08 de julho de 2026
Geral

Homem no campo

Márcia Buzalaf
| Tempo de leitura: 8 min

Secretário defende emprego no campo

Secretário defende emprego no campo

Texto: Márcia Buzalaf

De passagem por Bauru para participar da comemoração do aniversário de um ano da Coordenadoria de Defesa Agropecuária

(CDA), o secretário da agricultura e do abastecimento do Estado de São Paulo, João Carlos de Souza Meirelles, defendeu a volta ao campo para os trabalhadores e destacou a importância do agronegócio para a retomada do crescimento da economia. Além disso, ele garantiu que o campo vai voltar a ter o mesmo índice de empregabilidade no campo de julho do ano passado.

Para o responsável pela política agropecuária de São Paulo - o mais importante da Federação nesta área - o Estado é a chave principal para a abertura do mercado internacional.

Destacando o nível de desenvolvimento agrícola e pecuário do Estado, Meirelles falou sobre o que precisa ser mudado na política do setor - os financiamentos - e ressaltou a participação na economia dos produtos brasileiros.

Veja os melhores trechos da entrevista concedida pelo secretário na comemoração do aniversário de um ano da CDA:

Jornal da Cidade: Como o senhor avalia este primeiro ano da defesa agropecuária e como classificaria a situação do cancro cítrico no Estado?

João Carlos de Souza Meirelles: É uma vitória, já que o Estado de São Paulo está alinhado com o melhor do mundo no sentido de defesa agropecuária. Isso porque não se admite mais não ter a inspeção legal de um organismo responsável na vigilância de doenças. O mundo moderno exige a certificação da qualidade dos produtos, especialmente os alimentícios, o que obriga a um controle rigoroso das plantas, dos animais e da transformação em alimentos. Isso é regido por organismos internacionais: a Organização Internacional de Epizootias (OIE), a Convenção Internacional de Proteção de Plantas e Codex Alimentar. São Paulo, como o maior exportador de produtos agroalimentares do Brasil, precisava desta estrutura.

O cancro é apenas um dos problemas da defesa. Já completamos 70% do rastreamento, pé por pé, na varredura do Estado. Já a erradicação da aftosa também

é importante. São Paulo é o maior exportador de carne bovina do País, embora não tenha o maior rebanho, mas porque tem as melhores indústrias que preparam para a exportação. Nós não apenas estamos completando quase quatro anos sem febre aftosa mas também concluímos há três dias a sorologia que começou em 1.º de agosto e que fez a verificação da inexistência de qualquer possibilidade de vírus no Estado de São Paulo. Isso dará a São Paulo e aos estados do circuito centro-oeste até o final deste ano a condição de zona livre de febre aftosa.

Jornal da Cidade: Como o senhor avalia a agricultura e a pecuária do Estado hoje em dia? Quais são os maiores problemas e quais são os recursos para administrar este parque?

Meirelles: Nós temos 17 milhões de hectares em atividade agrícola no Estado dos quais 3 milhões são de cana-de-açúcar. Agora mesmo nós firmamos um pacto para ressuscitar o setor, que emprega 600 mil trabalhadores. Também estamos com seis institutos de pesquisa que estão alinhados com a tecnologia.

Hoje, o maior "gargalo" que temos com o Estado é o financiamento da produção, que depende mais do Governo Federal. Em São Paulo, nós temos apenas um fundo para atividades pioneiras, que é o Fundo de Expansão da Pecuária e da Pesca. Nós estamos negociando com o Governo Federal para liberar em breve um volume grande de recursos, principalmente para novas modalidades. Isso porque o atual modelo de crédito rural está ultrapassado e não atende mais à agricultura paulista.

Jornal da Cidade: Seria voltado para a comercialização?

Meirelles: Não apenas para a comercialização, mas também para a venda de produtos. Ou seja, uma sistemática nova antes que o produtor plante.

Jornal da Cidade: Qual é o tamanho da dívida agrícola do Estado?

Meirelles: Não é grande. São Paulo é um dos estados mais adimplentes com seus compromissos. Isso não quer dizer nada. O problema é que o modelo de crédito rural é um modelo inteiramente bancário, e não agrícola. Não atende as peculiaridades da atividade agrícola.

Jornal da Cidade: Falando um pouco sobre a situação da cana, na região, vários trabalhadores do setor foram demitidos. O Estado tem algum programas para a volta destes trabalhadores ao campo?

Meirelles: Tem programa assinado com a Federação dos Trabalhadores na agricultura, na alimentação e na indústria química. E nós temos um pacto assinado em que nós vamos devolver o nível de emprego ao que estava em 1.º de julho do ano passado. Como nós estamos devolvendo as condições de preço do álcool e do açúcar, nós estamos devolvendo a capacidade competitiva do setor e, como condição do governo, o nível de empregos.

Jornal da Cidade: Não seria o caso de colocar mais trabalhadores da cidade no campo?

