Hospital pesquisa qualidade da marcha
Hospital pesquisa qualidade da marcha
Texto: Sabrina Magalhães
Aparelho de baropodometria mede a pressão dos pés e permite identificar várias anomalias
O Instituto Lauro de Souza Lima adquiriu, há cerca de dois meses, um aparelho de baropodometria, que permite medir com precisão a intensidade e os pontos da pressão exercida sobre os pés. O aparelho deu início a uma pesquisa sobre a qualidade do andar. Segundo os profissionais envolvidos, é um dos primeiros baropodômetros no Brasil e deve ser o pontapé inicial para a formação, a médio prazo, de um Laboratório da Marcha em Bauru.
De acordo com o fisioterapeuta Henderson Moreira de Magalhães, o paciente coloca uma palmilha com sensores num sapato apropriado
(de solado). Esta palmilha é acoplada ao computador, que faz a leitura da pressão na planta do pé. O paciente caminha por alguns metros, o aparelho registra e o especialista avalia. Através da imagem, é possível perceber se há sobrecarga em algum ponto e se alguma parte do pé está suspensa, por exemplo.
Mas o fisiatra José Antonio Garbino explica que, no Hospital, o aparelho vai auxiliar pacientes com insensibilidade nos pés, como diabéticos e hansenianos. Eles podem se ferir sem perceber. Então é preciso identificar se há alguma irregularidade na distribuição da pressão e confeccionar sapatos adequados, que impeçam os ferimentos.
"Além disso, vamos usar o aparelho para o controle de qualidade do nosso trabalho. É uma pesquisa que vai mostrar caminhos também. Aqui, a gente tenta resolver problemas severos de distribuição de pressão, paciente com distúrbio ósseo, destruição óssea grave. O aparelho mostra o problema e nós fazemos os sapatos ou palmilhas para corrigir. Depois vamos avaliar se o tratamento resolveu o problema."
Para o ortopedista Ary Souza, um excelente auxiliar para cirurgias:
"O paciente faz o teste, verificamos que ele tem uma deformidade e que descarrega mais peso sobre determinados ossos. Com o aparelho conseguimos detectar exatamente qual é o ponto afetado e fazemos a cirurgia no local exato. Depois, submetemos o paciente a novos exames, para controlar, ver se conseguimos descarregar o osso. É um aparelho muito complexo, sabemos pouco sobre ele, mas é um excelente auxiliar".
Alto custo
De acordo com Henderson, no entanto, o custo do aparelho impede sua aplicação em larga escala. O conjunto de computador, programa e placas sensoras foi comprado por US$ 30 mil. "Cada palmilha sensora custa 25 dólares. O par sai a 50 dólares. Os sensores duram mais ou menos dez avaliações. Então, para fazer isso fora do Hospital ficaria muito caro. Teremos que achar um meio de baratear. O que poderíamos fazer é o próprio paciente comprar suas palmilhas, mas e as pessoas que não têm condições de comprar? Por isso ainda estamos fazendo pesquisas, buscando alternativas para baratear o exame."
Por enquanto, uma das linhas de pesquisa é comparar os testes realizados através do baropodômetro com os resultados de métodos antigos. A idéia é validar seus resultados, analisando, no final do tratamento, qual o caminho sai mais barato para pacientes e instituições de saúde. O conhecimento será repassado para centros de saúde e outros hospitais, melhorando suas condições de diagnóstico, com poucas despesas.
Utilidade obsoleta
Antes do aparelho de Baropodometria, os profissionais do Instituto usavam um equipamento bastante simples para avaliar a pressão na planta dos pés. Uma armação de ferro, com um tampo de vidro resistente e um espelho móvel embaixo. O paciente ficava de pé sobre o vidro, enquanto o médico fazia observava a pressão pelo reflexo no espelho. Era possível comparar a distribuição do peso e a forma dos pés. Porém, não dava para, por exemplo, medir a intensidade desta pressão. Com o baropodômetro, em poucos segundos o médico fica sabendo se há uma anomalia. Pode avaliar se o paciente exagera na pressão colocada sobre os pés na hora de impulsionar o corpo para a frente, ou se ele bate o calcanhar no chão ao caminhar. O baropodômetro permite que se faça uma avaliação de pressão em todo o corpo, mas, por enquanto, o Hospital só adquiriu as placas para os pés. "É um aparelho que ainda precisa ser muito investigado."