07 de julho de 2026
Geral

Debutantes

Gustavo Cândido
| Tempo de leitura: 6 min

O baile de debutantes está de volta

O baile de debutantes está de volta

Texto: Gustavo Cândido

Evento obrigatório, pelo menos até a década de 70, para as garotas que completavam 15 anos, o baile de debutantes tem andado em baixa nos últimos tempos. A liberação sexual feminina e todos os avanços conseguidos pelas mulheres a partir do final dos anos 60 fizeram com que este tipo de evento ficasse para o segundo plano, quando não, perdesse completamente o seu caráter de "ritual de passagem" de uma fase para outra da vida da menina. Em Bauru há muito tempo não há um grande baile de debutantes. Este jejum vai ser quebrado no dia 2 de outubro, quando 22 lindas jovens na flor do quinze anos trarão de volta a antiga tradição.

A comemoração dos quinze anos de uma maneira diferente nunca deixou de acontecer para as meninas. O que aconteceu é que o baile caiu em desuso, foi considerado cafona e até por razões financeiras, foi substituído por outro evento, como uma festa particular, uma viagem, um presente melhor. Na década de 80 virou mania, para as meninas cuja família tinha condições, fazer grandes festas de 15 anos e convidar um ator para fazer a apresentação do evento e dançar uma valsa com a debutante. Geralmente um galã da moda. Embora tenham o seu valor, estes tipos de comemoração não têm nem de longe o charme e toda a série de significados que um baile de debutantes carregava no passado.

"Antigamente, o baile representava a apresentação da menina à sociedade. Era uma marco porque seria a primeira vez que ela iria usar um sapato de salto, um vestido de noite e iria ficar até mais tarde em um baile. Antes não havia muitas oportunidades de ficar fora de casa até tarde, principalmente para as meninas, os bailes eram os grandes eventos e o baile de 15 anos era o primeiro. A partir daquele baile a menina passaria a ter uma vida social", explica a psicóloga Maria Lúcia Biem, que esteve reunida com as debutantes de 1999, para uma conversa sobre comportamento, parte da preparação para o baile, na última terça-feira.

Cinderellas

Segundo a psicóloga o baile ainda hoje gera nas meninas a expectativa de um "noite de Cinderella", onde é estimulada a inocência e a fantasia da adolescência, onde a debutante é o centro das atenções durante toda a festa. Maria Lúcia não deixa de mencionar o fato da festa não ter mais o caráter de introdução da jovem na noite e na vida social, mas diz que o evento resgata um pouco do romantismo de outros tempos, um sentimento sempre bem-vindo qualquer que seja a época. "A presença dos pais junto da filha nesta noite tão especial também

é muito importante. Como antigamente, quando a jovem era apresentada à sociedade pelos pais".

Além dos fatores já citados, outra razão para a queda dos bailes de debuntantes no gosto popular, na opinião da psicóloga foi a "morte" das dança de salão, tão importantes nos eventos de décadas passadas, por ser uma oportunidade real de contato entre um homem e uma mulher, que ficou relegada aos bailes para a terceira idade.

"Hoje também está havendo um resgate deste tipo de dança, mas as discotecas na década de 70 acabaram com o charme da coisa", diz.

Baile, o resgate

A idéia de trazer de volta o baile de debutantes a Bauru foi de Mônica Ribeiro Haddad, "fui debutante em 72 e gostaria que minha filha tivesse a mesma experiência que eu tive", conta. Mônica fez a proposta para a filha e algumas de suas amigas e todas aceitaram. "Depois de decidido que haveria o baile começamos a procurar mais meninas e o local ideal, chegamos ao total de 22 jovens e ao Bauru Tênis Clube".

Da mesma maneira que se preparou para o seu baile, há 27 anos, Mônica está preparando as garotas de 1999, com reuniões sobre os mais variados temas e ensaios para a grande noite. "Vai ser uma baile completo, com valsas e tudo mais", garante.

Amigas antes de tudo

As mais interessadas no assunto, as debuntates de 99, estão entusiamadas com a chance de reviver um evento como aconteceu com suas mães e avós, "estou curtindo muito tudo isso", diz Paula Sayuri Nakasato Bello, "adoro uma badalação". Até o dia 2 de outubro elas vão ter completado mais de dois meses de preparação para o baile, com encontros semanais e muita união. "Antes de mais nada elas se tornaram grandes amigas", diz Mônica Haddad.

"Quem vê de fora não sabe como a gente está se conhecendo e gostando de toda essa preparação", diz Maria Thereza Sá, "muita gente acha que baile de debutantes é uma coisa brega mas eu acho que é uma grande oportunidade para nós fazermos uma grande festa, conhecermos gente nova e comemorarmos juntas", diz.

Andréa Rehder de Araújo vê a festa como uma forma de resgatar uma tradição do passado, "espero que os bailes voltem ser uma coisa normal, é uma coisa que com certeza marca a nossa vida".

Fernanda Martins Medina concorda com a amiga, "acho que a tradição deveria ser mantida, não é só uma questão de fazer uma festa, é uma comemoração de união entre amigas, está sendo melhor do que se fosse uma festa só para mim", explica.

Dividindo a alegria

Toda essa união não deve acabar após o dia 2 de outubro garantem as meninas. A idéia é que os encontros não deixem de acontecer o que não vai ser muito difícil já que a maioria das garotas já se conhecem da escola ou mesmo antes disso. "Eu acho que outras meninas poderiam pensar num baile de debutantes, mesmo que elas não sejam tão amigas, todo o processo de preparação vai deixá-las mais próximas depois, não precisa ter uma 'panela' para fazer o baile", diz Maria Thereza Sá.

Uma semana após o baile, no dia da criança, as debutantes vão estar comemorando a data de uma outra maneira, distribuindo brinquedos para crianças carentes em orfanatos. "Esta foi uma forma que elas escolheram de dividir a alegria de poderem ter o baile e também uma forma de agradecer pela vida privilegiada que elas têm, com carinho dos pais, uma boa educação, amizades...", diz Mônica Haddad, "o baile é só o encerramento de um projeto, a união continua".

Convite

No dia 26 de agosto, as debutantes de 99 vão estar se reunindo com debutantes das décadas de 60, 70 e 80, para uma troca de experiências, sonhos e opiniões. As debutantes que quiserem participar devem entrar em contato com BTC, pelo telefone 223-5655, com Rúbia, Marisa, Mônica ou Michele.

As debutantes de 1999

* Aline Alcazar Barcellos

* Ana Cláudia Fallopa Guarizzo

* Andréa Rehder de Araújo

* Eloisa Marchi dos Anjos

* Emanoella São Bernardo Aversano

* Fernanda Martins Medina

* Gabriela Vieck Comegno

* Juliana de Souza

* Karina Fernandes de Camargo

* Larrissa Figueiredo S. Salmen Bulhões

* Marcella Leite Farha

* Maria Thereza J. Ferreira Sá

* Mariana Ribeiro Haddad

* Mariel Gomes Duarte

* Marina Soriano Ferraz de Campos Salles

* Mayra Nunes Almeida

* Nathalia R. Alves

* Nathalia Valentim

* Paula Sayuri Nakasato Bello

* Talita de Carvalho Alves Neves

* Tatiana de Carvalho Chimbo

* Taís Nader Martha