08 de julho de 2026
Geral

Atropelamentos

Fábio Grellet
| Tempo de leitura: 4 min

Atropelamentos preocupam polícia

Atropelamentos preocupam polícia

Texto: Fábio Grellet

Número de acidentes aumenta ou diminui ao acaso, segundo capitão da Polícia Rodoviária, que recomenda atenção

Nas últimas semanas, diversos atropelamentos foram registrados nas rodovias que atravessam a área urbana de Bauru. No mês de agosto, segundo estatística da Polícia Rodoviária, quatro pessoas foram atropeladas e duas delas morreram. Em julho, os números indicam uma situação mais grave: dez pessoas foram atropeladas e três delas morreram.

(confira no boxe)

Segundo o capitão Augusto Francisco Cação, 34 anos, comandante da 1.ª Companhia do 2.º Batalhão da Polícia Rodoviária, a incidência de acidentes não obedece a fatores lógicos, mas ao acaso. Assim, a quantia de atropelamentos se alterna a cada mês, às vezes de forma a despertar maior atenção.

Conforme Cação, o crescimento das cidades faz com que as rodovias, atualmente, passem muito próximo ou até mesmo dentro de bairros da periferia. Com isso, cresceu a probabilidade de moradores ou freqüentadores desses bairros próximos das rodovias se envolverem em atropelamentos, pois a necessidade de atravessar a pista tornou-se mais freqüente - até então, os andarilhos eram as principais vítimas de atropelamentos nas rodovias.

Há, portanto, dois tipos de vítimas desses atropelamentos: os andarilhos, que andam durante horas à margem das rodovias

- e aqueles que por um instante precisam atravessá-la. Conforme o capitão, porém, os andarilhos eventualmente também são atingidos no meio da pista, porque, quando o acostamento de um lado têm problemas, eles são obrigados a atravessar a pista para continuar a caminhada no acostamento do lado contrário.

Segundo Cação, o número de ocorrências registradas no perímetro urbano das cidades - envolvendo pessoas que provavelmente não são andarilhos, mas estavam apenas atravessando a pista, ou se locomovendo entre um endereço na zona rural e a cidade - é maior que o número de ocorrências registradas fora desse perímetro, nas áreas distantes das cidades - quando os andarilhos seriam as prováveis vítimas.

O número de vítimas fatais, porém, é equilibrado: como no perímetro urbano os motoristas dirigem com mais atenção e menor velocidade, embora o número de acidentes seja maior, as vítimas geralmente sofrem ferimentos menos graves. Já nas rodovias, o motorista é surpreendido pela presença do andarilho e, quando não consegue desviar, o atinge a uma velocidade maior - provocando, portanto, ferimentos mais graves ou até a morte.

A maioria dos acidentes - até 80% deles, segundo o capitão

- acontece ao final da tarde ou à noite, quando a visibilidade fica prejudicada - tanto o motorista tem mais dificuldade em identificar o pedestre, como este tem problemas para definir a velocidade com que o carro se aproxima.

Enquanto os acidentes com andarilhos acontecem com mais freqüência

à noite - período preferido por eles para caminhar, já que o calor é menor -, os atropelamentos nos perímetros urbanos são mais comuns ao final da tarde ou no início da noite. Durante a madrugada, o fluxo de pedestres nessas áreas é reduzido, o que diminui a probabilidade de ocorrer acidentes.

Segundo o capitão, não é raro o condutor do veículo causador do atropelamento fugir do local, especialmente quando percebe que ninguém presenciou o acidente - e, portanto, as chances dele ser identificado posteriormente são remotas. A decisão de parar ou não varia, ainda, conforme o motorista perceba que os ferimentos causados tenham sido leves ou graves. Se leves, a tendência é parar. Mas se, pelo impacto da batida, o condutor do veículo perceber que as lesões são graves, é comum o motorista não parar. Se ele é identificado posteriormente, afirma, em geral, que não percebeu ter atingido uma pessoa ou - quando o atropelamento acontece em perímetro urbano

- que teve receio de parar e ser agredido por moradores da área.

A Companhia comandada por Cação atende mais de 1,25 mil quilômetros de estradas, envolvendo rodovias estaduais, acessos e dispositivos de acessos. Segundo o capitão, a maioria dos atropelamentos acontece nos acessos - estradas que ligam as cidades às rodovias -, mas eles representam mais de 160 quilômetros, que não podem ser policiados em toda sua extensão e de forma contínua. Quando a polícia rodoviária é notificada sobre um evento realizado em local próximo à rodovia, desloca viaturas para auxiliar o trânsito no local e evitar atropelamentos e outros acidentes, mas a manutenção de policiamento ostensivo não é possível senão nessas ocasiões, até porque os atropelamentos são esporádicos.

Cuidados

Por isso, a melhor forma de evitar acidentes é manter constante atenção ao movimento de veículos, enquanto o pedestre está usando a rodovia.

Quem precisa caminhar à margem da rodovia deve usar sempre o lado contrário ao fluxo, de forma que seja possível ver os veículos vindo em sua direção.

Ao atravessar a pista, deve ser escolhido um trecho em que a visibilidade seja ampla: nada de atravessar próximo a aclives ou curvas. O pedestre deve ter consciência de que a velocidade de um veículo na pista é muito superior à desenvolvida por ele nas ruas de uma cidade; o veículo se aproxima muito mais rápido na pista, e o tempo para atravessar é reduzido. O pedestre deve tomar cuidado redobrado, ainda, se o motorista estiver dirigindo contra o sol, quando estará com sua visibilidade prejudicada. E, sempre que possível, deve evitar a travessia ou a caminhada à margem da rodovia durante a noite.