulga a lei de número 975, de 20 de dezembro de 1905, que muda a denominação de São Paulo dos Agudos pela de Agudos.

1907 - Em junho de 1907, estavam quase concluídas as obras do novo cemitério. É lançada a primeira pedra da cadeia pública, na praça Tiradentes. Há na cidade seis escolas públicas, sendo três do sexo masculino e três do sexo feminino e duas escolas particulares. O comércio é próspero. As principais casas comerciais localizam-se nas ruas 13 de Maio e 7 de Setembro. Há pelo menos sete hotéis para todos os gostos. Bailes, filmes, espetáculos teatrais e circenses são realizados no salão Lisboa. A Banda Lyra Agudense alegra dominicalmente a cidade. Gabriel Rocha torna-se deputado estadual. É construído o prédio onde funciona hoje o Espaço Histórico Plínio Machado Cardia.

Significado e origem do nome de Agudos

Agudos, serra de São Paulo, Brasil. Grande serra entre os rios Tietê e Paranapanema são referência de dicionários a Agudos. João Mendes de Almeida, que durante anos dedicou-se à interpretação dos nomes dados pelos indígenas às localidades brasileiras e acidentes topográficos, no dicionário geográfico de sua autoria, cita vários morros e serras existentes no Estado de São Paulo com a mesma designação

(Agudo e Agudos) e conclui que "todos esses morros e serras têm as encostas íngremes ou a pique, formando extensos paredões".

Inicialmente, Agudos chamava-se São Paulo dos Agudos, por São Paulo ser o padroeiro da cidade e situar-se o município na serra do mesmo nome. Agudos também é conhecida por Princesa Industrial, Açucena da Serra e Terra da Cerveja.

Agudos produz 3% da cerveja brasileira

Três por cento da bebida alcoólica mais popular do País, a cerveja, é produzida em Agudos pela Companhia Cervejaria Brahma/Skol. A história da cervejaria remonta a setembro de 1951, quando a Companhia Paulista de Cervejas Vienense, com tecnologia e capital austríaco, instalou-se na cidade.

Três anos depois, em 1954, a Cia. Cervejaria Brahma assume o controle acionário da empresa. De fama nacional, a cerveja de Agudos é disputada em pontos de venda de todo o País. No ano passado, a Brahma/Skol investiu R$ 14 milhões na fábrica de Agudos para atender ao projeto de dobrar sua capacidade de produção até o ano 2000.

Uma floresta de 30 milhões de pinus

Em agosto de 1957, a Sociedade Agroflorestal Monte Alegre chegou a Agudos para transformar a região numa das maiores florestas de pinus do País. Um ano depois, em 1958, foi plantada a primeira quadra, com 87 mil pés da árvore, dando origem a atividade industrial do Grupo Freudenberg, de origem alemã.

Em 1988, a empresa é adquirida pelo Grupo Duratex S/A, proprietário hoje de uma das mais modernas fábricas de chapas de madeira do tipo MDF-Madefibra, especial para a utilização na indústria moveleira. Atualmente, a Duratex explora uma

área industrial de 350 mil metros quadrados e uma área florestal de 13 mil hectares com cerca de 30 milhões de

árvores do tipo pinus.

Fazendas centenárias exploram turismo rural

O Município de Agudos é privilegiado por uma paisagem exuberante formado pela serra do mesmo nome. As nascentes do rio Batalha estão em suas terras. Quedas d'água, riachos e sedes de fazendas centenárias começam a ser explorados pelo turismo rural, uma atividade comercial que deverá dar um novo impulso a cidade.

As fazendas São Benedito e São João e mais o sítio Sinhá Moça oferecem estrutura para hospedagem, como piscina, cavalos e muito verde para quem quer sentir o prazer de uma vida mais tranqüila junto a natureza.

