07 de julho de 2026
Geral

Construção Civil

Luciano Augusto
| Tempo de leitura: 4 min

Novas tecnoligias devem mudar a construção civil brasileira

Novas tecnologias irão mudar a construção civil brasileira Texto: Luciano Augusto

A contemporaneidade, ainda que tenha acirrado a competição entre empresas, trouxe também armas que podem e deverão ser usadas por estas mesmas empresas para permanecerem mais ativas no mercado. Relativamente pouco conhecidas no Brasil, essas armas, nos próximos 10 anos, irão revolucionar a indústria da construção civil brasileira.

Um seminário, na última quinta-feira, organizado pela 3M do Brasil, no Sindicato do Comércio Varejista (SinComércio), aproximou os empresários, construtores, engenheiros e arquitetos das novas tendências mundiais no que diz respeito à maximização do tempo de construção, utilizando novas tecnologias. Chamado de "A Obra Produtiva", o programa discutiu alguns conceitos e estabeleceu comparações relacionadas

à produtividade da indústria da construção brasileira com a produtividade dos países mais desenvolvidos e colocou o empresariado bauruense em alerta.

De acordo com Alexandre Moraes, 28 anos, especialista de marketing da 3M do Brasil, cerca de 80% dos produtos e dos processos que vão estar sendo utilizados na construção daqui a 10 anos ainda não existem no Brasil. "Isso dá uma idéia do tamanho da transformação que o mercado da construção brasileiro vai sofrer neste período", complementou.

As vantagens destes novos processos surgem quando se analisa empresas nacionais que já utilizam estes novos processos. Conforme Moraes, quando se equacionam os custos de produção somando produtos, equipamentos e mão-de-obra, de uma forma geral, os ganhos são muito compensadores. Quando se adota este novo processo em substituição ao processo antigo, o empresário, num primeiro momento, precisa investir alguma coisa em tecnologia e em equipamentos que ainda não dispunha. Com um trabalhador bem treinado na utilização dos novos equipamentos ou de um novo processo, destaca o especialista de marketing, "essa nova tecnologia acaba trazendo um ganho de produtividade tão grande que a componente custo de mão-de-obra, se reduz numa proporção muito maior do que se aumenta o custo com a aquisição de novos produtos".

Estudos revelam que em 1990, o custo de mão-de-obra representava cerca de 30% do custo total do processo de construção no Brasil. Hoje, os dados de 1998 dão conta de que a mão-de-obra representa 50% deste custo.

Uma das etapas do seminário foi o confronto de alguns processos tradicionais já bastante difundidos com algumas alternativas de processos que existem hoje na construção e já são utilizados em outros países.

Por exemplo, hoje no Brasil, a pintura de casas e apartamentos é feita quase que em sua totalidade através de rolo e pincel. Em outros países, com a utilização da pintura em spray, uma empresa ou um pintor consegue ser até 10 vezes mais rápido. Enquanto um bom pintor, com rolo e pincel consegue cobrir, no máximo, de 300 a 350 metros quadrados por dia, utilizando esta nova tecnologia de spray, esse mesmo pintor conseguiria pintar de 3.000 a 3.500 metros quadrados por dia.

Com a incorporação dessa tecnologia no dia-a-dia da empresa, ela consegue ser muito mais produtiva e obter muito mais ganhos com o custo de mão-de-obra, trazendo vantagens que podem ser repassadas para o preço que pratica. Como diz Moraes, "ou trabalha com preços mais competitivos ou tem uma margem de lucro maior em função desta vantagem competitiva com a nova tecnologia".

Outro exemplo diz respeito à proteção de janelas, portas e pisos contra os respingos no momento da pintura. A técnica tradicional é a utilização de jornal para fazer esta proteção das superfícies, que consome muito tempo do pintor ou da empresa.

No mercado já existe a alternativa de um novo sistema de proteção, composto por um filme mais um equipamento de aplicação desse filme. Nas medições e testes em obras feitas pela 3M, esse novo sistema consegue ser até sete vezes mais rápido do que o uso do jornal. "Num prédio isso passa a ser extremamente significativo para a empresa", lembra o representante da 3M.

Na avaliação de Alexandre Moraes, o interesse por novas tecnologias da construção começa a chamar a atenção do empresariado brasileiro. Ele analisa que, como em qualquer outro mercado, encontra-se a seguinte situação: as empresas que são mais visionárias que as outras, já estão vislumbrando um ambiente competitivo muito forte. Então, procuram alternativas para se tornarem mais competitivas, representados por esses novos processos. Mesmo porque, continua, "esta vai ser a saída que todos deverão adotar, porque vai ser um processo de seleção natural. Com globalização e trocas de informação muito rápidas é muito fácil uma empresa estrangeira chegar no Brasil muito mais competitiva ou uma empresa brasileira mais visionária ir até outro lugar e trazer esta nova tecnologia".

Moraes afirma ainda que os novos processos não representam grandes custos adicionais para a empresa. Este custo deve ser encarado, segundo ele, como uma vantagem competitiva para a empresa se diferenciar no mercado e se tornar mais lucrativa, mais produtiva e satisfazer melhor seus clientes.