08 de julho de 2026
Geral

Aniversário de Bauru

Adriana Amorim
| Tempo de leitura: 40 min

Bauru - A Cidade do Futuro, o Futuro da Cidade

Bauru - A Cidade do Futuro, o Futuro da Cidade

O amanhã está sendo construído hoje

Bauru talvez tenha acumulado no período pós-centenário mais experiências e turbulências do que ao longo de décadas. De cidade que iniciou os anos 90 como a primeira no ranking para quem pretendia investir no Interior Brasileiro

à cidade que ganhou manchetes pelos mandos, desmandos e escândalos, a história foi intensa, dolorosa e desgastante. Com seus problemas localizados, resultantes da transformação e do desenvolvimento da própria urbe, viu-se a alternância de poder, mobilização e desmobilização de diferentes forças políticas, até o descaso, desinteresse e indiferença do cidadão sobre aqueles que comandariam os destinos públicos da Sem Limites, justificadas talvez pela necessidade premente de cada um em voltar sua atenção para sua própria sobrevivência, na base do salve-se quem puder e por já não mais se acreditar, de maneira genérica, nas instituições e nos homens públicos.

Em outros níveis, a cidade também vivenciou e sofreu com a grande mudança do País tentando, de forma traumática, se inserir no mundo globalizado, pagando para isso preços altíssimos em prazos curtíssimos, num cenário agravado pela voracidade e volatilidade do capital especulativo internacional. Some-se a tudo isso, o fim do século, a chegada do ano 2000, a cultura do apocalipse, a queda de mitos, a verdadeira criação da aldeia global, com acesso cada vez mais democratizado aos meios de comunicação tradicionais como rádio, TV e jornal, e aos interativos como a telefonia e a Internet.

Contrastando com a miséria e a violência, banalizadas por se intensificarem tanto, com altíssima freqüência e regularidade e se tornar rotina tanto na comunicação de massa, como na realidade, bem ali, na próxima esquina, as guerras étnicas ou religiosas, deflagradas pela ignorância conservadora e fomentadas por interesses do "novo" poder géo-mercadológico-tecnológico, teremos o mais completo, variado e indigesto cardápio da história da humanidade, num banquete único.

É mais do que nunca nesse momento, em que Bauru completa 103 anos, encerra o século e parte para o novo milênio, que devemos encarar os fatos, não apenas para constatá-los, mas para aproveitarmos todo esse aprendizado, posicionarmo-nos e decidirmos quais ações individuais e coletivas são necessárias para a transformação da cidade que temos na cidade que desejamos.

Com a missão de promover a cidadania democratizando o acesso a informação e com posicionamentos claros em todos os momentos da história contemporânea de Bauru, hoje inserida no contexto de cidade-líder na promoção do desenvolvimento vocacionado de toda a região central do Interior de São Paulo, o Jornal da Cidade, que trata quotidianamente da cobertura jornalística dos assuntos mais importantes da cidade, da região, do país e do mundo, oferecendo, simultaneamente, material para o conhecimento nas mais diversas áreas, tais como comportamento, cultura, ciência, economia, política, além de muitas outras, entende que, através do indivíduo se aprimora o coletivo, se melhora um país, as cidades e, consequentemente, o mundo.

Para isso, cada um de nós tem de tomar decisões, se posicionar e fazer o que de melhor puder dentro de sua área de atuação e possibilidades. É preciso refletir e agir.

Na edição temática de hoje mostramos os fatos, levantamos dados, pesquisamos junto a opinião pública, conhecemos expectativas e questionamos diversas lideranças, buscando uma radiografia completa da cidade, focando desde o aspecto imediato dos problemas de seus bairros, até a perspectiva de seus habitantes como cidadãos do mundo.

Com esse trabalho que oferecemos a você, prezado leitor, sobre "A Cidade do Futuro e o Futuro da Cidade", não tivemos a pretensão de esgotar o assunto e sim marcar o início de uma nova jornada, com questionamentos, encontros e debates que promoveremos de forma ampla com todos os setores da sociedade, por acreditar que se o passado nos serve de lição, por outro lado o amanhã está sendo construído hoje.

Indústria não deve servir como redenção

Bauru é uma cidade que caminha no rumo certo em direção ao desenvolvimento e possui as características de uma localidade que tem tudo para progredir. Isto é o que atesta a Fundação Seade, que acredita muito mais no poder do potencial histórico do comércio e da prestação de serviços da cidade que nas vantagens de um investimento em massa na industrialização.

O sociólogo e diretor de produção de dados da Seade, Luiz Henrique Proença Soares, explica que o desenvolvimento pode ser medido pelo equilíbrio entre três variáveis: as condições de vida, econômicas e de infra-estrutura produtiva. Segundo ele, Bauru preenche satisfatoriamente esses requisitos.

No que se refere às condições de vida, a Fundação cita um dos principais termômetros da qualidade de vida: o índice de mortalidade infantil

(que mede a quantidade de crianças de até um ano de idade mortas a cada 1.000 nascidos). No ano passado, era de 15,6, um número inferior ao registrado no Estado de São Paulo (que é de 18,7) e em países da América Latina, como Uruguai e Argentina.

O índice é importante fator na área social porque reflete as condições de saneamento, educação dos pais, habitação, saúde e renda. No caso de Bauru, ele é um indicador positivo tanto por ser menor que o do Estado, como por ter alcançado queda de 2,2 pontos em apenas um ano.

Para provar que Bauru possui uma economia dinâmica e boa qualidade estrutural no comércio e na indústria, a Seade mostra os dados da Pesquisa da Atividade Econômica Paulista (Paep), uma pesquisa feita no ano de 1996 em 24.000 empresas do Estado com o objetivo de medir o processo de modernização em todo o parque produtivo.

Comércio forte

De acordo com o estudo, a região de Bauru tem a terceira maior participação do valor adicionado (diferença entre o faturamento final e o valor gasto na compra dos produtos; determina a cota de repasse do ICMS para o Município) do Estado, ficando atrás da região de Campinas e metropolitana, respectivamente. "Isso atesta o papel importante de Bauru no abastecimento e articulação de toda uma rede de cidades", diz Soares. A pesquisa mostrou também que as empresas são modernas. Na região, 80% das pertencentes ao setor atacadista declararam utilizar computador, contra uma média estadual de 51,1%.

