08 de julho de 2026
Geral

Greve dos Caminhoneiros

Por Luciano Augusto | Eva Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

Ceagesp tem queda de 60% no abastecimento de hortifrutis

Ceagesp tem queda de 60% no abastecimento de hortifrutis

Texto: Luciano Augusto/Eva Rodrigues

Com o final do protesto dos caminhoneiros (eles ainda negociam com o Governo) o risco de desabastecimento desapareceu. Resta agora contabilizar os prejuízos. No entreposto do Ceasa/Ceagesp de Bauru, por exemplo, a paralisação interferiu em 60% no abastecimento de frutas, verduras e legumes. A consequência direta já pôde ser observada num aumento de preço que variou de 40% a 100%.

A representante dos permissionários, Cíntia Palombo Fonseca de Souza, contou que muitos itens estavam em falta, entre eles beterraba, repolho, couve-flor, tomate, melancia, abacaxi e maçã. "Com o término da paralisação os preços mais altos devem voltar ao normal", ponderou.

Além das verduras e frutas, outros segmentos também foram afetados. A feira de flores realizada no Ceasa/Ceagesp todas as terças-feiras sentiu a diminuição do movimento.

"40% dos produtores de flores não apareceram e já tinha começado a faltar flor nas floriculturas da cidade".

Movimento legítimo

Para Cíntia, o movimento dos caminhoneiros foi legítimo e necessário. "Eles pararam e o País parou. Apesar das perdas e prejuízos que a gente teve, há um contato com caminhoneiros diariamente e nós somos sensíveis ao problema que eles enfrentam. Essa paralisação foi necessária: nós já pagamos o IPVA com o qual eles deveriam manter as rodovias, mas elas continuam um caos; depois vem os pedágios que aumentaram sem necessidade; fora a falta de segurança com a qual eles convivem. Saem para viajar e não sabem se voltam."

Reabastecimento

Os postos de combustíveis, ontem, voltaram a receber combustíveis, mesmo aqueles que não se servem das linhas férreas para o transporte de gasolina, álcool e diesel.

No Posto Flag da avenida Nuno de Assis, a gerente Elisângela Monegatto Paz, disse que havia recebido combustíveis ontem

à tarde e que o abastecimento estava garantido até domingo, caso a paralisação tivesse continuidade. A situação era similar no Posto 7, da Texaco, na avenida Rodrigues Alves. Ontem, o posto recebeu 15 mil litros de combustíveis, suficientes para suprir a demanda do final de semana.

Os caminhões carregados com gás de cozinha (GLP), segundo o Sindicato das Empresas Revendedoras de Gás do Interior de São Paulo, também já estavam sendo liberados ontem do bloqueio em São Manuel. Ainda conforme o sindicato, 12 carretas com GLP deveriam chegar na madrugada desta sexta-feira à Bauru.

Em relação ao risco de falta de oxigênio e outros gases para hospitais e indústrias, a White Martins informou que o problema estava praticamente resolvido com o fim da greve dos caminhoneiros. Logo que a rodovia Marechal Rondon foi liberada, os hospitais já receberam os gases essenciais para o atendimento à população.

Nos supermercados, os carregamentos de hortifruti, carnes e perecíveis começaram a chegar no início da tarde de ontem. Na rede Mercosuper o gerente de marketing do grupo, Edmilson Belan, afastou a possibilidade de desabastecimento porque os estoques eram o bastante para o consumo até segunda-feira. Os prejuízos, segundo ele, foram relativamente poucos. Somente um carregamento de uva e caju que ficou bloqueado em São Manuel chegou impróprio para o consumo. No Confiança Max, da rede Confiança de supermercados, a saída foi recorrer aos produtores locais para garantir a variedade de produtos para os consumidores.