08 de julho de 2026
Geral

Desfiliação

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 6 min

Caio critica cúpula ao deixar PSDB

Caio critica cúpula ao deixar PSDB

Texto: Nélson Gonçalves

O empresário aponta que sempre foi visto como ameaça por Tuga e seu grupo. Caio mostra disposição de caminhar com Pedro Tobias

O empresário Caio Coube confirmou, ontem, sua revoada do ninho tucano. De bico com a ala tuguista e descontente com a disputa interna, Caio Coube deixa o PSDB sem anunciar sua nova legenda. Na entrevista, entretanto, Caio indica que o caminho mais provável seja se juntar a seus ex-companheiros de PSDB, agora comandantes do PDT de Pedro Tobias. Também existe o convite do PTB, mas Caio Coube mostra disposição em estar junto com o grupo de Moussa Tobias nas próximas eleições.

Caio Coube não descarta sua candidatura à Prefeitura Municipal de Bauru, mas também não diz que vai à disputa. Mesmo porque, agora precisa de uma legenda e da aprovação de seu nome, o que não era possível no PSDB atual. Mais aberto que nas entrevistas de costume sobre política, Caio Coube diz que o PSDB sempre o viu como uma "ameaça", critica posturas de Tuga Angerami e não poupa nem o "pára-queda" Natan Chaves.

Jornal da Cidade - Confirma a saída do PSDB? Por que?

Caio Coube - Entreguei a carta de desfiliação formalmente ontem para o Paulo Canalli. Porque eu não fico

à vontade nessa situação do partido bastante dividido, entre o grupo aliado ao Tuga e o contra. Provavelmente vai haver um confronto e eu não quero participar desse processo. E também eu não quero ter nenhum compromisso de apoiar a candidatura do Tuga Angerami para a Prefeitura de Bauru, caso o grupo dele sai vencedor desse processo.

JC - Você é contra a candidatura do Tuga, ou contra suas posturas no partido?

Caio - Eu quero estar livre para não só não apoiá-lo, como também apoiar uma outra candidatura que venha a disputar com ele, caso ele seja o candidato. Os nomes são estes que estão aí, mas acho que tem mais nomes. Vão haver aproximações entre partidos e pessoas que tenham mais afinidade.

JC - Para que partido você está indo?

Caio - Eu deverei filiar-me a um partido, sem que isso signifique que eu irei disputar. Mas significa que eu irei participar do processo e estarei procurando influenciar, apoiando o candidato que eu julgue, mais o grupo que esteja junto comigo.

JC - Tem legendas querendo você como candidato, como o PTB?

Caio - Sim, eles fizeram um contato, um convite formal, foi noticiado. É um fato concreto. Poderia ser o PTB sim. Também tenho ótimo relacionamento com o PDT, com a direção, o Moussa, o Marcelo Borges, o Pedro Tobias.

É um excelente relacionamento e praticamente nós vamos estar juntos aí, qualquer que seja a filiação que eu venha a fazer.

JC - Como você a candidatura do Pedro Tobias?

Caio - Acho muito boa, porque o Pedro Tobias, além de ser forte eleitoralmente, tem autenticidade, combatividade, seriedade. Acaba de ser eleito deputado estadual e tem uma marca singular como político, essa coragem. O primeiro movimento importante foi confirmar a saída do PSDB, formalizar a decisão. Agora eu, nesse pouco tempo da legislação, vou tomar uma outra decisão.

JC - Junto com você sai outros colegas, como o Carrijo?

Caio - Não sei dizer por eles. Eles manifestaram esse descontentamento, por essa divisão muito clara no PSDB. Esse processo aflora agora.

JC - O que houve de erro, o comando do partido em função dos problemas, ou a postura do Tuga, culminando com a afirmação de que queria ser candidato?