A modernização também chegou às indústrias. Sessenta e seis por cento utilizam computador, enquanto a média do Estado é de 55%. A maioria das empresas desse setor

é considerada nova: foram instaladas entre 1980 e 1996, com maior concentração no final dos anos 80 e início dos 90. São indústrias que mantém-se na média estadual quando a questão é introdução de novos produtos no mercado.

Segundo o sociólogo da Seade, os dados mostram que Bauru tem uma estrutura comercial e industrial que é moderna e importante do ponto de vista da utilização dos recursos da informática. "Isso denota uma economia que é dinâmica, que segue um bom caminho e tem muitas oportunidades novas de negócios".

Mais desenvolvimento

Luiz Henrique Soares ressalta que Bauru possui características favoráveis para o incremento da taxa de desenvolvimento:

é uma cidade universitária - por isso oferece mão-de-obra especializada -, apresenta boas condições sociais e urbanas, tem um parque econômico atualizado e produtivo, e encontra-se em um entroncamento rodo-hidro-ferroviário.

"Se juntarmos a isso o fato de Bauru ter uma estrutura industrial significativa e ao mesmo tempo ser um centro de prestação de serviços, dá para perceber que há inúmeras oportunidades a serem exploradas, principalmente no ponto de vista do comércio e serviços".

Soares diz que a industrialização não pode ser encarada como a redenção econômica de uma localidade. Isso porque houve mudanças na dinâmica produtiva e, hoje, para a instalação de um indústria

é preciso levar em consideração não apenas a geração de empregos, mas também os seus desdobramentos sociais.

"A indústria é importante porque puxa os processos de modernização, mas o importante é não ficar na postura dos anos 70 de atrair indústrias a qualquer custo", argumenta. O sociólogo acrescenta que é preciso ter uma certa densidade na produção industrial, desde que seja acompanhada pela qualidade. Ele cita o caso de Campinas, que seguiu os moldes de desenvolvimento da região metropolitana e hoje paga o preço da subabitação, dos problemas de saneamento e segurança pública.

"Bauru precisa se preparar, discutir com os vários segmentos da comunidade, qual a direção que se pretende dar à cidade", defende. "Mas não dá para esquecer que o País atravessa uma recessão e por isso não dá para montar uma ilha da fantasia".

Cidades da região atraem maioria dos investimentos

As perspectivas da Fundação Seade sobre Bauru são positivas e apontam para o potencial de desenvolvimento do Município. No entanto, dados do órgão mostram que os investidores preferem aplicar recursos em cidades da região.

Pesquisas feitas pela Seade revelam que, no período de 1995 a 1998, o Município de Bauru recebeu US$ 90,32 milhões em investimentos. O valor corresponde a apenas 0,13% do total de investimentos de US$ 70, 3 bilhões feitos em todo o Estado no mesmo período.

Nesses quatro anos, cinco empresas apostaram na cidade. O maior investimento foi feito pelo supercenter Wal Mart, que aplicou US$ 56,16 milhões. Em segundo fica a Tilibra, que gastou US$ 16 milhões na expansão da atividade em Bauru. Multicanal e Makro também apostaram em Bauru, expandindo as atividades através de investimento de US$ 13,88 milhões e US$ 1,28 milhões, respectivamente. A Cervejaria dos Monges também consta na relação da Seade, com US$ 3 milhões.

Os números são bem maiores quando se trata da região administrativa de Bauru. Os investimentos de Bauru se somam aos de Cabrália Paulista, Pederneiras, Lins, Guaiçara e Promissão e, no mesmo período de 95 a 98, totalizam US$ 427,3 milhões. O valor corresponde a 0,61% dos investimentos do Estado.

A socióloga da Seade, Cecília Comegno, diz que a maior concentração de investimentos nas cidades da região não significa que Bauru fica sem benefícios.

"Se é feito um investimento em Agudos, por exemplo, os impostos ficam lá, mas a riqueza criada é usada em Bauru, que é um centro de referência na região, tanto em serviços, como educacional e de hospitais", argumenta. "É preciso enxergar as coisas com uma raio de ação maior que o do município".

Bauru se dá nota 6,7 e elege prioridades

A edição-debate "Bauru - A Cidade do Futuro, o Futuro da Cidade" foi às ruas nos últimos dias 27, 28 e 29, através da Projeto Cidade, ouvir os maiores interessados e objetivo final nesta discussão: a população. Foram entrevistadas 480 pessoas, em amostragens estratificadas proporcionalmente, a partir das diferentes classes sociais e faixas etárias. Na média geral, uma das principais conclusões da pesquisa foi: o bauruense está relativamente satisfeito com a cidade onde vive. 43,2% se disseram satisfeitos e 35,5%, pouco satisfeitos, mas não insatisfeitos, que somaram 15,5% das amostragens.

Na pergunta número 2, os bauruenses também revelam uma aprovação comedida de alguns itens sociais básicos, como segurança pública (regular para 42,7%), educação

(boa para 42,5%), saúde (boa para 32,5%), limpeza urbana

(regular para 33,6%), transporte (bom para 50%) e áreas verdes (bom para 32,7%), num claro recado às autoridades sobre onde elas devem agir para melhorar as condições de vida dos moradores.

No mesmo questionamento, os entrevistados revelam menor grau de aprovação às apções de lazer e classificam a qualidade de vida na cidade de boa a regular (optaram por esses conceitos, respectivamente, 44,3% e 34,9%). O item vizinhança foi o que obteve melhor índice de aprovação, com 51,2% classificando a convivência diária como boa e 22,6% como muito boa.

Diante dessas constatações, o JC pediu que a população atribuísse uma nota à sua cidade, na pergunta 4. Apesar da frieza de um simples número, a média ponderada das notas ficou em 6,7, coerente com as conclusões acima, de uma satisfação crítica com as condições de vida em Bauru. A média das notas dadas pelas mais de 40 lideranças e representantes da comunidade ouvidos nesta edição especial ficou um pouco acima - 7,98.

