Certificado de origem faz aumentar exportação
Certificado de origem faz aumentar exportação
Texto: Luciano Augusto
A partir do início da emissão dos certificados de origem na regional do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), em maio do ano passado, os níveis de exportação na região, principalmente para o Mercosul, aumentaram consideravelmente.
O diretor adjunto do Ciesp, Sérgio Togashi, 53 anos, explica que a procura pela emissão do certificado está bastante grande. "Muita gente não sabia que o Ciesp emitia esse certificado e, para o associado, é mais um serviço que o Ciesp presta", complementou.
De acordo com Togashi, o certificado é usado pelo empresário como um meio de ficar em conformidade com a legislação exigida pelos países importadores que formam, por exemplo o bloco econômico da América do Sul, o Mercosul (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai).
Para o diretor adjunto do Ciesp, além do certificado de origem, outro fator também contribuiu para o incremento das exportações regionais: a variação cambial, que, de certa forma, se estabilizou em comparação com os primeiros meses de 1999.
Com isso, a média mensal de exportação aumentou, e muito. Comparando os números de exportação para o Mercosul, do período de maio a dezembro do ano passado com o primeiro semestre deste ano, podemos verificar um aumento de 91%. No ano passado, a soma das exportações para os países componentes do Mercosul atingiu R$ 1.793.854,38. Neste ano, somente no primeiro semestre, as exportações somaram R$ 2.987.940,69.
Os setores industriais que mais exportaram, segundo o Ciesp, foram: alimentação, plásticos, metalúrgica, baterias, calçados, bebidas, gráfica, vestuários e moveleiro.
O setor calçadista, entretanto, merece uma ressalva. No mês de julho, a indústria calçadista argentina causou a maior crise já vivida pelo Mercosul, com a crise cambial na Argentina.
Os industriais portenhos exigiram do Governo argentino medidas para restringir a entrada de produtos brasileiros como forma de incentivar o desenvolvimento de suas indústrias. Mesmo com a resolução do impasse, o Ciesp acredita que, pelo menos em relação à Argentina, os índices de exportação devem cair.
Mas, afirma Togashi, como a região tem uma produção bastante diversificada, a média geral deve continuar boa.
"Bauru não é um pólo de um segmento só e os diversos segmentos (unidos) dão um certo equilíbrio à balança", avalia o empresário.
O problema da região, segundo ele, é que a base do parque industrial regional é formada por pequenas empresas e, somente agora, elas estão conseguindo se voltar para a exportação, porque anteriormente não tinham retaguarda. Com a entrada no Mercosul, essas empresas estão conseguindo aumentar a quantidade exportada.
Outro ponto é que o mercado brasileiro não está absorvendo toda a produção, "pois a economia está praticamente parada".
Por outro lado, ainda que as exportações para o Mercosul estejam avançando a passos largos, para o Mercado Comum Europeu ainda são grandes as dificuldades de negociação.
Como aponta Togashi, o Mercado Comum é bastante complicado para exportação porque, "para resguardar a economia dos países que o formam, fazem muitas exigências, as quais os pequenos empresários ainda não têm acesso".
O mesmo acontece com as exportações para os EUA.
"Eles têm uma norma específica e o produto precisa passar por essa aprovação", finaliza.
Segundo semestre
O segundo semestre, para a indústria brasileira, historicamente
é sempre melhor do que o primeiro.
Como explica o diretor adjunto do Ciesp, a atividade industrial brasileira só ganha fôlego à partir do mês de março. Já no segundo semestre, as atividades produtivas seguem firmes até o mês de novembro. Em dezembro, como existem muitos pagamentos, como décimo-terceiro por exemplo, e feriados, os números de exportação caem. "Por isso, na média, o segundo semestre é melhor".