08 de julho de 2026
Geral

Câncer de pele

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 4 min

Cerca de 10% das pintas viram câncer

Cerca de 10% das pintas viram câncer

Texto: Sabrina Magalhães

O tumor maligno pode surgir em qualquer das mais de 10 estruturas que compõem a pele

De acordo com o dermatologista Wagner Monteiro Cardoso, cerca de 10% das pintas evoluem para câncer. Uma porcentagem muito grande, considerando-se que a maioria das pessoas tem pintas espalhadas pelo corpo. E esse risco aumenta muito quando há uma tendência hereditária ao aparecimento de câncer e quando a pessoa se expõe a determinados fatores ambientais, entre eles principalmente o sol e a poluição.

O médico explica que as pintas são muito mais complexas que as verrugas, porque podem aparecer em diferentes tamanhos, formatos e cores. O diagnóstico leva em conta cada um destes itens, sendo que quanto mais escura, rasa e disforme, mais perigosa.

"Para o dermatologista, toda pinta é um tumor benigno e isso não quer dizer que a pessoa vai ter um câncer, mas que pode ter. Então, se eu tenho um paciente que tem muitas pintas, de tamanhos, formas e cores variados, eu peço para ele vir ao consultório uma vez por ano para que eu possa acompanhar."

Ou seja, uma pinta não representa qualquer risco enquanto mantém suas características originais. Mas, conforme o dermatologista Antônio Carlos Martelli, há quatro detalhes que devem ser observados constantemente nas pintas: se elas aumentam de tamanho, mudam de cor, coçam ou sangram,

é sinal de que podem estar passando de um tumor benigno para um pólo maligno. É hora de ir ao médico.

Havendo qualquer suspeita de que a pinta possa ser maligna, deve-se retirá-la, esteja onde estiver. Neste caso, geralmente o médico retira um pouco mais de pele nas laterais, dando uma margem de segurança. O material extraído é, então, encaminhado ao patologista, que vai examinar a "peça" e emitir um laudo. "Se o resultado é realmente um câncer, então nós chamamos o paciente de volta para completar o procedimento e para acompanhar a evolução do quadro."

Origem

A pele é um órgão muito mais complexo do que se imagina, como pode ser observado na figura acima. São três camadas, onde estão alojados diferentes tipos de células e estruturas. Segundo Martelli, o tumor pode aparecer em qualquer um destes componentes: epiderme, derme, hipoderme, glândulas sebáceas, glândulas sudoríparas, pêlo, músculo eretor do pêlo, células de gordura, vasos sangüíneos, terminações nervosas, etc.

"Evidentemente, quanto mais profundo o tumor estiver na pele, menos saliência ele vai fazer. Um tumor com origem num ponto profundo, para ser encontrado, tem que ser grande e estamos falando de algo do tamanho de uma ervilha, algo que você possa sentir ao passar a mão. Menor que isso, você pode não notar. E muitas vezes, quando ele está dentro da pele, encontrá-lo é um achado, é por acaso."

Verrugas

Para a população em geral, tudo o que cresce na pele leva o nome de verruga. Mas os médicos esclarecem que este termo, na Medicina, só é usado para identificar tumores causados pelo papiloma vírus e que têm a superfície verrucosa, ou seja, áspera. "Apesar de ser causada por um vírus e, portanto, contagiosa, nem todo mundo pega. É como o herpes, um vírus, mas que só se manifesta se a pessoa tem baixa resistência imunológica ou tem tendência genética para isso. Então, se seus pais têm verruga, você tem mais chances de ter e normalmente o vírus se manifesta ainda na infância", afirma Cardoso.

Mas o dermatologista explica que, como todo vírus, a verruga pode ter um ciclo de vida, ou seja, a verruga pode cair ou desaparecer sozinha depois de alguns dias ou meses. "É por isso que, muitas vezes, as simpatias funcionam. A evolução do vírus é de 30 dias. No vigésimo a pessoa vai à benzedeira, no trigésimo a verruga cai, a pessoa fala que foi graças à benzedeira."

No entanto, ele ressalta que algumas destas simpatias realmente funcionam e têm explicações científicas.

É o caso do uso de comprimidos de Ácido Acetil Salicílico sobre as verrugas. O ácido vai corroer o tumor. Nos consultórios, este procedimento pode ser feito com bisturis elétricos, nitrogênio líquido ou outras substâncias que

"queimam" o local.

Outra simpatia muito comum é amarrar um fio de cabelo ou uma linha na base da verruga. Segundo Cardoso, o tumor é nutrido por um vaso sangüíneo. Ao amarrar a base do tumor, corta-se a nutrição dele e ele morre, necrosa.

"Só que isso é perigoso, porque o fio de cabelo e a linha são coisas que pegam sujeira. Quando a verruga necrosa, ela pode infeccionar. Não é à toa que para extrair uma verruga ou uma pinta utilizamos um centro cirúrgico, com tudo limpo e esterilizado e materiais descartáveis."