07 de julho de 2026
Geral

Adoção

Adriana Amorim
| Tempo de leitura: 3 min

Crianças aidéticas não conseguem adoção

Crianças aidéticas não conseguem adoção

Texto: Adriana Amorim

As duas crianças portadoras do vírus HIV que vivem em uma entidade que presta assistência a soropositivos em Bauru à espera da adoção ainda não conseguiram uma família. Elas foram abandonadas pelos pais depois do nascimento e, mesmo depois da Vara da Infância e Juventude ter comunicado o fato através da imprensa no final do mês passado, não houve interessados que se enquadrassem no perfil necessário para a adoção.

O menino de um ano e oito meses e a menina de um ano e dois meses de idade fazem parte do cadastro da Vara da Infância. Um deles já conseguiu ser adotado, mas teve que retornar para a entidade devido à rejeição encontrada na família. O problema é que as dificuldades que já são grandes em um processo de adoção que envolve crianças sem problemas de saúde são ainda maiores nesses dois casos.

Depois da divulgação feita na imprensa, o setor técnico (composto por assistentes sociais e psicólogas que fazem a perícia nos interessados pela adoção) recebeu apenas uma família disposta à adoção. Só não foi possível realizar o procedimento porque os interessados não preenchiam todos os requisitos exigidos.

O setor técnico explica que não basta a família preencher os aspectos básicos, como ter mais de 21 de idade, manter um relacionamento familiar estável, ter motivação e disponibilidade afetiva. "É preciso que a família seja tão especial quanto a criança", dizem as psicólogas e assistentes sociais.

Quando elas falam do caráter especial da família, se referem a pessoas que tenham uma motivação ainda maior para levar a criança para casa e tenha ainda mais disponilidade afetiva e de tempo para cuidar do adotado. Isso ainda não basta. É preciso que os interessados em adotar uma das duas crianças portadoras do vírus HIV tenham um certo grau de instrução e conhecimento sobre a aids.

As profissionais dizem ainda que as condições financeiras são ainda mais importantes que nos casos tradicionais de adoção. "A sobrevida da criança pode ser bem maior dependendo das suas condições de vida", argumentam. "Não queremos pessoas fazendo caridade, mas que estejam dispostas a levar a criança para casa com carinho, como se fosse um casal que acaba de se unir e quer formar uma família".

Dificuldades

O setor técnico sabe que não fácil encontrar famílias que se enquadrem nesse perfil, mesmo porque os interessados precisam saber lidar com a possibilidade da perda e do luto. A situação é parecida no caso de um criança que sofre de hidrocefalia, doença caracterizada pelo acúmulo anormal de líquido no cérebro, podendo causar atrofia encefálica.

O juiz da Vara da Infância e Juventude, Ubirajara Maintinguer, explica que já foram consultados os cadastros de pessoas aptas para a adoção em comarcas de várias regiões, inclusive em listas internacionais, mas não houve interessados. Ele diz que o procedimento será repetido e que as tentativas são constínuas.

Os interessados em adotar as crianças portadoras do vírus HIV podem se dirigir ao Fórum, de segunda a sexta-feira, das 9 às 19 horas, e solicitar informações.