17 de março de 2026
Geral

Câncer de pele

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 4 min

Cicatriz pode ser mais feia que pinta

Cicatriz pode ser mais feia que pinta

Texto: Sabrina Magalhães

Médicos desaconselham a extração de pintas benignas por razões estéticas. Mas se há características malignas, a cirurgia é inevitável

Muitas pessoas vão aos consultórios médicos para extrair as pintas, mesmo sabendo que estas são benignas e que podem ficar ali sem qualquer problema. Estas pessoas geralmente desconsideram que toda cirurgia deixa uma cicatriz e que, algumas vezes, a marca pode ficar maior e mais feia do que o próprio tumor.

"Principalmente quando a pinta está localizada nas costas, nos ombros, no colo, onde a musculatura é muito forte e a cicatrização fica mais difícil", explica o dermatologista Antônio Carlos Martelli. Ou seja, o médico extrai a pinta e dá o ponto no local. Dias depois, ao tirar o ponto, a cicatriz é apenas uma linha bem fina. No entanto, a parte mais profunda da pele ainda não se regenerou e qualquer movimento que se faça, os músculos distendem, fazendo alargar a cicatriz, de forma que ela acaba ficando maior que o habitual.

Em alguns casos, a cirurgia resulta no que os médicos chamam de quelóide, que é quando a própria cicatriz vira um tumor. Muitas pessoas têm tendência à formação de quelóides. Neste caso, todas cicatrizes ficarão feias. Então, a pessoa corre o risco de tirar uma pinta com meio centímetro de diâmetro e ficar com um quelóide de um centímetro. Um prejuízo desnecessário se a pinta for benigna.

"Mas isso pode acontecer. Porque a gente pergunta para o paciente se ele já fez alguma cirurgia. Não. Se tem alguma cicatriz. Não. O médico diz que a pinta

é benigna, mas a pessoa diz que quer tirar assim mesmo. O médico coloca quais os riscos que ela está correndo, explica que a cicatriz pode ficar pior que a pinta, ela insiste em fazer a cirurgia, o profissional faz", destaca o dermatologista Wagner Monteiro Cardoso.

Ele comenta que se, mesmo conhecendo todos os riscos, o paciente insistir em extrair o tumor benigno, o ideal é adiar a cirurgia para o inverno, quando a exposição solar

é menor. Segundo ele, a radiação solar do verão torna a cicatrização mais difícil

(e qualquer exposição ao sol escurece a cicatriz).

Extração obrigatória

"Muda totalmente quando o paciente tem uma história de câncer na família e tem uma pinta suspeita. Ou quando a pinta tem características potencialmente cancerígenas. Nestes casos, mesmo não tendo certeza de que é um câncer, se eu não posso afirmar que é realmente benigna, então o caminho é a extração. Porque como é que eu vou ter certeza de que é benigna ou maligna? Tirando e mandando para o patologista. Se você achar que a pinta tem pinta de ser um câncer, o caminho

é a cirurgia", enfatiza Cardoso.

Contudo, Martelli comenta que nem sempre é preciso submeter o paciente à cirurgia. Quando o tumor é pequeno e de um tipo maligno de menor agressividade, com poucas chances de metástase (quando o câncer não se espalha), pode ser eliminado com tratamentos mais sofisticados, como certos equipamentos a laser. A queima do tumor, com produtos específicos também pode ser uma boa opção.

"Se mexer não vai virar câncer?"

"Uma coisa muito importante, que precisa ser ressaltada,

é que as pessoas têm medo de tirar a pinta. O médico diz que é melhor tirar só para evitar um problema futuro, a pessoa questiona: 'Mas se for mexer não vai virar câncer?' Isso é um mito, um conceito errado que as pessoas têm. Isso porque antigamente, não havia especialistas", destaca Martelli.

Ele lembra que esse mito surgiu porque décadas atrás só havia médicos generalistas, não havia especialistas. Então, era comum o médico extrair um tumor e simplesmente jogar no lixo, sem fazer um exame detalhado. Hoje em dia, todo tumor removido é encaminhado para o patologista que, além de dizer se o tumor era benigno ou maligno, pode identificar se alguma "raizinha" dele, algum resíduo do câncer, sofrou no corpo do paciente. Se sim, ao receber o laudo do patologista, o médico chama o paciente e completa o procedimento.

Ou seja, antigamente, acontecia do médico deixar restos do tumor no corpo do indivíduo e esses restos davam início

à metástase. Hoje, os avanços da Medicina garantem a extração completa do tumor. "Não existe isso de mexer num tumor benigno e ele virar câncer. Se virou câncer é porque já era maligno. O fato de você quebrar o tumor pode acelerar o processo de reprodução, mas isso iria acontecer de qualquer forma. Talvez só demorasse mais algum tempo."

Fatores de risco para câncer de pele

* Predisposição genética, quando há casos de câncer na família;

* Ter pele clara e sensível, comum nos descendentes de alemães e italianos;

* Trabalhar sob o sol, como lavradores, garis e motoristas;

* Ser morador de regiões ensolaradas, mais próximas da linha do Equador;

* Sofrer exposição freqüente a raios-X e substâncias tóxicas;

* Ter cicatrizes decorrentes de doenças, lesões ou queimaduras (a cicatriz pode ganhar características malignas).