07 de julho de 2026
Geral

Desemprego

Adriana Amorim
| Tempo de leitura: 2 min

Solidariedade "salva" família despejada

Solidariedade "salva" família despejada

Texto: Adriana Amorim

A solidariedade impressionou ontem a família de João Paulo de Oliveira, 34 anos, que anteontem improvisou uma casa na rua depois de ser despejado de um imóvel por falta de pagamento do aluguel. Inúmeros leitores telefonaram ao JC para pedir informações sobre o casal e até o final da tarde Oliveira, já estava com o emprego garantido e instalado em uma casa.

Oliveira ficou desemprego há seis meses e não teve como manter em dia o pagamento do aluguel. Foi expulso do imóvel e, sem ter dinheiro e um local para onde ir, colocou a mudança na calçada. Ontem, o dono de uma imobiliária ofereceu uma casa onde a família poderá permanecer até se estabilizar. "É uma contingência que leva uma pessoa a ficar numa situação dessa", afirmou o proprietário da imobiliária, que preferiu não se identificar. "Tem muita gente que precisa de ajuda, mas o erro é a sociedade ficar esperando o governo tomar as providências".

Ivan Tobias, proprietário de uma fábrica de sabonetes, também fez a sua parte. Ele ofereceu emprego para João Paulo de Oliveira. A partir da próxima quarta-feira, o desempregado terá um serviço, o de serviços gerais. "Dependendo do seu desempenho, ele pode conquistar outro cargo", explicou Tobias.

O empresário já conhecia Oliveira e acrescentou elogios ao seu currículo. Segundo Tobias, ele sempre foi um empregado aplicado, honesto e que nunca deu problemas. "Não custa nada a gente ajudar as pessoas", garante.

Ana Karina Souza de Oliveira, 20, esposa de João Paulo, conta que não foram apenas a imobiliária e o empresário que ofereceram ajuda. Várias pessoas procuraram pelo casal na calçada onde estavam instalados. "O que nós enfrentamos de rejeição em um dia, tivemos de solidariedade no outro", desabafa. "Antes de receber as ajudas, achei que minha vida tivesse acabado".

Ela disse que várias pessoas ofereceram estadia na própria casa. Uma moradora de um bairro distante tomou um mototáxi para prestar solidariedade. "Tinha gente que até chorou e eu acabei consolando", conta Ana. O casal recebeu mantimentos e até brinquedos para o filho de 3 anos. Os vizinhos ajudaram oferecendo banheiro e a Polícia Militar passou pelo local durante toda a noite em que eles permaneceram na rua.

Ana e Oliveira não esperavam tanta ajuda e com duas palavras resumiram a gratidão. "Muito obrigado". Pessoas que ainda quiserem ajudar a família doando móveis podem telefonar para Onésimo no número 230-6891. O telefone é de Vieira Móveis, que se prontificou a buscar as doações.