Quanto ao futuro da cidade, opiniões expresadas na pergunta 3, os bauruenses são otimistas. A maioria, 34,7%, aposta em dias melhores. Em segundo lugar, com 23,1% do total, vêm aqueles que avaliam que o futuro será "um pouco melhor". O estrato mais otimista dos pesquisados, formado por 18% da população, prevê dias muito melhores. As opções pessimistas, juntas, somam apenas 10,5%.

As responsabilidades

Perguntados sobre quem, pela ordem de preferência, tem a responsabilidade pela resolução dos problemas públicos

(questão 5), os bauruenses elegem a Prefeitura como primeira, com 55,7%, vindo a seguir a Câmara Municipal, com 31,9%, e a Justiça, com 22,3%. Interessante observar que o Poder Judiciário, talvez pela intervenção decisiva recente em graves crises do Poder Executivo, aparece à frente das associações de moradores e do exercício da cidadania.

Quanto às suas aspirações para a virada do milênio, a população espera melhorar suas condições de vida em geral, sem destacar nada em particular como sendo mais crucial. Mesmo assim, melhores governantes lidera os itens específicos com 13,3% das opções. Prefeito aposta em vocação para o comércio e serviços

O prefeito Nilson Costa não acredita que o investimento na industrialização possa incrementar o desenvolvimento de Bauru. "Temos que esquecer essa idéia romântica de uma grande indústria", disse. Ele prefere seguir as tendências locais para a prestação de serviços e comércio como forma de gerar empregos e promover a riqueza de Bauru.

Jornal da Cidade - Que nota o senhor atribui ao município de Bauru? Por que?

Nilson Costa - Eu atribuo nota 9 porque eu quero muito bem essa cidade, é a cidade natal, dos meus filhos e netos.

É uma nota que eu dou, em grande parte, movido pelo carinho por Bauru. Em segundo lugar, pela qualidade de vida. Nós temos aqui boas escolas, um trânsito razoavelmente bom, uma saúde muito avançada. Bauru está se transformando em um centro médico de grande importância regional e até devido à qualidade dos profissionais e dos avanços tecnológicos. Há também o traçado de Bauru, que é uma cidade fácil para as pessoas se movimentarem de um lado para outro. Posso citar também a amistosidade do nosso povo. Por todos esses fatores eu acredito que a pessoa que mora aqui vive bem.

Jornal da Cidade - Mas essa nota não dá a impressão que existe quase nada a ser melhorado na cidade?

Costa - Diante de todos os problemas da atualidade, problemas mundiais e especialmente nacionais, eu acho que Bauru tem uma boa qualidade de vida em comparação a outras cidades brasileiras. Podemos pôr os defeitos porque nós vivemos aqui, vivendo com as qualidades e defeitos e, às vezes, podemos notar que alguém cobra demais o buraco em frente da sua casa, mas se esquece que foi cancelada a taxa de viação que nos proporcionava recursos para tapar os buracos. Essa pessoa que está criticando o buraco, às vezes não está percebendo os milhares de caminhões de terra que a Prefeitura está colocando nas grandes erosões.

É claro que há muito por avançar. Nós vemos hoje no Brasil muitos problemas gravíssimos de saúde, educação e criminalidade. Bauru não foge

à regra geral dos problemas que o Brasil vive, mas acredito até que em menor intensidade que as cidades de igual porte.

Jornal da Cidade - Já que o senhor tocou na questão da saúde, gostaria de falar sobre esse assunto. Nós vivemos uma crise na AHB, prontos-socorros lotados dentro de uma cidade que é considerada centro de referência nessa

área. Que tipo de expectativa o bauruense pode ter nesse sentido?

Nilson Costa - A gente percebe que há uma dificuldade imensa na área da saúde. Embora se tivesse criado o imposto do cheque, os recursos não foram totalmente destinados

à área da saúde. E Bauru não foge

à regra. Há os núcleos de saúde, o pronto-socorro central que enfrentam imensas dificuldades. Os hospitais públicos estão praticamente vivendo à própria sorte e o Município não pode respoder por isso, não temos a arrecadação suficiente.

Jornal da Cidade - Na sua opinião, qual é o setor mais problemático da cidade?

Nilson Costa - É a saúde porque o orçamento anual estará praticamente esgotado no final deste mês. Isso quer dizer que a verba do ano todo já foi empenhada dentro das necessidades da saúde e nós ainda temos pela frente mais cinco meses. Nós vamos ter que solucionar os problemas já sem recursos orçamentários. Outro problema é o da conservação da cidade. Bauru é um local de terreno arenoso e, por conseguinte, o solo é muito vulnerável. As chuvas causam grandes estragos e possuímos uma malha de asfalto que tem mais de 30 anos. Quase todo ele precisaria ser trocado e as administrações anteriores não cuidaram disso. Então, daqui por diante, nós temos que investir em pavimentação um percentual bastante elevado, responsabilidade que terá de ser assumida pelas outras administrações. Além de socorro as áreas partes já asfaltadas, nós temos que levar asfalto à área ainda em terra. E Bauru é uma cidade que se expande muito. Quando você chega em um determinado setor da periferia, já tem outro bairro surgindo ao lado.

Jornal da Cidade - Há uma questão criticada que

é o planejamento da cidade. Fala-se em crescimento desordenado. O que se pretende fazer nesse sentido?

Nilson Costa - Nós temos que cuidar de um novo plano diretor. A cidade necessita de seriedade nesse campo e isso é imperioso. Eu estou há menos de seis meses no cargo e não poderia socorrer os estragos de Bauru e ao mesmo tempo cuidar do planejamento. Estamos esperando uma pausa para colocar a casa em ordem e então cogitar o futuro. Isso é imprescindível, tanto que estamos contratando especialista da área técnica para tentar equacionar os problemas.

Jornal da Cidade - Na área econômica, eu gostaria de saber o que se pensa para o futuro da cidade, qual o rumo que ela deve tomar?

