Famena já faz cirurgia de redução do estômago via SUS
Famema já faz redução de estômago
A Faculdade de Medicina de Marília já está realizando a cirurgia de redução do estômago via Sistema Único de Saúde
Marília - Uma cirurgia que reduz em quase 96% o volume do estômago é a mais nova alternativa radical de emagrecimento. Por enquanto, ela é indicada apenas a pessoas consideradas obesas mórbidas, pesando geralmente acima de 140 kg e que possuem compulsão por comida.
A Faculdade de Medicina de Marília já está realizando esta cirurgia que existe há mais de 20 anos nos EUA, mas apenas recentemente foi autorizada pelo SUS a ser feita em alguns hospitais universitários no País.
A técnica para forçar o emagrecimento através da redução do estômago é indicada somente
àquelas pessoas com índice de massa corporal superior a 40, obtido através da divisão do peso pela altura ao quadrado. Estes obesos correm o risco de ir a óbito devido a problemas relacionados ao diabetes, pressão arterial e a doenças coronarianas. Até o momento, não está autorizada a realização da cirurgia por razões estéticas.
Na região, a primeira cirurgia deste tipo foi realizada no mês passado no Hospital das Clínicas pela equipe médica chefiada pelo cirurgião gástrico Benedito Pilon.
Denominada gastroplastia vertical com bandagem e reconstrução a Y de Roux, a técnica consiste, literalmente, no grampeamento do estômago de forma a deixar um coto gástrico de volume aproximado de 30 ml. Depois, este é anastomosado em uma parte do intestino delgado.
Estas suturas e secções são realizadas com auxílio de aparelhos denominados grampeadores mecânicos. Para evitar a dilatação deste micro estômago um cinto de material sintético, podendo ser o dacron ou o polipropileno é colocado na forma de bandagem.
A concepção desta técnica é que, ao diminuir o volume do estômago em 96%, limita-se a quantidade de alimento a ser ingerido, bem como o apetite do paciente. "Após a cirurgia, a pessoa consegue ingerir apenas duas colheres de sopa de comida, quantidade suficiente para satisfazê-lo", explica o cirurgião.
Segundo Pilon, para evitar o risco de desnutrição, os pacientes que se submetem a cirurgia deverão receber acompanhamento e orientação de um nutricionista para controlar e medir a quantidade de calorias diárias ingeridas e o déficit de vitaminas e sais minerais. O número de refeições por dia, no entanto, será aumentado. No primeiro ano, o paciente deverá também ter acompanhamento de outros profissionais como psicólogos e endocrinologistas para se adequar aos novos hábitos alimentares.
Nos primeiros 20 dias após a cirurgia, a primeira paciente operada na Famema conseguiu emagrecer 15 quilos e já anda 15 minutos por dia. A expectativa dos médicos é que ela atinja o seu peso ideal no prazo de um ano e meio. Como haverá sobra de grande quantidade de pele após o
emagrecimento, também deverão ser feitas várias cirurgias plásticas no próprio Hospital das Clínicas para a retirada de tecido das pernas, braços e abdômen.
Antes do procedimento, o paciente deve ser submetido a rigoroso estudo de avaliação, principalmente das funções renal, hepática e pulmonar. A permanência hospitalar no pós-operatório é, em média, de sete dias.
Pilon alerta que a cirurgia é contra-indicada para pacientes obesos mórbidos com grave quadro de cardiopatia, de doenças pulmonares e doenças psiquiátricas.