08 de julho de 2026
Geral

Atividades infantis

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 3 min

Criança saudável brinca e faz "arte"

Criança saudável brinca e faz "arte"

Texto: Sabrina Magalhães

A violência e o trânsito obrigam os pais a impedir que os filhos fiquem na rua com os amigos

Nos primeiros anos de vida, a criança precisa de espaço e liberdade para correr e brincar. Mas o mundo moderno, com sua violência e com o tráfego intenso dos carros, está restringindo este espaço aos poucos metros do quarto, do quintal ou do playground. Vendo os filhos "trancafiados" e impedidos de gastar sua energia, os pais acabam incentivando-os a freqüentar escolas de música, dança, idiomas ou esportes. Enchem a "agenda" da criança, que não pode mais brincar. Só que a afirmação

é unânime entre os especialistas: criança saudável é sapeca e faz "arte".

"A gente não vê mais a criança brincando na rua com os amigos, porque não tem mais essa condição mesmo. Mas a sociabilidade da criança com outras é muito importante para o desenvolvimento dela. Ficar restrita em casa ou no apartamento, só podendo sair para ir à escola ou às outras atividades, causa um certo estresse", afirma a pediatra Adriana Barbieri.

Ajax Machado completa, dizendo que nas gerações anteriores, passava-se o dia na rua, subindo em árvores, jogando bola, brincando de pega-pega com os amigos. E hoje, a criança não pode sequer ir à casa do coleguinha. Isso somado aos outros fatores (alimentação inadequada, desestrutura familiar, competitividade), só aumenta a tensão e ansiedade, facilitando o aparecimento de doenças psicossomáticas.

Para reverter esta situação, a pediatra destaca a necessidade dos pais em manter o diálogo com os filhos, estando atentos aos seus problemas, seu comportamento, ao modo como se relaciona na escola, com professores, amigos, irmãos.

"O pai não pode perder isso de vista, para que qualquer alteração seja percebida no início e a criança seja encaminhada ao tratamento correto."

Por sua vez, Machado recomenda a conscientização dos pais, que precisam participar mais da vida dos filhos, evitando forçá-los a desempenhar atividades que não querem ou elaborando uma carga horária que impeça o filho de brincar. "Também é preciso vigiar os brinquedos da criança, impedindo que ela use os que são estressantes, como o videogueime. Se você já jogou videogueime um dia, sabe que quando termina você está tremendo e com o coração disparado. Então, os pais têm que tolher determinados tipos de brincadeira sabidamente maléficos."

O médico salienta que, apesar de toda a violência e dos riscos, é preciso dar mais liberdade às crianças, permitindo que ela leve um amiguinho para sua casa, ou permitindo que ela vá à casa de um amigo. E mesmo na rua, escolher um dia em que o movimento é mais fraco para deixar a criança brincar. Ou freqüentar clubes, associações, bosques, ambientes seguros onde a criança se sinta absolutamente livre para correr, pular e aprender. "Muitos hotéis-fazenda já têm monitores devidamente treinados para cuidar e distrair as crianças, enquanto os pais se divertem tranqüilos. Porque brincar com liberdade é muito bom."

Aniversário

Machado contou que uma experiência que teve durante a festa de aniversário do filho: "A molecada estava em casa, brincaram na piscina, mas enjoaram e não tinha mais quintal. Então, começaram a entrar em casa, virou bagunça, pensei que tinha que fazer alguma coisa. Aí peguei um jogo de bets e fomos jogar na rua. Mas a maioria dos meninos nunca tinha jogado bets. Você precisava ver na hora que os pais foram buscar as crianças, a briga que foi, porque eles não queriam ir embora. Como bets se joga em quatro, os que sobravam ficavam torcendo para acabar logo aquela partida para eles poderem jogar. Quer dizer, a molecada de hoje em dia não tem dessas brincadeiras e quando têm a oportunidade de experimentar, eles deliram."

Ele concluiu, dizendo que já que as crianças têm uma agenda, com aulas e treinamentos, que os pais reservem um tempinho durante o dia para a brincadeira - a brincadeira de criança, espontânea, sem compromissos, sem regras, sem restrições.