Nilson Costa - Aquela idéia de atrair grandes indústrias, empregando centenas de profissionais, está um tanto afastada pelo avanço tecnológico. Sabemos que elas não empregam diretamente mais que 300 ou 400 pessoas e ao mesmo tempo vemos tudo o que os governos oferecem para ter indústrias, sacrificando receitas e até a economia popular. Entendemos que Bauru vai conquistando uma infinidade de pequenas empresas. Por exemplo: nesse momento nós estamos em vias de ver concretizada a vinda do grupo Savoy, com investimentos que podem ser superiores a R$ 100 milhões. Estamos também em estudos para a implantação do Parque da Mônica e em vias, talvez, de ver reiniciada a obra do Maksoud. Haverá a inauguração da estação aduaneira que pode movimentar centenas de milhões de reais. Tudo isso representa um avanço muito grande para a cidade. Vamos nos esquecer da idéia da romântica de uma grande indústria. Até acho que, Bauru, por sua posição geográfica e pela capacidade técnica de sua mão-de-obra, pode receber uma grande indústria. A Prefeitura estará disposta a oferecer tudo o que for possível, mas não sacrificar a cidade para isso.

Jornal da Cidade - Quer dizer que o senhor aposta mais no futuro do setor terciário.

Nilson Costa - O volume de empregos que se cria aqui, de forma discreta, é muito grande. Uma pesquisa que trata do número de empregos de Bauru em comparação a São José do Rio Preto e Piracicaba, mostra que temos mais emprego que elas, mesmo considerando as vagas que nós perdemos com a supreção da Noroeste, da Fepasa e da Companhia Paulista de Força e Luz. Isso porque estamos vendo a multiplicação de empregos em pequenas empresas.

Jornal da Cidade - O que o bauruense pode esperar da cidade onde mora?

Nilson Costa - Pode esperar um futuro brilhante. Com a cooperação e parceria entre poder público, empresas e população, o futuro da cidade é brilhante. Muitas pessoas criticam o que perdemos mas ignoram aquilo que ganhamos. Eu acredito no dinamismo do nosso empresariado, confio na capacidade dos jovens que estão nas universidades. Isso tudo me leva a confiar em Bauru, naturalmente sem pretender esconder os graves problemas que temos pela frente, mas problemas que nós vamos equacionar com união e trabalho, e não com lamentações.

Para secretária, saúde deixa a UTI

A Secretaria Municipal de Saúde quer manter o contato direto com a população através de associações de moradores e dos conselhos gestores existentes nas unidades de saúde para definir as prioridades e atender as necessidades dos usuários da rede pública de saúde. Segundo a secretária Eliane Fetter Telles Nunes, essa é uma das saídas encontradas pelo órgão para driblar a falta de recursos e ao mesmo tempo satisfazer as necessidades da população.

Ela diz que a Secretaria trabalha otimizando os recursos e aplicando-os em áreas consideradas mais carentes. É priorizada a manutenção dos programas apontados como essenciais na 3ª Conferência Municipal de Saúde, realizada este ano. Entre eles estão os programas de hipertensão arterial, tuberculose, diabetes, aids, aleitamento materno e de saúde da mulher, que inclui a prevenção do câncer de mama e de colo de útero.

"Um secretário precisa ser um grande ouvidor e não um técnico com ideías mirabolantes", defende a secretária. "É através do contato com a população que podemos atender aquilo que realmente está em falta aos usuários e não aquilo que acreditamos ser o necessário".

Eliane diz esperar que esse perfil da atual secretaria seja mantido nas administrações posteriores para que sejam preservados, pelo menos, os programas prioritários. Os maiores desafios, no entanto, são deixar a saúde local livre da dependência com a iniciativa privada e da vontade política, além de implantar o atendimento preventivo. "A nossa preocupação

é que a saúde tenha um bom financiamento para que não entre em crise", explica a secretária.

Ocupando a pasta por menos de seis meses, Eliane acredita que conseguiu tirar a saúde local da Unidade de Tratamento Intensivo (UTI), mas a área ainda depende de investimentos para se manter. A secretária diz que a saúde pode receber nota 4, dois pontos a mais que no início da atual gestão municipal.

Ela ressalta que passos importantes foram dados. "Mas temos ainda muito o que fazer e que não foi concretizado por falta de financiamento", argumenta. Atualmente, a manutenção de medicamentos e médicos nos núcleos de saúde, principalmente nos prontos-socorros, é a prioridade número 1 da Secretaria. Embora atribua conceita 4 para a saúde local, Eliane dá nota 10 para Bauru.

Bauru no futuro

Reformas e ampliações de núcleos de saúde são necessárias para melhorar o atendimento à população. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, para que o serviço fosse ideal, seria também preciso construir novas unidades em bairros que ainda estão distantes dos núcleos. A prioridade iria para a edificação de mais uma unidade no Parque Jaraguá, onde houve um crescimento acentuado na demanda. O órgão acredita que seria necessário, ainda, expadir o Naps (núcleo de atendimento psicossocial) em outros pontos da cidade.

Maior repasse do Estado viabilizaria saúde local

A solução para a saúde pública local está nos recursos, ou seja, no maior repasse de verba do governo estadual para os municípios. Esta é a opinião do superintendente da Associação Hospitalar de Bauru

(AHB), Reinaldo Rocha. Ele salienta que a questão do custeio dos hospitais mantidos pela Associação inviabiliza a prestação dos serviços.

Atualmente, 65% das internações e 80% dos atendimentos ambulatoriais realizados pela AHB são via SUS. A prestação de serviços ambulatoriais ultrapassa o mínimo de 60% estipulados pela Secretária Estadual de Saúde.

"Para manter esse perfil de atendimento, a única solução

é o aumento dos repasses feitos pelo governo estadual, uma vez que os hospitais são do próprio Estado", argumenta Rocha.

Ele diz que, para suprir as necessidades, a AHB vem realizando parcerias, que viabilizaram alguns serviços, como a radioterapia. Para ele, a saída para a crise está na união do poder público com o empresariado. "A alternativa

é política e empresarial, mas para fazer as coisas

é preciso ir atrás, não esperar acontecer", defende Rocha.

O superintendente da AHB acrescenta que os problemas da saúde pública em Bauru também são reflexos das dificuldades financeiras enfrentadas pela Prefeitura Municipal. Médicos, principalmente os especializados, e medicamentos são oferecidos em quantidade insuficiente nos núcleos de saúde.

