Incra vistoria Val de Palmas e S. Antônio
Incra vistoria Val de Palmas e S. Antônio
Texto: Ieda Rodrigues
Uma equipe do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) está vistoriando a Fazenda Santo Antônio, em Brasília Paulista, desde anteontem. Na Fazenda Val de Palmas, em Bauru, a vistoria começa na terça-feira. O superintendente-adjunto do Incra de São Paulo, Moyzes Schenker, disse acreditar que na região de Bauru existem áreas improdutivas e que poderão ser desapropriadas para reforma agrária.
Schenker ressaltou, no entanto, que não é possível adiantar, antes da conclusão da vistoria, se a Val de Palmas ou a Santo Antônio têm indícios de que são improdutivas. O tempo da vistoria depende das circunstâncias de cada área, mas demora, em média, dois meses, segundo o Incra. Além da Santo Antônio e Val de Palmas, outras fazendas estão sendo vistoriadas no Estado de São Paulo.
Ontem, Schenker e Gercino José da Silva Filho, ouvidor agrário nacional, visitaram Anhembi, cidade onde 1,2 mil famílias de sem-terra estão acampadas desde sábado. Schenker disse que o Incra está procurando, com urgência, uma área para transferir, provisoriamente, as 1,2 mil famílias de Anhembi e sem-terras acampamentos na região, inclusive os de Bauru, enquanto aguardam terra para assentamento.
Os sem-terra de Anhembi, na semana passada, quando foram despejados da Fazenda Boa Esperança, recusaram a área oferecida para acampamento provisório. Sobre se o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) aceitará transferir-se para essa
área, o superintendente-adjunto do Incra afirmou que "não
é questão de aceitar. É o que nós podemos fazer", disse.
O Incra, de acordo com Schenker e Silva Filho, está preocupado com os sem-terra na região de Bauru: a ocupação da cidade de Anhembi e as ocorrências na desocupação da Val de Palmas. O Estado de São Paulo, atualmente, tem cerca de 50 e, o Brasil, 500 acampamentos.
"Disque Terra Paz" quer evitar invasões
O "Disque Terra e Paz", um serviço que se propõe a ser uma linha direta entre os proprietários e o Incra, lançado pelo Ministério da Política Fundiária, quer evitar invasões de sem-terras e os conflitos no campo. O ouvidor agrário Gercino José da Silva Filho explicou que os fazendeiros, através do telefone 0800-787000, poderão informar, de imediato, o Incra que suas áreas estão sendo invadida.
A informação é enviada a Silva Filho, que comunicará a polícia, o Ministério Público e juízes, para que a invasão não se efetive. Se não for possível evitar a ocupação,
"pelo menos vai reduzir o tempo entre a invasão e a auditoria agrária, para evitar possíveis desrespeitos dos direitos humanos e sociais tanto dos ocupantes quanto dos proprietários", disse.