Supermercados e farmácias trabalham no limite
Supermercados e farmácias trabalham no limite
Texto: Luciano Augusto
Os supermercados e farmácias de Bauru, afirmaram ontem que, se o protesto dos caminhoneiros, que paralisou o transporte rodoviário em 14 Estados brasileiros na segunda-feira, pode causar desabastecimento já a partir de quinta-feira.
Algumas qualidades de frutas, que vinham em carregamentos de São Paulo, estão bloqueadas nas rodovias da região. Em relação aos medicamentos, os estoques das farmácias devem durar até o início da próxima semana.
"Temos certeza de que se esse problema (paralisação dos caminhoneiros) começar a atrasar as cargas, vamos ter desabastecimento", afirmou Álvaro Lima, 56 anos, proprietário da rede de farmácias Drogario. Ele explicou que grande parte das farmácias e drogarias trabalham com reposições quase que diárias dos estoques. E com os caminhões ficando preso nas estradas, o setor deverá ser afetado.
De acordo com ele, em uma semana, caso a situação não seja normalizada, o abastecimento de medicamentos fica prejudicado. Os medicamentos que mais giram são os que devem faltar num primeiro momento.
Para não sofrer todas as prováveis consequências do desabastecimento, Lima diz que já está se cercando de algumas precauções, como tentar abastecer com pouco mais de folga as lojas para que o consumidor não seja prejudicado. Isso, complementou, "é uma complicação" porque envolve maiores estoques e por conseqüência maiores investimentos para as empresas. "Dentre os mil problemas que o empresário tem, este é o milésimo primeiro".
O proprietário da rede de farmácias Droganova, Rui Pagano, 41 anos, também mostrou-se preocupado com os efeitos danosos da paralisação na reposição dos estoques.
Até ontem, ele não cogitava o problema do desabastecimento. Mas, "teoricamente, se à partir de amanhã não chegasse mercadoria, em 15 dias o ramo estaria num colapso total", avaliou. Um outro ponto destacado pelo empresário é que o setor de medicamentos é prioritário.
No setor supermercadista, a apreensão também é grande. Na rede de supermercados Mercosuper, o assistente de marketing Edmilson Belan, 32 anos, adiantou que, por enquanto, o abastecimento preocupa mais ainda não há falta de produtos.
Caso a paralisação dos caminhoneiros continuar até por mais de três ou quatro dias, haverá falta de produtos perecíveis, principalmente de hortifruti, como frutas (maças, pêras, entre outras). O próprio Mercosuper está com um caminhão carregado com frutas parado na rodovia Marechal Rondon, altura de São Manuel.
Já os produtos de primeira necessidade, como arroz e feijão, a possibilidade de desabastecimento é um pouco menor. As lojas trabalham com um estoque regulador suficiente para uma semana. Após este tempo, podem ocorrer faltas de alguns destes produtos.
A rede de supermercados Confiança também está com um caminhão, que vinha do Ceasa de São Paulo, carregado com frutas parado na rodovia Marechal Rondon, desde segunda-feira e, por isso, podem faltar algumas qualidades de fruta para hoje, afirmou o comprador de perecíveis e carnes, Pedro Sérgio Batista, 54 anos.
Em relação à carne, o problema é menor porque, segundo Batista, 90% do que é consumido é adquirido de um frigorífico de Bauru, o qual já sinalizou que possui um bom estoque. Sobre os gêneros de primeira necessidade, Batista garantiu que a rede tem estoque suficiente para 15 dias.
Mesmo assim, diz o comprador, "a situação é preocupante. Nossos governantes, autoridades e motoristas já poderiam ter conversado para tomar uma posição".
"Os preços não devem sentir nada porque o próprio consumidor é também um regulador de preços", analisou Batista.
Na rodovia Marechal Rondon ontem à tarde, alguns caminhoneiros tentavam furar os bloqueios utilizando estradas de terra que margeiam a rodovia.