08 de julho de 2026
Geral

Show

Ricardo Polettini
| Tempo de leitura: 3 min

Ultraje a Rigor: embalando gerações

Ultraje a Rigor: embalando gerações

Texto: Ricardo Polettini

Em meados dos anos 80, surgia no Brasil uma nova cena roqueira. Bandas como Legião Urbana, Plebe Rude, Capital Inicial, Titãs e Ira!, entre muitas outras que despontavam na época, se empenhavam em rechear suas canções com letras retratando o inconformismo com a então recém-conquistada democracia, encarnada na figura do presidente Sarney e suas "fiscais".

Remando contra a maré, vinha o Ultraje a Rigor com o seu

"Nós Vamos Invadir Sua Praia", de 85, que, falando de tudo, menos de política, conquistava os fãs mais preocupados em ouvir um bom rock'n roll do que se engajar em causas mais "nobres".

O disco virou "bolacha" obrigatória nas festinhas mais badaladas, conseguindo emplacar nas rádios quase todas suas faixas. Alguém com mais de 25 anos que nunca tenha curtido um agito ao som de "Rebelde Sem Causa", "Ciúmes",

"Marylou", "Inútil", "Eu Me Amo" e "Independentes Futebol Clube" que atire a primeira pedra.

O trabalho seguinte, "Sexo", de 87, veio no embalo do primeiro e, não diferente, emplacou com várias músicas, como "Pelado", que foi tema da novela "Brega & Chic", da Globo. O vinil trazia no selo central dois cachorros em pleno ato sexual e foi um pequeno escândalo para a época. Os fãs adolescentes não deixaram de comprar o disco, mas muitos o fizeram escondido dos pais.

Depois viria "Crescendo", já em 89, esse mais obscuro e alternativo, com faixas instrumentais, experimentalismos eletrônicos e alguns poucos sucessos, como "Chiclete" e "Volta Comigo". Nesse disco, havia um pouco de política na faixa "Filho da P...", ("Morar nesse país

é como ter a mãe na zona..."), que mereceu do falecido apresentador Edson Cury, o Bolinha, a classificação de "indecente".

Durante esse período e nos anos seguintes, a banda lançou outros discos, com covers e regravações, todos com boa vendagem, mas nada comparado aos dois primeiros discos.

Novo Ultraje

O vocalista e líder Roger Moreira é o único remanescente da formação original do Ultraje. No entanto, o espírito irreverente e provocador da banda parece ter contagiado os novos integrantes do grupo em "18 Anos Sem Tirar".

O disco traz a banda em sua formação atual tocando ao vivo e com muita energia seus grandes sucessos, além de quatro faixas novas. O show de sábado deve concentrar antigos e novos fãs do Ultraje. "Inútil" dizer, mas quem viveu e curtiu, sabe que é imperdível.

Serviço

A banda Ultraje a Rigor apresenta o show "18 Anos Sem Tirar" no próximo sábado, dia 4, a partir das 22h30, na Cervejaria dos Monges (a casa abre às 21 horas). Ingressos: R$ 30,00, R$ 20,00 (patrocinadores e promoters), R$ 25,00 (antecipados na Cervejaria) e R$ 15,00 (estudantes com carteirinha da UNE, Umes e Umesb, no dia, a partir das 15 horas). Mesas: de R$ 40,00 a R$ 120,00. Camarotes: R$ 200,00. Apoio: Saint Paul Residence, Tiliform, SAT Engenharia, 96 FM e Jornal da Cidade. Patrocínio: Papelco e Tilibra. Avenida Getúlio Vargas, 7-50. Informações: 234-7377.