Família instala casa na calçada
Família instala casa na calçada
O desempregado João Paulo de Oliveira, 34 anos, foi obrigado a improvisar uma casa para a família em uma calçada da Vila Carolina. Anteontem, ele foi expulso do imóvel alugado onde morava por estar com o pagamento atrasado. Sem familiares a quem recorrer e sem dinheiro no bolso, Oliveira não teve outra alternativa a não ser ficar na rua.
João Paulo de Oliveira já trabalhou como vigia, porteiro, gerente de boate. Há seis meses, perdeu o emprego de vigia e não conseguiu mais nenhuma vaga no mercado de trabalho. Passou a viver de "bicos", dinheiro que não foi suficiente para garantir o pagamento em dia do aluguel. Ele, a esposa e um filho de 3 anos de idade viviam em um imóvel de dois cômodos, pagando R$ 155,00 mensais.
Com o aluguel atrasado há três meses, ele conseguiu dinheiro apenas para manter a alimentação da família. Anteontem, o proprietário do imóvel se cansou da situação e perguntou a ele quando o débito seria quitado. "Eu disse que não sabia porque estou sem dinheiro", acrescenta o desempregado.
Diante da incógnita, a dona da casa, segundo Oliveira, pediu para que dois garotos o intimidassem. Ele foi agredido e expulso do imóvel. "Não era preciso eles teria feito isso comigo, tanto foi injusto que até registrei um boletim de ocorrência para denunciar essa agressão", explica.
Sem ter para onde ir, ele retirou os móveis do local e colocou-os, ainda de madrugada, na calçada da mesma quadra onde estava morando. A esposa e o filho puderam permanecer o resto da noite na casa, mas ontem tiveram que sair do local. Até a tarde, Oliveira e sua família ainda estavam na rua. Geladeira, fogão, colchão, utensílios domésticos e roupas estavam amontoados em frente a um depósito comercial localizado na quadra 3 da rua Olavo Moura.
"Não temos para onde ir", explicava o casal.
"Não dá para entrar em uma casa se não tenho como pagar o aluguel". Ontem, eles venderam um aparelho de inalação para comprar marmitex, já que os alimentos que estavam na geladeira haviam estragado.
Oliveira conta que várias pessoas que passaram pela calçada chegaram a oferecer dinheiro, o que na sua opinião não resolve a situação. "Eu não quero esmola", argumenta. "Só preciso de um emprego; trabalho desde os 9 anos de idade, mas nunca enfrentei uma situação tão difícil como essa".(AA)