Caio - (Risos). Não sei te dizer. Não verdade eles nunca me assimilaram. Eu sempre fui uma ameaça para o Tuga e o grupo dele, nunca fui assimilado. Sempre fui visto como uma ameaça e nunca como aliado. Isso ficou muito claro nesses quatro anos.

JC - O Tuga chegou a te procurar?

Caio - Nunca, nunca. Nesses anos todos nem para agradecer. Nem pelo fato de eu ter sido o principal apoiador financeiro da campanha do Carrijo, né, enfim. E outras indelicadezas como eu enviar convite para todo mundo para inaugurar o Centro de Distribuição, em setembro de 97, não recebemos sequer um telegrama, todos os políticos se manifestaram. O dia que eu recebi o título da Câmara, proposto pelo Roberto Bueno, sequer foram e sequer mandaram um telegrama.

JC - Você considera isso um menosprezo político?

Caio - Não, eu não diria, exato, sabe. Não encontro a palavra adequada. A postura foi sempre esta deles se sentirem incomodados comigo, a ponto de não ter um mínimo de civilidade nessas ocasiões, o mínimo de uma convivência como essa.

JC - Você não era muito de ir às reuniões do PSDB?

Caio - Fui até a viabilização da candidatura do Carrijo. E depois também do que eu vi na campanha de 96, pouquíssimo envolvimento da direção, isso ficou bem claro.

JC - E a posição do Tuga nessas campanhas, a prefeito, deputado estadual?

Caio - Pois é. Teve as outras e agora a puxada da escada no Edmundo. Nunca concordei com isso. Agora eu não vou ficar brigando. Eu reconheço que eles formam o núcleo original do partido. Eu que vim de fora e me juntei ao grupo original. Então, da mesma forma, agora eu saio e vou cuidar da vida.

JC - Como você viu a chegada do Natan Chaves no PSDB?

Caio - Tive pouquíssimos contatos, sei que se tornou importante pelo número de filiações que fez. Mas acho bastante surrealista uma pessoa que, de repente, cai de pára-quedas aqui em Bauru, quero dizer sem nenhum histórico com a cidade e passe a ocupar um lugar decisivo dentro de uma agremiação importante. E já se comenta que o objetivo é obter uma indicação para a Câmara Federal em 2002. Como bauruense nato acho isso muito surrealista. Mas acho típico do PSDB de Bauru né.

JC - São erros históricos até do PSDB local?

Caio - Então. O Izzo é uma escolha do senhor Carlos Ladeira com o beneplácito, a omissão do senhor Tuga Angerami. Já ouvi o Tuga dizer que não foi a escolha dele. Que o nome dele era o Walter Comini, mas que o Ladeira o convenceu. Mas eles têm isso na carreira. Foram eles que criaram, deram corda, impulsionaram o Izzo, que tornou o que se tornou.

JC - O Zezinho Martha diz que você tem que ser candidato a prefeito?

Caio - (Risos) O Zé é muito amigo e torce muito. Tem que dar desconto. Vamos ver né. Tem, tem grupos que falam aí do meu nome como perfil, né, e fico alegre de gente coerente, equilibrada, considerarem o meu nome como candidato.

JC - O que te faria não ser candidato?

Caio - Várias coisas. A vida das outras pessoas candidatas já é de político. Eu não sou político, nunca disputei um cargo público. Agora isso não significa que eu não vá disputar.

É que eu tenho uma carreira muito clara, muito definida. Tenho uma responsabilidade muito grande na direção da Tilibra. Interromper isso para fazer uma campanha significa um afastamento. Ao mesmo tempo em que meu nome é cogitado, faço essas ponderações. Mas também tem a questão do tempo do momento, quando as candidaturas vão se definir, nos primeiros meses do próximo ano.

JC - Obrigado pela entrevista e quando se decidir, pelo PDT ou outra legenda, até o PTB, avise.

Caio - Claro. Vamos ver como fica essa situação e vamos nos definir ao longo desse tempo, agora, pelo partido.