As falhas na saúde são um dos fatores que contribuem para que Rocha atribua nota 6 a Bauru. "Embora tenha condições de resolver 95% dos problemas, com assistência médica e equipamentos avançados, o maior problema está no SUS", diz. Para ele, a ausência de novas indústrias, o abandono das ruas, as obras paralisadas e o desemprego são questões que mostram a crise vivenciada pelo Município.

Rocha defende o que ele chama de "política mais arrojada" que viabilize a instalação de novas indústrias em Bauru. "A questão do emprego é fundamental porque, a partir do momento em que não há emprego, a qualidade de vida acaba", ressalta.

Bauru no futuro

Para conquistar a melhoria dos serviços prestados pelo sistema público de saúde em Bauru, a AHB acredita que existem três caminhos. Um deles, e talvez o mais difícil de ser conseguido, é o reajuste completo da tabela do Sistema

Único de Saúde (SUS). Outra alternativa apontada

é o repasse de verba estadual para a associação, que requisitou R$ 400 mil mensais para o custeio dos serviços. Uma terceira alternativa é a elaboração de um plano de saúde, que já vem sendo estudo pela AHB, para atender pacientes de baixa renda.

Associação Médica defende continuidade administrativa

A falta de sequência administrativa é o fator responsável por grande parte dos problemas enfrentados por Bauru, na opinião do presidente da regional local da Associação Paulista de Medicina, Carlos Alberto Monte Gobbo. Ele acredita que a interrupção nos projetos iniciados em uma gestão e não terminados pela subsequente, trouxeram consequência negativas para a cidade.

"Eu acho que a cidade tem que arranjar um meio de conviver com a democracia e com a alternância de poder", defende. Ele salienta que o problema da descontinuidade administrativa não é exclusividade de Bauru, mas que o problema se acentuou na cidade devido aos últimos 2 anos da administração Antonio Izzo Filho e à política adotada durante o governo Tidei de Lima. "Optou-se por grandes projetos que demandavam um potencial de investimento muito grande e não se foi capaz de concluir".

Os reflexos dos problemas de gerenciamento são apontados por Gobbo em áreas como a urbanização da cidade e a saúde. Ele exemplifica: a gestão Tuga Angerami trabalhou na expansão dos núcleos de saúde; Izzo Filho não deu sequência e Tidei de Lima apostou na instalação dos prontos-socorros. "Eu acho fundamental que a administração hoje fique mais comprometida a resolver esses problemas em âmbito municipal, trabalhando com coerência e dando continuidade aos projetos", defende.

Segundo o médico, a descontinuidade das gestões justifica a nota 8 atribuída a Bauru. Ele ressalta que há aspectos muito importantes que estão sendo resgatados, como o Conselho Municipal de Saúde. "Isso assegura, de certa forma, essa continuidade a qual estou falando e que talvez coloque a saúde nos eixos".

Bauru no futuro

A APM aposta na municipalização total da saúde. A entidade acredita que a situação da saúde pública local deve melhorar com a implantação da gestão plena devido ao gerenciamento local e definição no próprio Município das prioridades a ser atendidas.

A entidade cita também a necessidade de investimento, tanto do governo federal como estadual e municipal, para que se conquiste avanços na área de saúde. Ressalta ainda a importância do estabelecimento de um compromisso com um programa de saúde sem influência política.

Falta de planejamento para a Educação

Bauru não enfrenta problemas com a falta de vagas na rede estadual de ensino, mas encontra dificuldades para acomodar os estudantes em pontos da cidade considerados como críticos. São locais com grande densidade habitacional e em crescimento constante, que não possuem toda a infra-estrutura necessária para atender a população. Essa situação, segundo a Diretoria de Ensino de Bauru, é resultado da falta de planejamento da cidade.

"O crescimento não pode acontecer desordenadamente. Não basta as pessoas terem casa própria, mas não ter creches, núcleos de saúde, centros comunitários

à disposição", argumenta a dirigente de ensino, Edinéia Sitta Cucci. Regiões como as do Núcleo Mary Dota, Pousada da Esperança e Jardim Ouro Verde são os principais pontos críticos de Bauru com relação à educação, apresentando a quantidade insuficiente de vagas para a demanda da região.

A dirigente defende a instalação de equipamentos sociais como forma de evitar a marginalidade e colaborar para a formação de lideranças. "Tendo para onde ir e tendo as necessidades básicas atendidas, pode-se evitar muitos problemas", diz Edinéia. Ela acredita que o acesso aos direitos ajuda o jovem a se incluir na sociedade e seguir bons modelos de conduta, causando reflexos dentro da escola, como a queda da agressividade e da violência dos estudantes.

Mas a educação local não é baseada apenas em dificuldades. A Diretoria de Ensino diz que nos últimos anos houve a preocupação em transformar "a escola do fracasso na escola do sucesso", diminuindo as repetências e dando espaço, assim, aos estudantes mais carentes, geralmente as principais vítimas da repetência. "Enfatizamos também a escolarização como um todo, a formação do indivíduo".

Para o futuro de Bauru, ela espera que seja melhorado o atendimento na área social. "Muitas providências não exigem grandes investimentos, principalmente perto dos benefícios que elas proporcionam". O déficit no setor faz com que ela atribua nota 8 ao Município.

Município aposta em ensino exemplar

Cinco novas escolas de educação fundamental serão entregues em Bauru até o final da administração do prefeito Nilson Costa. A tentativa é de manter a qualidade do ensino oferecido pelo Município, que segundo a secretária Isabel Algodoal, é uma das melhores da região.

"Não é de agora que somos uma das melhores na educação como um todo, desde o ensino infatil até o universitário", frisa a secretária. Ela garante que as unidades da rede pública municipal possuem os equipamentos necessários, profissionais competentes, planos de ensino bem elaborados, além de receber assessoria de universidades locais que colaboram para o aperfeiçoamento das atividades.

Com a construção de novas unidades, a Secretaria pretende suprir a deficiência em alguns bairros da cidade. Duas licitações já estão iniciadas e devem ser concluídas ainda este ano. São referentes a escolas que serão instaladas no Núcleo Fortunato Rocha Lima e Jardim Nova Bauru.

Mas nem só de maravilhas é feita a rede pública municipal de educação. "O nosso maior desafio

é não deixar nenhuma criança fora da escola", diz Isabel. "É um desafio porque a população aumenta a cada ano".

