07 de julho de 2026
Geral

Acidente

Rita de C. Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

Cavalo na pista mata mais um

Cavalo na pista mata motociclista

Texto: Rita de Cássia Cornélio

O ajudante geral José Claudinei de Oliveira Apolinário, 21 anos, foi mais uma vítima de acidentes de trânsito envolvendo animais na pista. A diretora da União Internacional de Proteção aos Animais (Uipa), Damair Pereira de Almeida, criticou a Prefeitura por não recolher os animais soltos na ára urbana.

O acidente aconteceu por volta das 23 horas de anteontem, na rodovia Elias Miguel Maluf (a Bauru-Piratininga), em um local conhecido como baixada do Rio Batalha. A vítima trafegava com a moto placa CIF 2824, de Bauru, e bateu contra um cavalo que estava na pista.

O local, segundo a polícia, é mal iluminado. Quatro cavalos estavam andando na pista quando o acidente ocorreu. O motociclista sofreu ferimentos graves e foi socorrido pela Unidade Resgate do Corpo de Bombeiros. O impacto da moto contra o corpo do animal provocou ferimentos graves na vítima e danos de grande monta no veículo. Apolinário não resistiu aos ferimentos e morreu.

A diretora da Uipa, Damair Pereira de Almeida, se emocionou ao falar sobre o assunto. "Esta morte poderia ser evitada, se em Bauru, houvesse um serviço para recolher animais, nas vias urbanas". Ela explica que desde às 18h30 de anteontem estava tentando recolher os animais envolvidos no acidente.

"Fui avisada que os animais estavam na pista da avenida Castelo Branco. Recolhi três cavalos e fiquei sabendo que havia mais quatro, próximos da rodovia. Os três ficaram amarrados em terrenos baldios enquanto eu alugava um caminhão para transportá-los", disse.

Ela alega que procurou a Prefeitura, mas não conseguiu um caminhão para recolher os animais. "Fui atendida pelos vigias. Me informaram que o caminhão que recolhe animais não trabalha no período noturno. Tentei o caminhão do Departamento de Estradas e Rodagem (DER) e também não consegui", contou.

Por volta das 23 horas, a diretora da Uipa conseguiu resolver o problema. "Os quatro cavalos iam ser recolhidos no Centro de Controle de Zoonoses da Prefeitura. Eu já tinha arrumado um caminhão e ia pagar do meu bolso, mas não deu tempo. A polícia me avisou que o acidente já tinha ocorrido", lembrou.

Damair de Almeida lembra que há um convênio de colaboração mútua entre o DER e a Prefeitura para recolher animais nas pistas e evitar acidentes. "A nossa Constituição, artigo 37, inciso 6.º, diz que o Município é responsável pelos danos causados a terceiros devido a insuficiência de serviço de fiscalização nas vias urbanas, com animais", citou.

No entender da diretora, cabe à Prefeitura recolher os animais. "Não é possível à Uipa continuar patrocinando o serviço de recolha de animais. Em outros acidentes, muitas vezes precisamos sacrificar animais e os veterinários do Centro de Controle de Zoonoses não atendem", disse.

Prefeitura é responsável pela captura na área urbana

A Secretaria Municipal de Saúde informou que a viatura que efetua o transporte de animais é de modelo muito antigo e, em função disso, de cara manutenção porque já não está mais comportando a demanda do serviço. A Secretaria de Saúde esclarece que já tentou solucionar tanto a questão da viatura

(até mesmo em forma de doação) quando a de pessoal para efetivar um esquema de apreensão de animais, mas não dispõe de dotação orçamentátia para este ano.

No entanto, os dois tópicos já foram inclusos na dotação do órgão para o próximo ano. A Secretaria de Saúde lembra que este é um problema que vem se arrastando há muito tempo e, muitas vezes, o DER colabora com a Prefeitura, atendendo a alguns pedidos, quando possível, mas a responsabilidade do Município

é com relação à apreensão e transporte na área urbana.

A apreensão de animais às margens das rodovias cabe ao DER. A Secretaria de Saúde aproveita para destacar que mantém um plantão de veterinários que podem ser acionados através de um BIP para o atendimento de casos de risco à saúde pública. Também ressalta que os proprietários de animais precisam ter consciência dos perigos em mantê-los soltos, não só pela possibilidade de perda da própria ferramenta de trabalho, o que acontece na maioria das vezes, mas também pelas consequências trágicas que podem causar.