08 de julho de 2026
Geral

Protesto dos caminhoneiros

Luciano Augusto
| Tempo de leitura: 6 min

Polícia Rodoviária diz que região é pouco problemática

Polícia Rodoviária diz que região

é pouco problemática

Texto: Luciano Augusto

Na Base da Polícia Rodoviária de Bauru, que controla 30 municípios da região, as informações dão conta de que os problemas são bem menos graves do que em outras regiões. Ainda que Bauru seja um entroncamento rodo-ferroviário bastante importante para o centro-oeste paulista, as condições das estradas, de segurança e de qualidade da frota são consideradas boas, em comparação com outras áreas.

De acordo com o sargento Elailson Rodrigues, 32 anos, comandante do Posto Rodoviário de Bauru, a região é privilegiada com entroncamentos rodoviários importantes, como a rodovia Marechal Rondon e a SP-225 (rodovia João Cabral Rennó, no sentido de Ourinhos, e rodovia Comandante João Ribeiro de Barros, sentido de Jaú), que corta praticamente todo o Estado ligando o Paraná à Minas Gerais. Ainda há o final da rodovia Castelo Branco, que se junta com a SP-225 até entrar na SP-327 para sair no Paraná, que recebe um trânsito mais pesado com o tráfego da rodovia Raposo Tavares indo para outros os outros Estados vizinhos.

O fluxo de caminhões na região de Bauru é classificado como médio para alto e é bastante diversificado entre caminhões e automóveis de passeio.

O sargento da Polícia Rodoviária disse também que a incidência de roubos de carga na região é baixa, muito embora seja um importante entroncamento rodo-ferroviário.

"Mas é claro que, eventualmente temos roubos", lamenta.

Em outras áreas, explica Rodrigues, o problema é maior por causa do maior acúmulo populacional, como, por exemplo, a região da grande São Paulo e Campinas. Essas regiões, além de receberem um tráfego intenso de caminhões, com as mais variadas cargas, ainda estão sujeitas aos problemas sociais, como os bolsões de pobreza.

A qualidade da frota que trafega na região, segundo a Polícia Rodoviária, é relativamente boa, "embora tenha uma certa idade". Os maiores problemas estão relacionados ao tráfego local de caminhões. Muitos motoristas utilizam o caminhão apenas para fazer trajetos dentro da cidade e, eventualmente, passam pela rodovia. "Estes não estão muito preocupados com a conservação do caminhão e a gente nota uma diferença considerável em relação aos caminhões que trafegam nas rodovias", complementa Rodrigues.

O sargento lembra que um problema antigo, a frota das usinas de cana-de-açúcar, está sendo resolvido. As indústrias estão terceirizando o corte e o transporte da cana e com isso a frota está sendo renovada. Um exemplo

é a usina Sobar, da região de Santa Cruz do Rio Pardo, onde grande parte da frota é formada por caminhões 99.

O Novo Código Nacional de Trânsito (CNT), também ajudou a melhorar a situação nas estradas. Mais rigoroso que o antigo, o CNT despertou uma maior precaução, não só dos motoristas de caminhão como também dos de carros de passeio.

Entretanto, revela o sargento da Polícia Rodoviária, as multas mais freqüentes ainda estão relacionadas com o excesso de velocidade. Em seguida, aparecem os problemas no sistema de iluminação e a famosa banguela (descida de rampas íngremes com o veículo desengrenado). Antes, esclarece Rodrigues, esta infração estava mais específica ao caminhão, com discriminação da pesagem até 6 mil quilos. Hoje ela é genérica para qualquer veículo e cabe autuação".

Ainda que não seja possível precisar com certeza a incidência de multas envolvendo motoristas de caminhão, o policial rodoviário afirma que é bastante grande. Como o caminhoneiro transita dioturnamente pelas rodovias, ele está mais sujeito à autuação

Uma outra situação é a Operação Fumaça, realizada pela Polícia Rodoviária para verificar os veículos que emitem poluentes acima do especificado incorrendo, além da autuação de trânsito, numa outra autuação da Companhia de Saneamento Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb).

Rodrigues diz ainda que o projeto que pretende aumentar o limite de pontuação na Carteira Nacional de Habilitação

(CNH) de 20 para 30 não muda muita coisa para a polícia.

"Não estamos preocupados com a quantidade de pontuação e sim que ninguém tenha autuação nenhuma". O ideal, para ele, seria que um ponto cassasse a habilitação. Porém, diante de um quadro em que ninguém cometesse infração.

Mesmo com alguns focos de conflito entre caminhoneiros e policiais militares no protesto dos caminhoneiros no final do mês de julho, o sargento diz que o relacionamento entre eles não foi abalado. "O caminhoneiro é um dos que mais ajudam o policial rodoviário. Em horas de tempestade, de acidente...

é ele quem mais nos auxilia".

Categoria está carregada de multas, diz sindicato

Muito embora os caminhoneiros aceitem com bons olhos as regras estabelecidas pelo Novo Código Nacional de Trânsito

(CNT), o Sindicato dos Taxistas, Caminhoneiros e Transportadores Autônomos de Bauru e região, diz que praticamente a metade dos motoristas sindicalizados estão quase estourando o limite de 20 pontos na Carteira Nacional de Habilitação

(CNH) e podem perder suas habilitações.

O presidente do sindicato, Waldir Faria Freitas, 52 anos, afirmou que "é verídica a situação de que cerca de 50% estão com pontuação bastante alta. Pelo menos, foi o que se ouviu dos motoristas na paralisação".

A situação é considerada bastante grave pelo sindicalista, tanto que é a grande preocupação atualmente. Freitas diz que esse excesso de multas poderá causar problemas ainda maiores, "porque estes caminhoneiros vão ser substituídos por outros sem experiência de estrada".

Com referência às multas em balanças, o representante da categoria alega que o problema não será resolvido simplesmente com o aumento do limite de pontuação na CNH de 20 para 30. Mesmo que este limite seja elevado para 30 pontos, o caminhoneiro continuará transportando uma carga diversificada. "Se toda vez ele levar multa por excesso no peso, em um mês ele estoura essa pontuação". O correto na opinião de Freitas, seria não contabilizar esses pontos perdidos com a pesagem do veículo na balança.

Outro ponto polêmico destacado por Freitas é a estatística que coloca o motorista de caminhão como um dos maiores causadores de acidente. Neste assunto, segundo Waldir Faria Freitas,

é preciso levar em consideração que o tempo que o caminhoneiro passa na estrada é muito maior em comparação com os condutores dos veículos de passeio.

Além disso, reclama o sindicalista, "ele tem que ganhar o suficiente para ter um nível de vida justo e ainda precisa manter o veículo em condições de uso".

Confirmando o depoimento dos caminhoneiros ouvidos pela reportagem ele lembra que as despesas com o caminhão corrói mais de 50% da receita conseguida com o frete. Na sua opinião, as empresas deveriam negociar um valor, pelo menos, 25% maior para o frete.

A luta pela redução das tarifas cobradas nos pedágios também é grande. Ainda que as empresas estejam respaldadas por um contrato firmado com o Governo, Freitas argumenta que justamente estes contratos precisam ser revistos diante da atual conjuntura que está sendo atravessada pelo País.