07 de julho de 2026
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Luciano Augusto
| Tempo de leitura: 5 min

Procon alerta para a taxa de juros

Procon alerta para a taxa de juros

Texto: Luciano Augusto

O Procon, órgão de defesa do consumidor ligado à Secretaria Municipal do Bem Estar Social (Sebes) divulgou esta semana uma pesquisa feita em 13 estabelecimentos, entre bancos e financeiras, da cidade, nos dias 25 e 26 de agosto. A conclusão é que as taxas de juros estão estáveis mas altas. O consumidor, por sua vez, deve ficar atento e não "meter os pés pelas mãos".

"As pesquisas do Procon não são para que você tenha o melhor local onde se encontra o menor preço. O que nós queremos é que o consumidor tenha mais curiosidade de olhar e verificar o melhor preço para ele quando for consumir. Deve-se ficar atento e trabalhar com o valor à vista e o valor financiado. Às vezes, o valor financiado extrapola, em muito, o valor à vista.

É uma questão de ter cuidado para não ser lesado mais na frente", esclareceu o advogado do Procon, Luís Alan Barbosa Moreira, 45 anos.

O advogado conta que a tentativa do Procon com a realização da pesquisa foi passar para o bauruense o que está sendo colocado à disposição dele, no que diz respeito a bancos e financeiras. O objetivo foi demonstrar o que o cidadão está pagando e como ele pode ganhar fazendo uma pesquisa de mercado.

A intenção do Procon foi fornecer informações mais didáticas ao consumidor sobre o mundo financeiro. "O consumidor precisa entender que o processo em que ele vive, diz respeito a tudo aquilo que ele lê e não entende. Ele pensa que está excluído deste processo, mas não está".

De acordo com Luis Alan Barbosa Moreira, o bauruense menos preocupado está pagando caro pelo crédito que toma na praça.

No cheque especial, por exemplo, o Procon encontrou uma diferença de 3,15% entre a menor e a maior taxa de juros. A taxa mínima foi de 8,35% enquanto que a máxima chegou a 11,5%.

No financiamento de automóveis (pesquisado junto à financeiras), parcelado em até 24 meses, as taxas mínima e máxima cobradas são, respectivamente, 2,6% e 3,4%.

O desconto de cheques e duplicatas na cidade varia de 3%, a taxa mínima, e de 5%, a máxima.

Já a taxa de abertura de crédito

(TAC) custa R$ 20,00, para a abertura de crédito pessoal e R$ 70,00, para os financiamentos de autos.

O advogado do Procon afirmou ainda que as chamadas financeiras independentes (as pequenas) "desenvolvem um trabalho até de coragem, dando dinheiro na mão de alguém, contando que vai receber mais adiante". Nestas financeiras, a menor taxa cobrada para crédito pessoal

é de 11% e a maior é de 15,5%. Além destas taxas, lembra Moreira, eles cobram também de R$ 1,50 a R$ 1,70 por desconto.

A conclusão, para o Procon, "é que não vale a pena, na atual conjuntura, o cidadão usar o cheque especial, porque vai ficar complicada a situação para ele". Na média, a taxa de juros cobrada mensalmente

é de 9,9%, "que é muito alto". Ainda que o Governo Federal acene com a queda nas taxas de juros, ainda

é cedo para fazer empréstimos, na opinião do advogado.

Com o crédito pessoal, aponta Moreira, está a mesma coisa. Ele diz que este não é ainda o melhor momento de buscar o crediário.

"O cartão de crédito, nem se fala. O cidadão fica um tempo grande pagando o mínimo e perdendo dinheiro. No final, ele vai perceber que pagou de duas a três vezes o valor do bem", argumenta Moreira.

O Procon alerta que estes artifícios, só devem ser usados, em última necessidade.

Moreira diz que o que normalmente ocorre

é o indivíduo quando vai comprar uma geladeira, por exemplo, aproveitar e comprar também um aparelho de som novo, calculando que as parcelas do crediário não ficarão tão pesadas. O seu crédito fica no limite do seu orçamento e, quando ocorre um imprevisto, o cidadão vai deixar de pagar, sobrecarregando o orçamento mensal.

Existe também, "a chamada bola de neve", onde os bancos, por exemplo, chegam a cobrar juros sobre juros no uso do cheque especial. Segundo o representante do Procon de Bauru, "se o consumidor consegue zerar o limite do cheque especial no final do mês, tudo bem; paga-se um juros, que está excessivo, e pronto. A questão é quando não se quita todo o valor devido, e o resíduo vai sendo empurrado para o mês seguinte, acrescentando os juros sobre os juros", o chamado anatocismo.

Esta palavra, ironiza Luís Alan Barbosa Moreira, é um palavrão no mundo financeiro, "porque significa que está se explorando a impotência e a fragilidade do cidadão".

O que a comunidade precisa entender, segundo o Procon, é que o mercado trabalha em cima de algo que ele pesquisou e não em cima de vantagens desconhecidas. A conclusão, então, é que muito dos benefícios e das vantagens que são colocadas para o consumidor assalariado,

"tirando as exceções mais abastadas que não dependem de cheque e nem cartão de crédito, porque têm o suficiente para não alterar nada para ele", não são tão atrativas assim. "Na verdade, ele não usa o cartão. Pelo contrário, o cartão

é que o usa, estimulando-o a fazer coisas que sem o cartão ele não faria, assim como o cheque", finaliza Moreira.

Veja abaixo, os números levantados pela pesquisa do Procon:

Cheque especial

Taxa mínima de 8,35%

Taxa máxima de 11,5%

Financiamento de autos, em 24 meses (nas financeiras)

Taxa mínima de 2,6%

Taxa máxima de 3,4%

Desconto de cheques e duplicatas Taxa mínima de 3%

Taxa máxima de 5%

Taxa de Abertura de Crédito

R$ 20,00, para crédito pessoal

R$ 70,00, para financiamentos