13 de março de 2026
Geral

Assalto

Rita de C. Cornélio
| Tempo de leitura: 4 min

PM tenta evitar assalto e é morto

PM tenta evitar assalto e é morto

Texto: Rita de Cássia Cornélio

Num clima de muita revolta foi velado e enterrado, ontem, o soldado da Polícia Militar Reinaldo Zanini, 33 anos. O policial foi morto com quatro tiros disparados de sua própria arma, quando tentava evitar um assalto a um posto de gasolina no Parque Paulista, anteontem à noite.

O policial não estava em serviço quando os fatos aconteceram. Ele passava pelo local, quadra 1 da rua José Pereira Guedes, Parque Paulista, com sua moto e percebeu que o frentista do posto, Vicente Pereira da Silva, 59 anos, estava sendo dominado por cinco assaltantes.

Zanini saiu de seu trajeto e entrou no Posto Distritão. Tentou intervir, mas antes de descer da moto foi cercado por dois assaltantes, Marcelo Fainha, 20 anos, mais conhecido por "Sassá", e pelo menor D.B.F., 14 anos, conhecido por "Mala". O policial entrou em luta corporal com "Sassá", que levou a melhor, derrubando- o da moto.

Aproveitando-se da queda de Zanini, o menor F.C.S.C., 17 anos, mais conhecido por "Fabinho", tomou-lhe a arma e o rádio HT. O adolescente, que possui inúmeras passagens pela polícia, disparou quatro tiros contra o PM. Os disparos foram feitas à curta distância e foram certeiros.

Um dos tiros atingiu o tórax de Zanini. Outros dois, a cabeça e, o última, atingiu a perna. Mortalmente ferido, o policial foi socorrido pela Unidade de Resgate, mas pouco depois de dar entrada no Pronto-Socorro Municipal não resistiu aos ferimentos e morreu.

O frentista foi imobilizado pelo menor F.C.S.C., 17 anos, que segurou- o por uma gravata. Vicente Pereira da Silva conseguiu se safar, mas foi atingido, de raspão por um tiro.

A polícia foi acionada logo após os fatos e no local colheu as características dos assaltantes. Localizaram a menor C.A.P., 17 anos, nas proximidades, que havia escondido o aparelho de HT roubado do policial. O aparelho foi encontrado em uma árvore de uma praça do Parque Paulista. O revólver estava em um terreno baldio.

"Sassá" foi o primeiro do grupo a ser preso. Ele estava na rua Rafael Pereira Martini. Os menores "Fabinho" e T.B., 12 anos, conhecido por "Tiaguinho", foram apreendidos em suas residências, no Núcleo Bauru 22. O outro menor, "Mala", foi apreendido no Parque Bauru, assim como Flávio Luiz Neri, 19 anos.

Encaminhados para o plantão da Delegacia Seccional, os maiores foram autuados em flagrante por latrocínio e, os menores, serão encaminhados ao juiz da Vara da Infância e Juventude. Todos estão recolhidos na Cadeia Pública de Bauru.

Assaltantes tinham passagens anteriores

Todos os envolvidos, segundo a Polícia Militar, têm passagens pela polícia. O autor dos disparos, conhecido por "Fabinho", teria prometido matar um policial porque odeia a polícia. Há poucos meses, ele agrediu um policial e foi apreendido com uma pistola 380.

"Fabinho" tem inúmeras passagens por roubo, furtos, porte de entorpecente e de arma. Já "Tiaguinho" tem passagens por furtos e porte de entorpecente. "Sassá",

"Mala" e "Tininho" também possuem passagens pela polícia, por diversos motivos.

Revolta

O policial Reinaldo Zanini foi admitido na Polícia Militar no ano de 92. Era casado e tinha uma filha de 9 anos. Sua mulher está grávida de oito meses e não pôde acompanhar o velório, já que está chocada com a situação, assim como a mãe do PM.

O tio de Zanini, Genésio Felix, falou sobre a morte do sobrinho, em nome da família. "Estamos revoltados porque, se o policial mata um marginal, vem os Direitos Humanos defender a família deles. Quando os marginais matam um pai de família, os Direitos Humanos não dá assistência nenhuma. Queremos saber quem é que vai amparar a viúva e seus filhos? ", desabafou.

Félix diz que os autores da tragédia deveriam ser obrigados a trabalhar forçado para comer. "Se ficarem presos, vão ser sustentados por nós. Não fazem nada o dia todo e comem bem. Nós, que estamos aqui fora das grades, temos que trabalhar", ressaltou.

Na opinião dele, a Justiça deveria considerar os menores de 16 anos, capazes de responder pelos seus atos. "Se eles podem matar, podem responder por isso. É inadimissível que os menores sejam protegidos dessa maneira", opinou.

Segundo o tio, Zanini era um pai de família exemplar. "Ele era uma pessoa pacata, sem vício e dedicado ao trabalho. Ele tinha a família sempre em primeiro lugar." Félix lembra que a mãe, a mulher e a filha de Zanini estão chocadas e desoladas com a tragédia que abateu sobre a família.