A secretária diz que estão sendo feitas reformas e ampliações de algumas escolas municipais de educação infantil (Emei), mas há necessidade de melhoria das condições físicas e humanas de outras unidades, principalmente as localizadas na periferia. A intenção é que seja conseguido um padrão de qualidade em todas as escolas.

A Secretaria diz que as condições do ensino serão discutidas, provavelmente a partir de setembro, através do Conselho Municipal de Educação. O órgão foi reativado e, além de discutir a política educacional local, é uma exigência feita pelo MEC para que os projetos solicitados ao governo federal sejam atendidos.

Para Isabel Algodoal, Bauru merece nota 10. Bauruense nata, ela deixa claro sua preferência pela cidade e explica que o conceito não poderia ser diferente porque os problemas enfrentados pelo Município estão sendo solucionados.

Bauru no futuro

Os planos da Secretaria Municipal de Educação para os próprios anos incluem a entrega de cinco escolas de educação fundamental até o final da atual gestão. Concursos públicos devem ser realizados até o final deste ano para a contratação de professores na área de educação especial e para jovens e adultos a fim de suprir as necessidades atuais.

A Secretaria aguarda a aprovação de projetos enviados ao Ministério da Educação, o que deve acontecer até o final deste ano. Se confirmados, eles devem receber verbas que serão empregadas para capacitação de professores, manutenção da parte física das unidades e compra de material pedagógico para a educação infantil.

Política individualista prejudica luta coletiva

A luta pelo desenvolvimento da cidade e pela conquista de melhores condições de vida esbarra na política individualista praticada em Bauru. Na opinião da presidente do campus local da Universidade Estadual Paulista (Unesp), Cleide Santos Costa Biancardi, as conquistas coletivas estão sendo brecadas pelas richas pessoais entre vários segmentos da comunidade.

A professora afirma que as "picuinhas" envolvendo questões pessoais predominam tanto no poder público municipal como nas lutas sindicais e até nas associações de moradores. "Enquanto isso cidade vai se perdendo", argumenta. "É preciso parar com as brigas internas dentro dos partidos e os políticos realmente trabalharem pelo bem da comunidade".

A professora afirma que a atuação dos líderes políticos e de entidades locais não está satisfatória e que o bauruismo não atinge esses setores.

Além da questão política, Cleide diz que Bauru enfrenta atualmente problemas de infra-estrutura, com ruas esburacadas e locais públicos abandonados, e falhas na

área de saúde. Os três fatores fazem com que ela atribua nota 7 a Bauru.

A presidente do câmpus acredita que as universidades locais podem desempenhar papel fundamental na busca pela melhoria das condições da cidade através de parcerias com o poder público, empresas e entre as próprias instituições de ensino superior. Atualmente, a Unesp já presta apoio a órgãos da Prefeitura e atua também junto à comunidade em projetos desenvolvidos em várias disciplinas.

"Acredito que a parceria entre as universidades poderia incentivar a criação de atividades e colaborar muito na melhoria dos pontos mais problemáticos da cidade", afirma a professora. Cleide garante que a Unesp está aberta a parcerias que podem ser estabelecidas através de acordo com a comunidade.

Ela diz que a população deve ser beneficiada por outros projetos da Unesp partir deste ano. Estão sendo montados novos laboratórios que vão desenvolver linhas de pesquisa diferenciadas, como genética.

Bauru no futuro

Cursos sequenciais. Essa pode ser uma alternativa para a profissionalização e a melhoria do currículo dos bauruenses. A opinião

é da presidente do campus da Unesp em Bauru, Cleide Biancardi. Os cursos sequenciais são oferecidos pelas universidades, ministrados em cerca de dois anos e não são classificados como de terceiro grau. Eles foram viabilizados através da Lei de Diretrizes e Bases (LDB).

Cleide diz que as universidades, inclusive a Unesp, poderiam oferecer cursos nas áreas de maior demanda de mão-de-obra na cidade através de uma negociação entre as instituições de ensino, poder público e entidades, como Fiesp/Ciesp.

USC defende educação como meio de mudança

A educação é o instrumento defendido pela irmã Jacinta Turolo Garcia, reitora da Universidade do Sagrado Coração (USC), como a solução dos problemas locais. "É preciso pensar na formação das crianças para que elas cresçam com uma visão de participação e serviço", argumenta.

Dentro desse contexto, a USC procura desenvolver um trabalho que leva em consideração não apenas a formação dos estudantes, mas a vivência com a realidade local. Alunos de todos os cursos participam da disciplina Programas de Cidadania, crédito obrigatório que visa valorizar a formação do estudante e ao mesmo tempo suprir as necessidades de algumas

áreas mais críticas da cidade.

"Um dos papéis da universidade é esse: fazer com que o jovem perceba a realidade e se conscientize", ressalta a irmã Jacinta ao dizer que vários projetos são desenvolvidos pela universidade junto à comunidade. Ela acrescenta que a USC tem o propósito também de evangelizar e incentivar a cultura. "As artes são muito importantes na formação geral das pessoas, para o lazer e para suscitar novos talentos".

Fã incondicional de Bauru, irmã Jacinta atribui conceito 8 à cidade. "Essa nota eu dou com realismo e sem exageros", garante. Ela argumenta que o Município possui uma qualidade de vida superior a cidades do mesmo porte, o maior centro odontológico da América Latina, pessoas interessadas em buscar o desenvolvimento da cidade e uma população solidária.

"O povo bauruense é muito sensível quando se trata de ajudar o próximo, mas essa ajuda não é suficiente para resolver todos os problemas", afirma. Ela cita como problemas o acesso à saúde, à educação e o desemprego.

Acib diz que povo precisa se mobilizar

Esforço e mobilização. Essas são as palavras usadas pelo presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru, Cássio Carvalho, como fundamentais para que Bauru recupere a auto-estima e volte à fase de desenvolvimento. Ele diz que os conturbados fatos políticos enfrentados na cidade fizeram com que todos os setores da comunidade perdessem a mobilização e a força.

"Todos os sujeitos estão parados, tanto devido à fase difícil pela qual passa o País, como pela questão da política local", reforça. Carvalho defende que a população assuma o dever de colaborar pela construção da cidade. Ele considera que alguns setores da sociedade já estão se mobilizando para isso, aspecto citado por ele como positivo em Bauru, para o qual ele atribui nota 7.