Dados históricos

No ano de 1893, Faustino Ribeiro da Silva doa 33 hectares e 88 ares à igreja, onde foi construída a capela, sob a invocação do apóstolo São Paulo, daí o nome primitivo do povoado ser São Paulo dos Agudos. Em 27 de julho de 1898, o vice-presidente do Estado de São Paulo, Francisco de Assis Peixoto Gomide, promulga a Lei n.º 543, que eleva à categoria de Município o Distrito de Paz de São Paulo dos Agudos, e pela Lei n.º 975 de 20/12/1905 tem sua denominação alterada para Agudos.

O município localiza-se na zona de Botucatu, tendo seu ponto inicial na Serra dos Agudos, região centro-oeste do Estado de São Paulo, distando da capital cerca de 330 km e possuindo uma área de 956 km2 de relevo ondulado com elevações serranas. O clima é quente, com temperatura média de 26ºC, excelente bacia hidrográfica e altitude média de 604 metros acima do nível do mar.

Segundo o censo do IBGE de 1996, o Município contava com 31.797 habitantes, sendo 15.969 homens e 15.828 mulheres.

Possui um distrito denominado Domélia, com aproximadamente um mil habitantes a 70 km da sede da comarca.

Distante apenas 10 km da cidade de Bauru, Agudos conta com infra-estrutura básica de serviços, podendo assegurar comodidade e funcionalidade para os seus habitantes e investidores privados que aqui se instalam.

Um dos melhores locais do Estado para se viver

A energia elétrica é distribuída pela CPFL (Companhia Paulista de Força e Luz S/A) para cerca de 98% da população urbana e 60% da população rural. O saneamento básico, a partir de 1997, é de responsabilidade da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo S/A), que tem como meta atingir 100% da população urbana no que tange ao tratamento e distribuição de água e na coleta e tratamento de esgotos até o ano 2.000.

A telefonia possui uma demanda inferior a oferta de linhas, facilitando o acesso da população.

Agudos conta hoje, como principal via de acesso, a Rodovia Marechal Rondon (SP 300), que liga o Oeste do Estado à Capital, através da Rodovia Castelo Branco. É favorecido também pela proximidade a grandes centros regionais como Bauru, Jaú, Botucatu e por estar situada a apenas 35 km da Hidrovia Tietê-Paraná, via de acesso ao Mercosul.

A saúde pública conta com um hospital, 3 Postos de Saúde Municipais, mais um em construção, e diversas clínicas e consultórios de especialistas particulares.

A cidade possui 21 escolas, em sua maioria estaduais e municipais de pré, 1.º e 2.º graus, e transporte exclusivo para os universitários que estudam em Bauru. Além de 2 escolas em construção: uma unidade do SESI e a EMEI (Escola Municipal de Educação Infantil)

"Favinho de Mel".

Na agricultura, é predominante o cultivo da cana-de-açúcar, seguida pelo milho e a mandioca. Na pecuária destaca-se a criação de bovinos e avícolas.

Economia

O setor industrial é formado por micros e pequenos empresários, com destaque para 2 indústrias de projeção nacional, a Companhia Cervejaria Brahma-Skol, cuja cerveja é conhecida nacionalmente, e a Duratex S/A e Duraflora S/A, uma das maiores indústrias madeireiras do país. A Prefeitura Municipal, com o objetivo de desenvolver o setor industrial, oferece aos empresários investidores terrenos a baixo custo, terraplanagem, infra-estrutura e possível isenção de tributos municipais.

O setor comerciário é praticamente de produtos e serviços básicos, uma vez que a cidade está situada a poucos quilômetros de Bauru, centro comercial regional.

Na área esportiva, Agudos conta com 3 quadras poliesportivas, 3 campos de futebol e 1 ginásio poliesportivo coberto. Destaque para a equipe de voleibol juvenil feminino, que se sagrou campeã estadual de 1998.

Os problemas com deficit habitacional estão sendo melhorados com a construção de núcleos habitacionais e por mutirões, sistema usado atualmente em várias cidades.

Sendo uma típica cidade do interior, longe dos atribulados centros metropolitanos e agraciada pela exuberância natural, Agudos oferece aos novos empreendedores a expectativa do sucesso num dos melhores locais, do Estado de São Paulo, para se viver.