04 de março de 2026
Geral

Parto normal

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 5 min

Parto ideal é o que dá tranqüilidade

Parto ideal é o que dá tranqüilidade

Texto: Sabrina Magalhães

Gestante tem pelo menos oito opções na hora de fazer um parto natural

A escolha do tipo de parto a ser feito é a grande dúvida de gestantes e médicos na hora do nascimento do bebê. Isso porque, segundo os especialistas, não existe uma regra. O parto ideal é aquele que oferece bem-estar, conforto e saúde à mulher e à criança. Portanto, vai depender de características individuais da gestante e da evolução de sua gravidez. E quando tudo está bem - o que acontece em aproximadamente 90% dos casos - o melhor caminho é o parto normal.

No entanto, as estatísticas mostram que uma porcentagem muito alta de mulheres opta pela cesárea. Nos hospitais particulares, cerca de 80% dos partos são cirúrgicos. A situação é parcialmente controlada nas instituições públicas, mas porque o Governo garante um repasse maior de verba para maternidades onde pelo menos 60% dos nascimentos sejam naturais. De acordo com o obstetra Célio Souza Cabello, é possível ter uma idéia de tal desproporção quando comparamos estes números com os de outros países. Segundo ele, no Japão, apenas 5% dos partos são cirúrgicos; 8% na Inglaterra; 25% nos Estados Unidos.

Esta desproporção é reflexo de uma condição cultural. De um lado os médicos, que preferem a cesárea porque ela é feita com hora marcada (o parto normal pode pegá-los de surpresa no final de semana ou na madrugada). Do outro, as pacientes, que poderiam esperar o nascimento natural, mas não querem enfrentar as dores do parto. Já nos países orientais, como o Japão, as meninas são educadas e preparadas desde cedo para o parto normal. Ao ponto de passarem por todo o trabalho sem soltar um único gemido, como comenta o ginecologista José Luís Castilho.

Na opinião dos médicos, seria necessária uma campanha de conscientização e educação para mudar as estatísticas no País. Afinal, a cesárea

é uma excelente opção quando há algum problema na gestação (leia na página 4). Mas é uma cirurgia e, como tal, oferece riscos.

Parto normal tem oito opções

A mulher que opta pelo parto natural tem oito alternativas diferentes. A escolha deve levar em consideração o conforto. A forma adotada pela grande maioria dos médicos é o parto normal deitado. Apesar de ser o mais usado, é uma posição que exige certo sacrifício da mulher. Isso porque ao deitar-se, o canal de parto fica levemente suspenso, ou seja, a mulher vai ter que fazer muita força para conseguir expulsar o bebê e, com isso, pode sofrer mais rompimentos internos.

No entanto, é a melhor posição para os médicos, segundo o obstetra Célio Cabello. Ele explica que um trabalho de parto pode estar correndo muito bem e, de repente, o feto apresentar sofrimento. Então, é preciso submeter a paciente

à cesárea com urgência. "Se ela já está deitada, você está com tudo preparado para fazer a cirurgia. É complicado, por exemplo, se ela está numa cadeira de parto ou se está na casa dela. Imagine a dificuldade até levar a parturiente (gestante) até a sala cirúrgica, anestesiar e iniciar a intervenção."

Esta cadeira de parto que ele cita é outra opção defendida por alguns médicos. Uma cadeira com apoio para o bumbum, com uma abertura em forma de meia-lua na frente para facilitar o trabalho do médico na hora de aparar o bebê. Estando em posição vertical, a mulher conta com a ajuda da gravidade para expulsá-lo. Por isso, o parto

é mais rápido e a gestante sente menos dor. Muitas vezes, nem é preciso aumentar a abertura do períneo para a passagem do bebê.

E se a cadeira facilita o nascimento por causa da posição e da força da gravidade, por que não dar a luz de cócoras (agachada), como as índias? Seus defensores alegam que está é a posição mais natural e confortável para a mulher. Se ela não tem preparo físico para passar muito tempo de cócoras, pode ainda ficar de quatro ou de joelhos. Em qualquer destas opções, o médico costuma não intervir e deixar a paciente

à vontade para buscar a forma mais funcional. Durante muitos anos, as mulheres realizavam os partos de seus filhos absolutamente sozinhas e elas sempre souberam escolher a melhor posição para o nascimento dos filhos.

Uma sexta alternativa, que divide os médicos, é o parto na água, em que a gestante realiza todo o trabalho de parto dentro de uma banheira com água aquecida. Alguns especialistas acreditam que esta seja a forma mais tranqüila para o bebê, já que ele passou tantos meses na água. Ao ser expulso do útero, ele sai nadando e vai sozinho

à superfície. Só depois de alguns minutos

é que o cordão é cortado.

Mas algumas vezes a criança fica parada, presa no canal de parto. Parte de sua cabecinha já saiu do útero, mas ela 'entala' ali. Isso pode acontecer por dois motivos: para sair, o bebê tem que ir se revirando em busca dos melhores espaços. Se ele não consegue se virar, pode ficar parado no canal; ou, ele está na posição correta, mas a mãe não tem força ou as contrações param por algum motivo. Se a criança fica parada, ela pode morrer por estrangulamento.

Para resolver este problema, um pesquisador inventou um aparelho chamado fórceps: duas colheres de ferro, encaixadas como uma tesoura. O médico coloca as colheres nas laterais da cabecinha do bebê e o ajeita, facilitando a saída dele. Alguns médicos repudiam esta forma de parto, porque, mal usado, o fórceps pode deixar seqüelas no cérebro da criança. Mas entre correr um risco e salvá-la ou deixá-la morrer, quando é necessário, ele é usado.