08 de julho de 2026
Geral

Driblando a crise

Luciano Augusto
| Tempo de leitura: 5 min

Cidades precisam explorar suas vocações, diz Secovi-SP

Cidades precisam explorar suas vocações, diz Secovi-SP

Texto: Luciano Augusto

Para amenizar os efeitos da recessão econômica e captar os investimentos que estão migrando dos grandes centros para o Interior, o presidente do Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação e Administração de Imóveis Residenciais e Comerciais de São Paulo

(Secovi-SP/Sindicato da Habitação), Walter Lafemina, 52 anos, diz que as cidades precisam explorar suas vocações naturais.

O Secovi-SP representa um dos maiores setores econômicos privados do País, senão o maior. O setor imobiliário responde por quase 15% do Produto Interno Bruto (PIB) e por mais de 13 milhões de empregos em todo o País. O presidente do sindicato, Walter Lafemina, esteve em Bauru, no início desta semana, participando do "Encontro Regional da Indústria Imobiliária: produção e mercado", organizado pelo Centro das Indústrias da Construção Civil do Centro-Oeste Paulista (Cincoesp), regional do Sindicato das Indústrias da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon-SP), Secovi-SP e Associação dos Administradores e Corretores de Imóveis de Bauru (Aciba).

Para encontrar essas "vocações", as cidades devem "varrer", com pesquisas e estudos, todos os cenários, principalmente as entidades e os empresários locais para medir como fluem os empreendimentos. As cidades devem se localizar no que pede o consumo e preparar o produto certo para este consumidor. Muitas vezes as cidades não se modernizam e podem estar deixando escapar um cenário promissor por falta de saber o que o comprador quer. Uma coisa é certa: a verticalização é fato consumado.

Lafemina afirma, como exemplo (guardadas as devidas proporções), que na cidade de São Paulo tem mais pessoas se separando do que casando. Outro exemplo

é o avanço das mulheres como consumidoras. Hoje, como ressalta o presidente do Secovi-SP, a mulher sai da casa dos pais, não mais para se casarem, mas sim por questões pessoais e profissionais. "Então, neste caso, é necessário se fazer um estudo para saber como anda o mercado de separados, que é um mercado novo que se dirige para o flat e para o loft", complementa.

Mesmo num cenário em que não há entusiasmo na compra, Lafemina garante que "se houver um produto o qual as pessoas querem comprar e que estavam esperando que ele acontecesse, essa empolgação pode superar as anomalias que prejudicam o setor, dando uma condição melhor para que o mercado funcione melhor do que está funcionando hoje".

Para ele, o Interior será, com certeza, o "futuro pólo" de atração de investimento. O município de São Paulo, por exemplo, está deixando de ser uma cidade industrial e passando a ser prestadora de serviços, abrindo para todo o Interior uma expectativa de ter indústrias indo povoar e trabalhar fora dos grandes centros.

Neste ponto, o presidente do Secovi-SP ressalta que o trabalho das prefeituras municipais, agindo na captação e criação de novas expectativas, serve para entusiasmar as empresas que estão se mudando, procurando outros locais para exercer sua atividade. As cidades que melhor se dedicarem em atrair essas empresas industriais que estão se mudando sairão na frente.

Lafemina conta que fez, na última semana, uma palestra em Fortaleza, Ceará, e a situação que encontrou na cidade ilustra claramente essa preocupação.

"Cheguei em Fortaleza e lá é outro mundo, é outro País. Porque? Porque os Governos municipal e estadual estão funcionando muito bem, administrando bem a cidade". Um dos motivos é que a cidade tem uma folha de pagamento compatível com a receita do Estado, que gira em torno de 53%, sendo que o restante é gasto em manutenção e investimentos na cidade. "É, nessa relação, a melhor cidade do Brasil", afirma o representante da classe imobiliária. "Então, isso demonstra a importância da regularidade administrativa dentro da cidade", avisa.

Na área imobiliária, Lafemina destaca a disseminação dos flats, "que demonstraram estar substituindo os investimentos hoteleiros". Segundo ele, investir em hotéis deixou de ser vantajoso e os investidores ainda têm a mentalidade de um retorno rápido e altíssimo, melhor até do que os rendimentos no mercado financeiro.

Com os flats, os investidores do ramo imobiliário procuram um retorno parecido com o de locação de imóveis, "que não tem a chateação da locação e com uma manutenção profissional". Em São Paulo, aponta Lafemina, isso já acontece. Já o investidor hoteleiro está comprando unidades imobiliárias, como os flats, visando participação em sociedades hoteleiras.

Para Lafemina, este tipo de movimentação indica a chegada da modernidade no desenvolvimento do mercado imobiliário.

"Isso poderia acontecer com Bauru", acredita o homem forte do Sindicato da Habitação no Estado. Para tanto, volta-se na questão inicial, a necessidade de pesquisar o mercado, fazendo um levantamento sobre as reais necessidades hoteleiras e a viabilidade de criação dos flats, "verdadeiros hotéis de até cinco estrelas, com a competência e a profissionalização deste tipo de empreendimento".

Até aqui, entretanto, tudo parece muito simples? Mas... e o estado de recessão do País? Como conseguir fechar um negócio? "No mercado, há a credibilidade econômica que está em estado de crise, quer dizer, num estado de recessão para se combater a inflação, para se combater os juros, para se cativar a poupança". Existe, ainda, e bem mais perigosa, a instabilidade política. Embora o Governo já estivesse acenando com uma redução de juros, nos últimos dias o dólar voltou a subir. Além disso, com a elevação dos juros americanos são grandes as chances do Brasil ter de fazer o mesmo, para segurar investidores aqui no País.

Nessa matéria-prima, Lafemina afirma que ter credibilidade na situação econômica

é tão fundamental quanto a política de juros. Com os juros muito altos, as pessoas procuram poupar, deixam o seu ativo financeiro no mercado financeiro e postergam quanto mais puderem a decisão de compra.

Uma política de juros menores ou de queda de juros como vinha sendo apregoada pelo Governo, é uma boa sinalização para a economia. "Mas junto com a diminuição das taxas de juros, precisamos ter a credibilidade na instituição Governo, com um cenário positivo de desenvolvimento do Brasil para que as pessoas se resolvam e decidam pela compra do imóvel".