Meirelles: Isso é uma escolha pessoal. O modelo que São Paulo está desenvolvendo visa uma utilização intensiva da mão-de-obra no campo, em pequenas propriedades. Em São Paulo, mais da metade das propriedades são de micro e pequenos produtores.

Jornal da Cidade: Como está o desenvolvimento tecnológico do Estado?

Meirelles: Em termos equivalentes, São Paulo está equiparado com os melhores centros de desenvolvimento do mundo. Nós acreditamos que o agronegócio seja a única fonte de emprego para os próximos dez anos.

É o único setor capaz de salvar a balança comercial do País, como fez no ano passado e no ano retrasado. Em 98, o Brasil estourou em 3,4 bilhões na balança e só não estourou em 17 bilhões porque o agronegócio garantiu 11,4 bilhões de saldo positivo na balança. Este ano, o ridículo saldo da ordem de US$ 1 bilhão positivo na balança total só

é viável porque nós vamos exportar US$ 23 bilhões do agronegócio dando um saldo positivo de US$ 13 bilhões.

CDA de 40 cidades participam da comemoração

Representantes da Coordenadoria de Defesa Agropecuária

(CDA) de todo o Estado participaram, em Bauru, do encontro comemorativo de um ano de atividades. De acordo com o coordenador da CDA no Estado, Júlio César Augusto Pompei, Bauru é privilegiado pela localização central no Estado e pelo próprio desempenho da unidade regional, dirigida por Vladimir de Souza Nogueira Filho. Aproximadamente 40 coordenadorias estavam presentes no encontro.

Para Pompei, o maior destaque da CDA neste primeiro ano é ter conseguido uma liberdade e autonomia maiores para tentar resolver alguns problemas que emperram o desenvolvimento de São Paulo nos agronegócios, principalmente para a exportação.

A febre aftosa e o cancro cítrico são os maiores desafios do Estado, e são tidos como as maiores barreiras para o aumento das exportações. "O parque cítrico de São Paulo é o mais importante do mundo, e sua importância social e econômica é enorme", justifica.

Pompei afirma que 99% do mercado de suco concentrado é destinado para o exterior. "Por isso, você tem que eliminar toda e qualquer barreira sanitária para continuar comercializando fora do Brasil", afirma ele.

Para o maior controle do cancro cítrico, um programa preventivo poderia evitar a necessidade de investir elevadas quantias no combate ao problema. Foram quase 800 focos da doença detectados este ano, que poderiam ser evitados com um trabalho de capacitação dos produtores rurais para conter a disseminação do cancro cítrico.

Para isso, Pompei destaca o seguro, em que o produtor que tiver medidas profiláticas recebe um desconto percentual. "Por exemplo, a participação do citricultor na indenização

é de 30% se não tiver nenhuma instalação de prevenção, e ai vai caindo. Se você tem uma medida, cai 5%, até chegar a zero. Isso ajuda porque quem não quer pagar o seguro, tem que ter medidas preventivas", completa Pompei.

Além disso, foram abertas linhas de crédito para a compra de equipamentos de colheita para ser pago em três anos com juros de 4% ao ano.

Agenda

No topo

A Agro-Ecológica de Botucatu vai realizar, nos dias 18 e 19, um curso sobre cultivo comercial de plantas medicinais. O objetivo é abranger desde o cultivo de espécies exóticas até de espécies nativas, controle de pragas, infra-estrutura necessária, fatores que influenciam a produção e a comercialização dos produtos. O curso será ministrado em Campinas e inclui visita nas plantações experimentais da Unicamp. Informações pelo fone: (14) 821-1866/821-4991.

Nelorista

O ex-presidente da Associação dos Criadores de Nelore do Brasil, Jayme Santos Miranda, vai promover a 9.ª edição do leilão da Estância JM amanhã, a partir das 10 horas, em Garça. Estarão sendo ofertados 100 touros em produção e 30 novilhas nelore padrão, todos avaliados pelo programa de melhoramento genético da raça Nelore. Informações: (43) 328-4200.

Unesp

A Unesp de Botucatu está com inscrições abertas para a pós-graduação em agronomia de setembro a novembro. As áreas de concentração oferecidas são: agricultura, energia na agricultura, horticultura, irrigação e drenagem e proteção de plantas. Informações pelo fone: (14) 821-3883, ramal 132, ou pela home-page: www.fca.unesp.br.

Alfafa

A Esalq/USP de Piracicaba vai realizar na próxima quinta-feira, dia 9, um seminário sobre manejo da pastagem da alfafa. Os interessados devem procurar pelo número (19) 422-9197.

Culinária

Os interessados em culinária rural têm encontro marcado no próximo dia 16, em São Paulo. A Associação Brasileira de Criadores (ABC), a Associação Brasileira de Turismo Rural (ABTR) e a Associação dos Engenheiros Agrônomos do Estado de São Paulo vão realizar o 1.º Seminário sobre Culinária Rural. Informações:

(11) 832-9369.