Cohab garante quitação das moradias
Cohab garante quitação das moradias
Texto: Josefa Cunha
A direção da Companhia de Habitação Popular (Cohab) de Bauru garantiu ontem a cobertura integral dos seguros pagos pelos seus mutuários, inclusive a quitação dos imóveis em caso de morte ou invalidez dos titulares. A garantia confronta a informação dada pela seguradora Sasse, controladora das apólices, que confirmou a cobertura somente em casos de danos físicos às moradias.
A Cohab possui uma dívida de R$ 23 milhões com a Sasse, acumulada pelo não-repasse das cotas mensais. No momento, a companhia tenta renegociar o débito e retomar os pagamentos, mas a seguradora ainda analisa a proposta de acordo recebida, a qual "oferece" - nada mais nada menos - parcelamento em 20 anos sem cobrança de juros e multas.
Segundo a Sasse, a dívida pendente inviabiliza a cobertura em casos de morte e invalidez, mas a Cohab protesta as declarações da seguradora, classificando-as como "levianas". "As informações do funcionário (Lipel Custódio, secretário executivo da Sasse) podem trazer intranqüilidade aos mutuários, confundir a opinião pública e tumultuar as negociações que vêm sendo levadas em bom termo", avalia o presidente da Cohab, Daltayr Vallim.
Segundo ele, a companhia reitera o que já informou: "nenhum sinistro deixou de ser honrado com a liberação de hipoteca dando quitação à casa própria. Os mutuários prosseguem com seus direitos preservados e a apólice da Sasse está em pleno vigor. Estão sendo lançados a débito da Cohab todos os valores tarifados, tanto para cobrir danos físicos aos imóveis quanto para indenizar morte e invalidez permanente".
A Cohab lembra que a Sasse está tarifando normalmente os seguros, motivo pelo qual não poderia limitar a cobertura. Na realidade, a companhia está quitando os imóveis nos casos de morte e invalidez e lançando esses gastos como crédito para posterior abatimento na dívida hoje existente. Atualmente, o crédito da Cohab seria superior a R$ 5 milhões, o que reduziria o débito para algo em torno de R$ 18 milhões. Resta, agora, saber se a Sasse reconhece esse crédito ou se o montante corre o risco de ser absorvido pela companhia.
Mais uma vez, Daltayr Vallim lembrou que a dívida pendente foi herdada das administrações anteriores. Informou também que parte do débito em aberto - próximo a R$ 10 milhões - foi reparcelado em 120 meses, sendo que 32 parcelas já teriam sido saldadas.