Vereador questiona projeto do tratamento do esgoto
Vereador questiona projeto do tratamento do esgoto
Texto: Josefa Cunha
O vereador João Parreira de Miranda (PMDB) levantou na sessão de ontem questionamento sobre o projeto encomendado pelo Departamento de Água e Esgoto (DAE) para o sistema de tratamento do esgoto do município. O serviço está a cargo da Companhia Paulista de Desenvolvimento (CPD) e, segundo a autarquia, não será custeado pelos cofres públicos. O parlamentar, entretanto, suspeita da não-cobrança por parte da empresa e encaminhou requerimento solicitando informações à Prefeitura.
Parreira quer saber oficialmente se o projeto encomendado será realmente gratuito e se o DAE pretende aproveitar o projeto que foi formulado na gestão Tidei de Lima. O tratamento do esgoto foi discutido no governo do peemedebista e chegou a ser oferecido à licitação pública na administração Izzo Filho. "Por que o projeto que havia não foi aproveitado? Era inadequado ou tecnicamente indesejado? Esse estudo que está sendo feito agora leva em conta a proposta anterior?", indaga o requerimento endereçado ao prefeito Nilson Costa (PPS).
Na opinião de Parreira, um assunto tão complexo como o tratamento do esgoto demanda análises e estudos que tornam suspeito o trabalho gratuito. "Que empresa é essa que opera de graça? É uma estatal, conveniada a universidades ou vinculada a alguma sociedade benemérita? Se for privada, obviamente que resta suspeita, porque ninguém faz nada de graça, principalmente as empresas que visam lucros", considerou.
A resposta às indagações do peemedebista veio logo depois e partiu do próprio prefeito Nilson Costa, que esteve ontem à noite na Câmara para a entrega do Estatuto do Magistério. O chefe do Executivo não gostou dos questionamentos e acusou Parreira de "só conhecer a política tradicional, mal-intencionada e voltada a interesses". Ele explicou que o projeto está sendo executado pela Companhia Paulista de Desenvolvimento - a mesma responsável pelo Gasoduto Brasil-Bolívia - através de uma carta de intenções. "A CPD está realizando uma modelagem do funcionamento do sistema e o custo deste trabalho ficará por conta da empresa que vencer a licitação no futuro", disse.
Nilson garantiu que não há nada de obscuro no processo e lamentou o fato de Parreira "estar jogando areia num trabalho tão sério". "O tratamento do esgoto é assunto que vem se arrastando desde a época do 'trem-bala' e que até hoje não foi resolvido. Estamos sendo cobrados insistentemente pela Promotoria do Meio Ambiente e temos prazo até 2002 para fazer funcionar o sistema. Estamos fazendo da maneira mais transparente possível, mas sempre existem as interpretações maldosas. Fico extremamente irritado quando tenho boas intenções e recebo críticas", desabafou.