Carvalho cita também os entraves causados pela atual política do governo federal como agravantes da situação local.

"Temos que ser conscientes porque sem as reformas o comércio não tem futuro: volta a inflação e a carga tributária acaba sendo ainda mais onerosa", afirma. Mesmo diante de um quadro nada satisfatório, Carvalho diz que vê com otimismo o futuro de Bauru. Ele espera melhorias na economia local com a instalação do megaempreendimento do grupo Savoy (que ainda está em estudos) devido à possibilidade de geração de empregos e aumento do dinheiro em circulação.

O presidente da Acib acredita ainda que a instalação dos órgãos municipais no prédio administrativo da ferrovia deve movimentar o centro da cidade e aumentar o fluxo de consumidores na área comercial. Carvalho considera importante também a revitalização do Centro para atrair o consumidor e critica a lei municipal que permite a realização de feiras livres, como as de roupas de inverno. "É preciso mais consciência dos políticos em relação a essa lei".

Sincomércio aposta na união público-privado

A união entre a iniciativa privada e o poder público

é encarada pelo Sindicato do Comércio Varejista

(Sincomércio) como uma das iniciativas recentes mais importantes da administração pública municipal e que deve auxiliar no desenvolvimento da cidade. O presidente da entidade, Wallace Sampaio, ressalta que essa possibilidade pode driblar a escassez de recursos do setor público.

Para Sampaio, a parceria pode ser a saída sem que seja necessário cobrar mais tributos da população.

"Enfrentamos uma exaustão fiscal e não há mais como tirar mais dinheiro da população", ressalta. "Por isso o governo depende de um setor mais forte e capitalizado para poder usufruir".

O presidente do Sindicato acredita que os primeiros passos já foram dados. Ele cita o caso da revitalização do centro da cidade, que une as forças de comerciantes e órgãos públicos municipais, e as discussões em torno do turismo na cidade.

Para Wallace, Bauru pode crescer apostando nas parcerias e no setor de serviços, que ele define como a vocação da cidade. "As indústrias devem ser buscadas como uma atividade complementar e não como uma obsessão", afirma. "Temos que ter consciência de que o setor terciário

é a nossa vocação, com o comércio como área exponencial".

Ele acredita que educação e saúde, setores que tornam Bauru um ponto de referência, podem ser ainda mais incrementados. Não dispensa, no entanto, a integração do Município com as cidades da região como fator fundamental para a manutenção da qualidade de vida local e o desenvolvimento sustentado.

Para Bauru, Wallace atribui nota 10. Ele diz que os problemas vividos atualmente pela cidade são conjunturais e o conceito reflete a luta pela melhoria e o potencial a ser desenvolvido.

Bauru no futuro

O Sindicato do Comércio Varejista acredita que o fortalecimento de entidades representativas da comunidade junto ao governo municipal pode auxiliar na definição de metas e prioridades a serem seguidas. O presidente da entidade, Wallace Sampaio, cita o caso dos Conselhos, que reúnem representantes da população, setores específicos da cidade e poder público.

Cafeo sugere adoção de estratégias para o futuro

A ausência de um planejamento que determine os rumos da economia local é, para o economista Reinaldo Cafeo, um dos maiores problemas da cidade. Ele defende a adoção do que ele chama de "ações estratégicas" em torno de um objetivo único.

"O que me preocupa é a falta de planejamento porque o que eu vejo são ações isoladas, mas não um porto seguro", argumenta. Cafeo diz que o ritmo de desenvolvimento da cidade foi quebrado nos últimos 2 anos e o planejamento ficou em segundo plano, comprometendo inclusive a qualidade de vida. Baseado nessa situação, ele atribui nota 6 para a Bauru atual, que ele acredita estar em fase de transição.

"Agora, é preciso saber onde se quer chegar para que seja possível criar ações e envolver as entidades organizadas nessa luta", defende. O economista não vê melhor possibilidade de se alcançar novamente uma economia em crescimento senão no investimento no setor que Bauru tradicionalmente vem explorando: o setor terciário.

Oitenta e oito por cento das empresas locais estão enquadradas nesse tipo de atividade, acompanhando o perfil de todo o Estado. Cafeo ressalta que a tendência brasileira aponta para o crescimento desse setor. "Se nós já temos isso muito bem estruturado e a tendência é de valorização dessa área, nada melhor do que explorarmos", diz.

"É melhor ter uma economia pulverizada do que apostar nas grandes indústrias".

Para que o potencial do setor terciário seja aproveitado, Cafeo defende, em primeiro lugar, uma política que determine os rumos do desenvolvimento. Acredita também na atuação em conjunto das secretarias municipais, entidades organizadas e universidades. "Os universitários podem ajudar a cidade a trilhar seu caminho, mas é preciso também criar formas para atrair esses estudantes".

CDL vê na indústria saída para comércio

A instalação de novas indústrias em Bauru poderia recuperar parte das perdas do comércio. O presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), Orlando Burgo, argumenta que um parque industrial desenvolvido gera vagas no mercado de trabalho, diminiu os índices de desemprego e assim recupera o poder de compra dos consumidores.

Atualmente, o comércio local vive a crise que não

é apenas da economia local. Recessão e desemprego tiram os consumidores das lojas. O presidente da CDL, no entanto, acredita que o problema pode ser amenizado com providências tomadas em âmbito municipal.

Ele reforça que o comércio é responsável por 63% da arrecadação do Município, índice que expressa a importância da atividade. Em tempos de crise, as lojas apostam principalmente nos funcionários públicos e consumidores de cidades da região, que são responsáveis por cerca de 40% das compras. Burgo diz que, além de depender de medidas econômicas nacionais e auxílio municipal, cada lojista precisa modernizar o estabelecimento e trabalhar com produtos que tenham boa saída.

Burgo aposta também na revitalização do Calçadão.

"Isso é imprescindível e urgente", afirma. Ele explica que os estudos estão sendo realizados, mas os resultados só devem aparecer daqui há 4 ou 5 anos.

