07 de julho de 2026
Geral

Parto normal

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 4 min

Cesárea é feita quando há risco de vida

Cesárea é feita quando há risco de vida

Texto: Sabrina Magalhães

Crianças nascidas de cesariana correm mais riscos de apresentar problemas respiratórios e ir para a incubadora

Ao contrário do que é feito hoje, a técnica da cesariana só deveria ser utilizada como alternativa para salvar a vida de mãe e filho em gestações de risco. Aperfeiçoada ao longo dos anos, ganhou força com o advento da anestesia e dos antibióticos, que eliminavam a dor e os riscos de infecção. E passou a ser utilizada aleatoriamente por milhares de mulheres, no intuito de fugir da temida dor do parto normal. Resultado: elas antecipam o nascimento do bebê, não esperam o trabalho de parto e acabam correndo vários riscos, quase sempre sem saber.

De acordo com os especialistas, existem apenas alguns casos em que a cesárea é realmente indicada. Um deles é quando a mãe apresenta alguma doença, como hipertensão, diabetes ou disfunções cardíacas e corre risco de vida se entrar em trabalho de parto (porque não pode ficar ansiosa, perder sangue ou fazer esforço físico).

É preciso antecipar o nascimento para salvar a vida da mãe.

Outra situação que exige a cesariana é quando a bacia da mulher é estreita demais e não há espaço suficiente para o bebê passar. Não há o que insistir. Além de causar fortes e inúteis dores para a gestante, pode ferir o bebê.

E é para evitar o sofrimento da criança que a cesárea

é indicada na maioria das vezes. Um bebê muito grande merece a cirurgia, pois teria muita dificuldade em passar pelo canal de parto. Da mesma forma, se a criança está numa posição desfavorável (a correta é com a cabeça para baixo, encaixada na pélvis), sentada ou atravessada na barriga da mãe, ela não tem condições de sair pelas vias normais e precisa ser retirada dali por intervenção médica.

Problemas sangüíneos

Mas as causas que exigem urgência da cesariana são as situações em que há insuficiência do fluxo sangüíneo da mãe para a criança. Com menor oxigenação e nutrição, o bebê corre risco de morrer no útero materno. Isso pode acontecer devido a um descolamento de placenta (caso considerado de urgência) e envelhecimento da placenta, quando a gestação passa de 40 semanas e o trabalho de parto não começa. O médico geralmente indica a cirurgia para evitar que falte sangue para o bebê.

Há também os problemas com o cordão umbilical: durante a gestação, a criança se mexe na barriga da mãe, vira, muda de posição várias vezes. Em seus movimentos pode dar uma 'laçada' no cordão. Se o médico não consegue perceber durante o pré-natal e a mãe inicia o trabalho de parto normal, corre o risco de, durante as contrações, apertar o nó e cortar o fornecimento de oxigênio para o bebê. Ele só sobreviverá se o médico perceber a tempo e apressar o término do parto, muitas vezes com o auxílio de um fórceps.

E também há o risco de, durante a gestação, o cordão ficar enrolado no pescoço do bebê. Qualquer movimento brusco dele ou da parede uterina poderia matá-lo por enforcamento. Então, a única solução

é a cesárea.

Pós operatório com dor

Para as mães que optam pela cesariana para fugir da dor, vai um lembrete: a paciente não sente absolutamente nada durante a cirurgia, pois está anestesiada. No entanto, no dia seguinte, ao acordar, ela percebe que tem dificuldade para erguer o corpo, sente dores na região do corte, o que torna difícil seu andar. Geralmente ela tem dificuldade até para calçar os sapatos, pois não consegue dobrar o corpo. Para segurar o filho no colo precisa estar sentada, o que acaba tornando a amamentação complicada também.

Enfim, mulheres que já passaram pelas duas experiências garantem que a dor do parto é mais tranqüila que o pós-operatório. E a ginecologista Marli Faria acrescenta:

"É uma cirurgia, que tem todas as possibilidades de infecção, inflamação dos pontos, rotura dos pontos, hérnia. E pode ser feita sem que se tenha certeza de que está realmente na hora do bebê nascer. Um bebê que nasce fora da hora tem grandes chances de ter que ir para a incubadora, porque não está com o pulmão suficientemente maduro. Por outro lado, a mãe de parto normal tem uma recuperação bárbara, a amamentação

é mais rápida, o leite vem mais rápido e ela não corre o risco de ter que voltar para o hospital com uma complicação e deixar seu bebê em casa".

Calcule a data do parto

Os médicos têm uma fórmula bastante simples para calcular a data provável do nascimento do bebê. Eles consideram que o início da gravidez foi no primeiro dia da última menstruação. Então, somam a este dia mais 280 dias. Outra opção é adicionar sete à data do "início" da gravidez e subtrair três dos meses. Para facilitar, vai um exemplo. Suponha que a última menstruação tenha começado no dia 12 de junho: 12 + 7 = 19 (dia); junho é mês 6, então, 6 - 3 = 3 (março). Ou seja, a data provável para o nascimento do bebê é 19 de março. Vale lembrar que um erro na data da última menstruação pode alterar o resultado. Então, a fórmula só serve para mamães que têm certeza desta data.

Fonte: Folha de São Paulo 20/4/97