07 de julho de 2026
Geral

Pesca

Roberta Mathias
| Tempo de leitura: 4 min

Jovem na pesca

Jovem na pesca

Texto: Roberta Mathias

É fácil ser um apaixonado pela pesca, uma atividade que agrega esportividade e lazer, recheada de momentos agradáveis no meio do rio (ou nos costões do litoral) em contato direto com a natureza.

Tem gente que se transforma em pescador ao descobrir os prazeres do esporte e há aqueles que nascem pescador, antes mesmo de saber falar direito. É um amor que vai crescendo e amadurecendo com o tempo. O jovem Davi Bertozo B. da Silva, 15 anos, é um viciado em pescarias. Aos 4 anos, iniciou no esporte e hoje

é um verdadeiro dependente. Para Davi, é muito importante pescar pelo menos uma vez ao mês, "mesmo que seja em pesque e pague", acrescenta.

Aluno da Escola Viver, Davi precisaria optar por um tema para desenvolver seu projeto do 9.º ano. Na Viver, ao chegar no

último ano (em Bauru, seria equivalente à 8.ª série), o aluno deve preparar um projeto em uma área de sua preferência e realizá-lo em todas as suas etapas. O aluno conta, para isso, com o apoio de professores e de um orientador especializado na área definida pelo aluno, que dará subsídio para a elaboração do projeto. Sua paixão pelos peixes fez com que optasse pela piscicultura.

Davi encontrou apoio em sua família; nos amigos, inclusive os pais do amigo André Marega Pinhal emprestaram o sítio onde o tanque foi preparado para iniciar a piscicultura; e em Sérgio Sakai, que está sendo seu orientador. Sakai possui uma experiência de mais de 20 anos na área e tem colaborado muito com Davi.

A primeira etapa de seu projeto começou com a preparação do tanque e a colocação de aproximadamente 300 tilápias

(10 cm) e a leitura de material específico. "Eu tenho muitas revistas e sempre estou à procura de novas informações." Agora, de acordo com Davi, os peixes já estão medindo cerca de 25 centímetros. "A população de tilápia aumenta rapidamente, pois elas têm muita facilidade de se reproduzir. Mas estamos tirando os exemplares pequenos", explica.

O trabalho de Davi também terá uma parte teórica, que estará explicando todos os procedimentos passo a passo. Para que a parte prática possa ser visualizada (já que fica difícil levar o tanque com os peixes para a escola!), Davi está preparando slides que serão apresentados junto com o projeto final. O trabalho de final de curso do Davi, na verdade, é a continuidade de seu passatempo preferido, a pesca.

Pesquisador e pescador

Davi começou a pescar com seu avô Jair Bertozo, que o levava para Barra Bonita para buscar os peixes do Tietê.

"Meu avô me ensinava os truques e os detalhes... aí comecei a viciar. Não conseguia ficar sem a pescaria." Ainda hoje, Davi procura se informar sobre todas as novidades da pesca esportiva, conhece equipamentos e não estremece diante do Pantanal. "Sempre vamos a Porto Esperança, um lugar que, infelizmente, já foi muito melhor para pescar. Para você ter uma idéia, nessa última viagem que a gente fez havia mais de 30 barcos descendo o rio. Às vezes, alguém pegava um peixe." Diante dessa "concorrência", os peixes tinham que se esconder mesmo.

Hoje, conta o jovem pescador, o avô e o pai (José Bezerra) aproveitam as suas dicas. "Quando saímos para a pescaria, eles disputam para ver quem fica no barco comigo." Os três moram na mesma casa (juntamente com a mãe Marisa e a irmã), mas Davi deixa claro que a tralha não

é coletiva. "Aqui, cada um tem o seu equipamento de pesca. Tenho minhas varas, molinetes, carretilhas, iscas artificiais, anzóis... Cada um cuida da sua maleta."

Ele tem um equipamento diversificado, porque opta por tipos diferentes de pesca. Quando está na praia, Davi prepara-se para buscar robalos, pescada branca, corvinas, bagres e baiacus nos canais.

"No ano passado, cheguei a pegar uma corvina com quase três quilos, no canal." No próximo mês, ele irá para o litoral em busca de outras espécies. O mar oferece outro tipo de pescaria ao aventureiro.

Mas o jovem pescador já tem seu sonho definido. "Quero ter um sítio onde possa criar peixes, animais e viver tranquilamente." Lá, Davi pretende estar a maior parte dos dias, os outros, vai passar pescando em algum rio ou mar do Brasil.