Sem entrar na questão do comércio, Burgo cita os problemas atuais da cidade, como falta de fiscalização da Prefeitura nas lojas e atividades do Calçadão e diz que a cidade foi abandonada nas últimas gestões administrativas. Mesmo acreditando no potencial de recuperação do Município, ele atribui nota 6 para a Bauru atual.

Said defende incentivo a estrutura já existente

O economista Said Yusuf não prega a instalação de grandes indústrias e nem idéias mirabolantes para o futuro da cidade. Para ele, a saída para o desenvolvimento de Bauru está no incentivo à indústria, comércio e serviços já instalados no Município, que na sua opinião estão atrasados cerca de 20 anos.

Yusuf diz que não houve investimento do setor público nas atividades econômicas do Município devido a más administrações que não souberam conduzir os recursos públicos. "Nos anos 70, foi priorizada a infra-estrutura; nos anos 80 foi a vez do social e nos anos 90 estamos vivendo as consequências de não se ter distribuído melhor as ações nos dois conjuntos".

A situação do comércio e indústria locais são usados como argumento pelo economista. Ele diz que o setor industrial poderia ter avançado através da instalação de pequenas e médias empresas. No entanto, não foi o aconteceu, tanto que o distrito industrial 3 não foi ocupado. "O mesmo acontece no comércio, que poderia ter tido um salto bem maior".

Yusuf afirma que novas empresas são importantes, mas o ideal é investir na estrutura que a cidade já possui, interligando os setores da economia. "É preciso incentivar os setores que estão em andamento e outros com potencial de ser explorados, interligando os setores para dinamizar todo o processo". Ele cita um exemplo: já que um dos fortes do comércio local é a área de confecções, seria indicado facilitar a instalação de pequenas indústrias do ramo têxtil.

O economista vê com otimismo o futuro da cidade devido às características da cidade, mas ressalta que é necessário que se pense no crescimento ordenado do Município a fim de que a qualidade de vida não seja prejudicada. No entanto, afirma que não foram traçadas metas para o desenvolvimento da cidade, o que pode atrapalhar o crescimento. "Ainda estamos desorientados e eu vejo que as ações para o futuro não estão claras". Levando em consideração todos esses aspectos, ele dá nota 5 para a cidade.

Diretor da ITE prega política para a região

O diretor da Faculdade de Administração da Instituição Toledo de Ensino (ITE), Pedro Grava Zanotelli, acredita que uma política de desenvolvimento da região de Bauru, e não apenas do Município, pode trazer mais benefícios para a cidade. "É preciso uma política que auxilie as cidades próximas e as melhorias sejam comemoradas, não lamentadas", acrescenta.

O professor diz que essa é a saída para que Bauru conquiste um desenvolvimento ordenado, onde a qualidade de vida siga o mesmo ritmo do crescimento da cidade. Com o incentivo ao desenvolvimento da região, Zanotelli acredita que a população seria atraída a morar nas cidades vizinhas e Bauru teria condições de oferecer sua estrutura para esses moradores.

"Com a distribuição pela região, Bauru poderia investir na prestação de serviços e comércio, servindo como centro de referência", argumenta.

O diretor da Faculdade de Administração cita as consequências do crescimento desordenado, como a falta de estacionamento no centro da cidade e o caos no trânsito. Entre problemas, Zanotelli ressalta também as vantagens de Bauru, como as boas condições de vida, para atribui nota 8 à cidade.

Para o futuro, ele aposta na economia diversificada como trunfo para um desenvolvimento sustentado. "Bauru nunca foi uma cidade que apresentou um boom de crescimento, mas também nunca esteve em crise. É nesse crescimento sem muita explosão que eu defendo para que não passemos por uma fase de recessão".

Turismo é o grande filão, diz Rufino

Turismo. Essa é uma das maiores vocações de Bauru na opinião do secretário do Desenvolvimento Econômico, Roberto Rufino. A posição geográfica privilegiada (Bauru localiza-se no centro do Estado), a abertura para o desenvolvimento, a vida noturna, as áreas de lazer como o Zoológico Municipal e o Jardim Botânico, a preocupação com a preservação do patrimônio histórico e as riquezas da região num raio de 100 quilômetros, onde se pode usufruir das belezas de Barra Bonita e Brotas, dos bordados de Ibitinga e das águas de Piratininga e Águas de Santa Bárbara, figuram como altas potencialidades dessa cidade que "sabe como ninguém acolher seus visitantes", na sua opinião.

"A gente costuma brincar que quem bebe a água de Bauru não sai mais daqui", ressaltou Rufino. "Principalmente agora, que estamos à porta de receber diversos investimentos no projeto de implantação do turismo regional, do gasoduto, a instalação de uma estação aduaneira, a revigoração do Recinto Mello Moraes, dentre outras melhorias", completou.

O secretário apontou como negativo o fato de faltar dinheiro para investimentos mais ousados. "Uma cidade com 330 mil habitantes não deveria fazer somente o que é prioritário. Bauru é uma cidade que sonha em ser metrópole e para isso precisa de obras viárias, urbanas, avenidas, viadutos, aeroporto (essa, essencial), enfim, precisa de progresso. Consolidando-se a restauração moral e financeira que já teve início, a cidade terá condições de mostrar sua pujança como uma das grandes e principais cidades do interior. Galgando novos degraus do progresso é que ela poderá consolidar sua liderança regional".

O bauruense de nascimento e coração não hesitou em dar nota dez para o momento atual da cidade. "Novos rumos estão sendo estabelecidos por essa administração em todos os seus setores, pela integridade de propósitos e uma intenção real de repensar Bauru. A cidade esteve mergulhada em sérios problemas, mas hoje se encontra num caminho que pode trazer um futuro brilhante. Acredito numa cidade melhor, à medida que seus problemas vão sendo resolvidos, mesmo que parcialmente".

As dificuldades geradas pelo plano econômico nacional podem ser dribladas através da participação de todos. "Mobilização é a palavra mágica, a partir dela as coisas acontecem. Bauru tem de tornar-se uma verdadeira mesa-redonda, em que todos pensem de uma mesma maneira visando seu crescimento, independentemente das divergências pessoais ou partidárias. É da união de todos que se consegue o objetivo e, com o objetivo, os resultados", filosofou. (AR)